Simule, simule, simule!

5 de fevereiro de 2018

O Blogueiro tem certeza de que você, que vai fazer o vestibular no ano em curso, continua montando seu projeto de estudo para os exames que fará no meio e no final do ano. Entre os pontos desse projeto, o Blogueiro recomenda especial atenção aos simulados.

É claro que no terceiro ano do ensino médio e nos cursos preparatórios, volta e meia você tem de enfrentar um desses simulados, mas o conselho aqui é um pouco diferente. Com a chegada da internet, que é um instrumento poderoso de comunicação, você não depende mais dos simulados que o colégio lhe oferece, mas tem a sua disposição também os próprios exames vestibulares de anos anteriores publicados pelas universidades, resolvidos e comentados pelos sites das escolas e por blogues independentes.

Evidentemente, tudo o que precisa para estudar e aprender se encontra hoje na rede, dependendo apenas de você aproveitar da melhor forma possível. Há sites que ensinam matemática, física, biologia, língua portuguesa, etc., etc. Não cabe mais, portanto, a desculpa de dizer que em seu curso não foi ensinado isto ou aquilo, desta ou daquela disciplina. Tudo está na rede. É só buscar com atenção. Você tem, hoje, em virtude da tecnologia, um privilégio que os vestibulandos de décadas anteriores à internet jamais sonhariam ter. Nos velhos tempos, eram apenas apostilas, livros e anotações de aula. E os professores nem sempre podiam repetir as aulas perdidas por este ou aquele estudante.

Este é o caso exato do estudo com base na simulação. As provas das diferentes universidades podem ser acessadas facilmente pela web. Seu problema, portanto, não é a inexistência de fontes de estudo, mas o que fará com elas. Aqui entra o conselho do Blogueiro: resolver as questões de exames anteriores de diferentes universidades é uma das formas de estudar para os vestibulares. Você pode e deve dedicar um período diário para fazer, por si mesmo, essas simulações, em primeiro lugar para acostumar-se a fazer os exames; em segundo, para detectar suas necessidades de estudo em cada uma das diferentes disciplinas. Outro aspecto que pode ser colocado se traduz no fato de que, algumas vezes, questões aplicadas em vestibulares atuais são muito parecidas com as de vestibulares anteriores.

Observou, deste modo, a vantagem de dedicar atenção a provas de vestibulares anteriores? Mãos à obra, portanto. Torne a resolução de exames anteriores um instrumento para preencher as lacunas de sua preparação, além do fato de levá-lo a sentir como um ato absolutamente normal a realização de provas. Com isso, além de aprender muito, eliminará as tensões e o nervosismo diante das situações reais que terá de enfrentar. É o que recomenda o Blogueiro: Simule, simule, simule. E mande ver.

 

“Veja-se” em suas redações

24 de janeiro de 2018

Você recebe muita orientação e dicas sobre como fazer suas redações, não recebe? Nem sempre, porém, aqueles que o aconselham têm consciência de que estão deixando de lado talvez a mais importante sugestão: é você que escreve, é você que interpreta a proposta, é você, enfim, que receberá ou não a nota adequada.

Parece óbvio dizer isso, não parece? Sim, mas não é. Isso é muito importante. Você escreve, você é o autor. E não é o autor apenas na prova do vestibular, mas o tempo todo em que escreve qualquer texto. Em termos de preparação, é um ponto fundamental: ao se preparar para a prova de redação, ao fazer suas simulações, as escolhas são suas, a estrutura do texto é a que você estabelece, a opinião é a que você defende ou assume.

O Blogueiro já disse que  você deve preparar-se fazendo pelo menos duas redações por semana até o vestibular. E nessas redações deve sempre ter em mente que as palavras, as ideias, os argumentos, a conclusão representam você mesmo. Se compreender bem esse fato, perceberá que não deve apenas projetar, mas projetar-se em cada redação que escrever como exercício. Dito de outro modo: cada redação que escreve é um retrato do que você é.

Talvez por isso  não seja tarefa muito fácil aprender a escrever. Mas também talvez por isso, depois de aprender, se torne tarefa fácil dominar o texto que escreve. Por esta razão o Blogueiro sugere que você se veja em seu texto desde o próprio título que escolhe.

Então comece suas reflexões e seu treinamento pelo começo, vale dizer, pelo título. Muitos candidatos, na prova de redação, nem título colocam, iniciando diretamente o texto. Veem a prova como um mal necessário de que é preciso livrar-se o mais rápido possível. Deixam  de perceber, com isso, que o título é uma espécie de coroamento antecipado de um texto, uma espécie de síntese. Lembra de ter lido Iracema, de José de Alencar? O nome da personagem, dado como título, revela que o livro está inteiramente centrado na protagonista. Lembra de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis? O título antecipa e sintetiza o próprio desenvolvimento da narrativa e a condição em que a personagem narra.

Sua redação não é diferente, precisa ter um título que esteja em harmonia com o corpo do texto, com a opinião manifestada neste. E aqui chegamos ao ponto mais importante, em termos de preparação: procure fazer todo tipo de experimentação, em seus textos, para que sua opinião transpareça com o máximo de clareza. Um bom exercício será o de ler editoriais de jornais e artigos assinados, experimentando fazer uma redação em que concorde com o argumento do autor; e outra em que discorde desse argumento. Com exercícios como este, você desenvolverá uma técnica própria de argumentar, muito semelhante à empregada por advogados e políticos, e não menos semelhante à que empregava Sócrates, nos diálogos de Platão. A este respeito, não lhe faria nada mal ler alguns diálogos de Platão, para se tornar mais capaz ainda de argumentar e contra-argumentar, de sentir que o que escreve é uma representação exata do que pensa e sente.

Assim, quando tiver certeza de que é capaz, o tempo todo, de ver-se em seu texto, você estará pronto para enfrentar sem qualquer susto as propostas de redação dos vestibulares.

 

Um bom plano para uma boa chegada

18 de janeiro de 2018

No artigo anterior, o Blogueiro dirigiu-se a você, que neste ano fará seu primeiro e — Queira Deus! — único vestibular. É claro que o ensino fundamental e o ensino médio já constituem, em seu todo, uma preparação para isso, mas agora que está às portas dos exames vale a pena fazer uma análise do que pode e do que precisa fazer para que a experiência do vestibular seja, realmente, única, em todos os sentidos que pode carregar esta palavra. A última volta é a mais importante e, por assim dizer, a mais perigosa em uma corrida.

A contribuição que o Blogue pode dar a você nesta reta de chegada corresponde à pergunta que se faz todos os dias: como chegar lá? A melhor resposta é simples: com um bom plano. Você descobrirá, ao longo de sua vida, que mesmo as tarefas mais simples implicam uma programação para ser alizadas. A simples ida a um supermercado precisa de um plano, que contém elementos como que comprar, a que hora sair, qual o trajeto mais adequado, quanto gastar, com quem ir ou ir só, como ir, como voltar. É claro que nem nos damos conta disso, tão acostumados que estamos a tarefas como essa. Planejar torna-se, assim, algo quase automático, porque relativamente simples. Quando se trata de vestibular, porém, o processo acaba sendo um pouco mais complicado, mas tem de ser feito, sob pena de tornar suas ações confusas e contraproducentes. Compare a preparação para vestibular com a travessia de uma floresta. Ninguém vai simplesmente entrando e caminhando, sob risco de se perder, machucar-se, passar muitas dificuldades e, ao fim e ao cabo, não conseguir atravessar. Não será muito diferente com a travessia do período de preparação para vestibular.

Evidentemente, seu plano deve começar levando em consideração uma espécie de autoanálise. Em quais disciplinas costuma dar-se melhor? quais as maiores dificuldades que tem nas outras? qual seu tempo disponível para os estudos? etc., etc.  Procure neutralizar, neste ponto, sua preferência por esta ou aquela disciplina. Pense apenas que, se gosta de uma disciplina e sempre vai bem, está com uma possibilidade aberta para estudar mais as outras. Tirar mais nota numa disciplina de que gosta para compensar o que tira de menos numa disciplina de que não gosta é puro folclore, não acredite nisso.

Assim sendo, eis algumas sugestões para você formular seu plano:

1) redação: fazer uma por semana, inclusive sobre temas polêmicos;

2) atualidades (muito usadas hoje como temas de redação e também para a formulação de problemas de ciências físicas e biológicas, conhecimentos gerais, etc.): assistir a telejornais, ler jornais e revistas, principalmente editoriais e artigos sobre ciência;

3) disciplinas problemáticas: dedicar-se ao estudo das disciplinas em que costuma não se sair muito bem, tentando detectar as razões para isso e buscando soluções via rede ou mesmo com colegas mais experientes e professores;

4) disciplinas de que gosta: consolidar os conhecimentos que já possui e procurar resolver um ou outro ponto fraco que detectou em seu trajeto no ensino médio;

5) dedicação: não exagerar no esforço de estudo, pois isso pode ser prejudicial, levando-o a uma estafa; é melhor dosar as horas diárias de estudo de acordo com sua capacidade de suportar os esforços; horas semanais de lazer são também necessárias para mantê-lo em forma.

São estas, neste início, apenas algumas sugestões do Blogueiro. Você tem, seguramente, outras ideias a respeito, que poderá combinar e harmonizar com as aqui fornecidas. O importante é ter em mente que um bom plano é absolutamente necessário para simplificar seus estudos e não deixar que perca o rumo nem se desespere naqueles momentos em que o cansaço o leve a sentimentos pessimistas.

 

 

É isso aí, galera!

15 de janeiro de 2018

Enquanto os candidatos que prestaram o exame vestibular da Unesp aguardam os resultados, logo para o início de fevereiro, o Blogueiro já começa a pensar em você, estreante, que ao longo deste ano prestará pela primeira vez seus exames. É claro que nada é estranho para você nesse assunto, pois por certo estará acompanhando os resultados, para verificar se algum colega mais velho foi aprovado. E o faz, é claro, também pensando em seus exames, que ocorrerão ao longo deste ano.

É nesta oportunidade e neste momento que o Blogueiro começa a ser útil a você. Vale a pena explicar por pontos. Primeiro: os resultados que terão seus colegas estarão na razão direta da intensidade de seus estudos e preparativos. Vestibular não é loteria, é fato concreto, é comprovação de rendimento escolar. Segundo: na vida, e não apenas em vestibulares, a vitória é sempre do melhor preparado; não há sorte, não há coincidências entre o que você estuda e o que vai ser solicitado nas provas. Terceiro: o melhor ponto de partida para preparar-se adequadamente é ter perfeita noção de seus méritos e suas fraquezas. Estudar, deste modo, tem a função de aperfeiçoar seus méritos e diminuir, senão eliminar, suas fraquezas. Quarto: ninguém sabe mais ou menos; ou sabe, ou não sabe. Quinto: repetir e repetir e repetir é o melhor modo de fixar. Não se contente com um só exercício, repita o suficiente para ter certeza de que não vai esquecer.

Um lembrete é aqui também muito importante a respeito dos chamados vestibulares de inverno, também chamados de vestibulares de meio de ano. O Blogueiro já disse, mais de uma vez, que os cursos oferecidos nesses vestibulares têm a mesma qualidade dos oferecidos no final do ano. A universidade é a mesma, a unidade é a mesma, as provas são elaboradas e corrigidas pelas mesmas equipes, os professores são os mesmos, os diplomas terão o mesmo valor. Deste modo, tanto faz ingressar na universidade no meio como no fim do ano. Fique alerta a esse fato, portanto, para não correr o risco de desprezar um curso em que foi aprovado no meio do ano e acabar não sendo aprovado em vestibulares de final do ano. Aqui vale acompanhar a sabedoria do povo, que criou o provérbio Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Outro lembrete importante diz respeito ao curso que escolherá. O Blogueiro já alertou sobre o fato de que, apesar da predileção pessoal, o estudante não pode e não deve voltar as costas para o mundo. A opção por um curso mais promissor deve ser sempre considerada uma possibilidade. Escolha de curso não deve ser objeto apenas de simpatia, mas convém considerar outros aspectos, como, por exemplo, o campo de emprego depois de formado, a relação com a realidade do mercado de trabalho atual, as faixas de remuneração e as possibilidades de subir muitos degraus ao longo da carreira.

Para usar uma linguagem mais de acordo com os jovens, o Blogueiro encerra estes primeiros conselhos dizendo: É isso aí, galera! Vestibular não é mágica. Mas é cheio de truques.

 

Nem só o currículo forma o profissional

5 de janeiro de 2018

E aí? Divertiu-se bastante nas festas? Claro que sim. Depois de ter atingido a meta de prestar seus vestibulares, agora a questão é mesmo relaxar, divertir-se, aproveitar toda a euforia do início do ano enquanto aguarda os resultados de seus exames. O Blogueiro, neste lapso de tempo, deixa de preocupar-se com os exames e passa a refletir sobre o início de seu curso na universidade. Você será aprovado, sim, e logo estará numa outra etapa de sua vida, tal como o Blogueiro mencionou no artigo anterior.

Pense no início de seu curso. Você imagina que dará todo o esforço para se tornar um excelente profissional na área que escolheu. Com certeza o será. Mas deve ter em mente, nesse caso, o que o tornará um profissional excelente. A primeira decisão a tomar será a de olhar para trás e verificar o que, de todo o seu trajeto de estudo, deve ser aproveitado e continuado em seu curso universitário. O primeiro ponto que fica claro é o aproveitamento de tudo o que estudou de Língua Portuguesa. Esse estudo, que em alguns momentos da preparação pareceu muito chato e sem sentido, na verdade é exatamente o contrário. Os ensinos fundamental e médio insistiram muito para que adquirisse um bom vocabulário, dominasse os fundamentos da gramática, e aprendesse a escrever muito bem. Se você pensava que isso era só preparação para vestibular, enganou-se. O melhor conselho que o Blogueiro pode lhe dar agora é que o estudo da língua, a prática da redação e a leitura de bons livros continuam a ser fundamentais para que venha a se tornar um excelente profissional. É inadmissível, hoje, um profissional que não seja capaz de relatar com precisão uma tarefa que cumpriu, um projeto que criou e executou. Continue, portanto, cultivando a Língua Portuguesa como um dos instrumentos de seu trabalho.

Outro ponto é o das línguas inglesa e espanhola. Se ainda não domina essas línguas, oralmente ou por escrito, trate logo de estudar muito e dominar. A língua inglesa, porque acabou se tornando um meio de comunicação universal, falado nos quatro cantos do mundo. A língua espanhola, porque nossos povos irmãos, na América Latina, a usam como idiomas. Com a criação do Mercosul, dominar o espanhol passou a ser algo muito importante para fazer frente a oportunidades de trabalho em nosso continente. Vá pensando nisso e estudando. Não arrisque perder uma grande oportunidade de trabalho em nível de Mercosul só porque não deu o devido valor à língua espanhola. Pense nisso.

Um terceiro ponto, igualmente importante, é o da informação e da cultura. Você não deverá ser apenas um profissional especializado numa área de desempenho. Ao contrário, tem de ser simultaneamente um cidadão culto e bem informado, ou seja, deve ter a mente aberta para tudo o que ocorre no mundo e para a solidificação da cultura até aqui absorvida. Em resumo: deve ser um habitante do mundo, ao mesmo tempo receptivo e crítico, e não apenas um eremita fechado em seu escritório de trabalho, totalmente ausente dos principais problemas que envolvem a civilização atual.

Percebeu? Mesmo antes de iniciar seu curso, você já sabe que tem tarefas a cumprir, juntamente com aquelas que pertencem ao curso escolhido. Sua formação universitária, portanto, não se limitará a torná-lo um especialista fechado em seu mundinho, incapaz de compreender a realidade que o cerca. A universidade, de fato, não forma apenas profissionais, forma cidadãos, pessoas capazes de participação e ação na realidade do mundo que nos cerca.

 

 

O verdadeiro começo de tudo

5 de janeiro de 2018

Você por certo teve um Feliz Natal, não teve? E terá, com certeza, um feliz começo de 2018. E ficará mais feliz ainda quando saírem os resultados dos exames vestibulares. Uma das vagas, realmente, será sua.

Sabendo que isso irá acontecer, o Blogueiro acha que, além de lhe desejar um Feliz Ano Novo, este é o momento mais adequado para comentar um fato que, embora pareça apenas uma imagem metafórica, é autêntico: a vida de verdade, sua vida de verdade, começa agora, quando você pisar um câmpus universitário como estudante do curso escolhido.

Começa, mesmo! Tudo o que você viveu até agora era um preparo, um treinamento, uma simulação. O curso universitário é o jogo de verdade, o jogo da verdade, o período em que estará já vivendo a profissão que exercerá até o fim de seus dias e fará de você, sem sombra de dúvida, um vencedor, um grande vencedor. É aqui que começam a existir o biólogo, o professor, o cientista, o administrador, o médico, o engenheiro, o filósofo, o psicólogo, o sociólogo, o jornalista, o publicitário, o tecnólogo, o geógrafo, o geólogo, o astrônomo, o historiador, etc., etc. É aqui que o indivíduo não será mais apenas um receptor de benefícios da sociedade, mas passará a atuar sobre a própria sociedade, para criar benefícios para todas as pessoas que deles necessitarem. Como o Blogueiro já disse em outros artigos, você continuará, ainda, de certo modo, a ser paciente, mas assumirá em escala maior a função de agente. Não um agente para auferir favores, benefícios, status, fama e riquezas,  É claro que estes e estas poderão vir para você, por seus méritos. A questão é que você tem de ser, sobretudo, um agente para que outras pessoas também tenham a mesma oportunidade.

Se entendeu os comentários dos três parágrafos anteriores, por certo também entenderá que no final de seu curso não receberá apenas um diploma; receberá o símbolo do que deverá ser em sua atuação profissional e social. Vivemos numa sociedade que, por definição, é um conjunto de pessoas que convivem e colaboram. Não há valor algum em ser rico, riquíssimo, bem-sucedido, enquanto milhões de outras pessoas no país e no mundo são pobres, paupérrimas, O principal objetivo da sociedade, neste sentido, é a igualdade a todos os seus integrantes. É isto que vem senco buscado ao longo do tempo e que, com a formação filosófica e sociológica que possuímos hoje, temos certeza de que deverá ser obtido mais cedo ou mais tarde por toda a humanidade. A própria tecnologia, com as conquistas que se revelam hoje, aponta para esse sucesso.

Compreendeu? É necessário que você pense em si mesmo? Sim, mas é impossível sermos nós mesmos, em nosso sucesso, em nossa felicidade, sem pensar no sucesso e na felicidade de todas as demais pessoas do mundo. Quando o homem atingir outros planetas, para colonizá-los, não deve levar consigo uma sociedade mal resolvida e conflituosa, em que uns sejam mais felizes e afortunados que outros. Os que pisarem o solo de novos mundos deverão estar levando uma sociedade equilibrada e justa, formada por indivíduos felizes e realizados em suas vidas e profissões. Essa meta está sendo edificada, e todos nós temos obrigação de ser agentes desse processo.

Seja feliz em seu curso universitário, sabendo que a Sociedade também está passando por um vestibular e você deve ser um bom professor para que ela venha a ser aprovada.

 

Agora é aguardar 2 de fevereiro

21 de dezembro de 2017

Você com toda a certeza teve ótimo desempenho na segunda fase do Vestibular Unesp. As questões não foram complicadas e o tema da redação permitiu que você pudesse desenvolver e argumentar a contento. Como os professores especialistas e os próprios candidatos afirmaram aos jornais, o Vestibular Unesp seguiu a tradição com uma prova bem ponderada, questões equilibradas e sem nenhuma das pegadinhas que tanto irritam vestibulandos no momento do exame.

A Unesp, de fato, tem há muito tempo bem delineado o perfil de candidato que pretende para seus cursos, e as provas, neste sentido, procuram concretizar essa busca.  Um bom vestibular não é uma coleção de questões impossíveis de resolver, nem tampouco uma série de pegadinhas para iludir o candidato, mas, ao contrário, um conjunto coerente e moderado de questões que têm por objetivo verificar o que o candidato sabe, e não o que não sabe. A Unesp  busca sempre encontrar a medida ideal em termos de questões para que o candidato possa comprovar seu preparo e sua efetiva formação ao pleitear uma vaga em curso da Universidade. Um vestibular assim concebido se torna realmente avaliação.

Durante o ano todo este Blogue procurou aconselhar o candidato justamente para enfrentar, com muita calma e ponderação, as questões propostas no Vestibular Unesp. E você, com certeza, soube entender as colocações feitas pelo Blogueiro para evitar aqueles cochilos banais que podem comprometer o resultado final obtido. Uma classificação pode ser decidida pela inexistência desses perigosos e prejudiciais errinhos.

Examinando agora todos os itens e aspectos que compuseram as provas, o Blogueiro ficou bastante satisfeito por haver percebido que, se o candidato realmente seguiu os alertas e conselhos apresentados, deve ter feito uma prova tranquila e segura. A mesma satisfação vale para a proposta de redação. Quem se preparou conforme os avisos apresentados, com toda a certeza teve um bom desempenho, sem maiores deslizes. Um bom texto, desta sorte, surge em primeiro lugar do entendimento pleno da proposta de redação; em segundo, do conhecimento preciso do tema; em terceiro, do exercício constante, praticamente diário, de escrever com toda a atenção, para evitar lapsos de ortografia, “escorregões” de coesão textual e, sobretudo, de lacunas na argumentação. Uma boa conclusão é aquela que fecha com coerência o que foi manifestado no início do texto.

Por todos esses motivos, você tem certeza de haver realizado uma ótima prova, como resultado de anos de esforço e concentração em seus estudos. Agora só resta aguardar o resultado, relaxar bastante e aproveitar com descontração as festas de final e começo de anos, com a confiança na futura classificação. Feliz 2018. Feliz dia 2 de fevereiro. Boa matrícula. E melhor curso ainda na Unesp, que é uma das principais universidades do Brasil.

 

 

 

 

 

Na hora “h” evite os coloquialismos ridículos

14 de dezembro de 2017

Agora que a prova está aí, um último conselho: evite o emprego de certos vocábulos e expressões que, embora aceitos no discurso oral e familiar, geram modos de dizer um tanto ridículos quando transplantados para o discurso formal.  Isso deve ser feito em todas as respostas discursivas e na redação.

Uma dessas besteirinhas é representada pela palavra tipo. Você com certeza já ouviu falarem assim: Estou dizendo que minha colega é tipo assim uma imitação desastrada de Barbie.

Na oralidade, esse emprego de tipo como comparativo está muito disseminado. As pessoas nem notam mais que estão falando assim. O problema é empregar em discurso escrito, especialmente em resposta discursiva de prova ou redação de vestibular. Nesses casos, o discurso deve ser formal, obediente à norma-padrão. “Tipo assim” é um uso que podemos considerar, com o povo, um tanto brega. E não apenas isso, mas também vulgar e ignorante. Muito melhor seria falar ou escrever, simplesmente: Estou dizendo que minha colega é como uma imitação desastrada de Barbie. Nada de tipo assim em seu discurso escrito, certo?

Outro mau uso diz respeito a por causa que ou por causo que: Eu atirei o lápis pela janela por causa que meu colega me irritou. Ora, ora, também é irritante para qualquer professor de português deparar-se com esse uso, quando a forma correta e simples é porque: Eu atirei o lápis pela janela, porque meu colega me irritou. Não é muito mais simples? Então, nada de por causa que em suas provas, certo?

Pior ainda é o uso de coisa. No discurso oral, vez por outra, quando esquecemos o nome de uma pessoa, acabamos dizendo o coisa. Meu irmão encontrou o coisa lá na estação de trem. Horrível, não é. No discurso escrito, jamais faça isso. Há mil maneiras de dizer o mesmo de modo correto e elegante: Meu irmão encontrou o rapaz lá na estação de trem. Ou: Meu irmão encontrou essa pessoa lá na estação de trem. Deste modo, cuidado, muito cuidado como esse coisa, que pode ser uma coisa bem ruim para sua prova, certo?

Outro uso equivocado, finalmente, é a forma verbal pegou para indicar a sequência de uma estória. No discurso oral, ainda vá: Ela pegou e começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. No discurso escrito, porém, há formas e formas de evitar esse equívoco, inclusive com a própria supressão da palavra: Ela começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. Por isso mesmo, ao responder a questões discursivas ou a escrever sua redação, não pegue nada: simplesmente escreva de modo o mais claro possível.

Um conselho final: crie frases com essas palavras equivocadas e, em seguida, faça você mesmo a correção. Será um bom modo de preparar-se para não embarcar no verdadeiro “besteirol” que tais usos acabam criando em nossos textos.

 

Questões discursivas: respostas discursivas

8 de dezembro de 2017

Você já refletiu bastante sobre as chamadas questões discursivas? Bom, questão é o mesmo que “pergunta”; e discursiva quer dizer por meio de discurso. Por isso mesmo, resposta corresponde a questão, assim como discursiva significa por meio de discurso. Vale dizer: as questões discursivas não apresentam resposta a escolher por meio de alternativas, como nas questões objetivas da primeira parte do vestibular, mas têm de ser elaboradas por meio de um discurso, um texto. Sua resposta, no caso, é um pequeno texto.

Observe que nas questões de matemática e física você tem de fazer uma demonstração, por meio de cálculos que solucionem a questão proposta. Já nas provas discursivas de língua, literatura, artes, história, geografia, ciências e filosofia, por exemplo,  as respostas são apresentadas por meio de pequenos textos, formadas por um ou dois parágrafos.

Uma resposta discursiva, assim, desenvolve um tema, representado pela solução da questão proposta, que você tem de desenvolver e demonstrar. Parece óbvio, não parece? Sim, mas por vezes o óbvio é que pode atrapalhar, caso você esqueça que sua resposta está sendo alimentada por esse tema, que é a solução da questão. Por isso mesmo, é muito fácil perder-se na obviedade e acabar respondendo o que a questão não propõe, isto é, não pergunta.

Imagine que uma questão de história solicite que você verifique, num texto dado como base, o posicionamento do autor sobre o descobrimento do Brasil. O autor, um historiador português, afirma que o Brasil foi descoberto, de fato, um pouco antes, e que Cabral veio apenas sacramentar a descoberta pelo reino de Portugal. Imagine que alguém respondeu assim: Não, o Brasil foi realmente descoberto por Pedro Álvares Cabral. Notou como o óbvio pode atrapalhar e fazê-lo errar a resposta? Na verdade, quem respondeu desse jeito deu a sua opinião, embora a questão tenha solicitado verificar no texto a opinião do autor. Percebeu? Não foi pedida a opinião do candidato, mas a do autor do texto. Uma questão óbvia, deste modo, pode levar a um erro crasso, pela não observância da perspectiva solicitada pelo enunciado da questão. O verdadeiro tema da resposta, nesse caso, foi perdido pelo candidato.

Que conclusões tirar a esse respeito? A primeira é acabar com a impressão de que as questões discursivas são mais fáceis que as objetivas. O fato de poder apresentar a própria resposta não representa nenhuma vantagem a esse respeito. A segunda é verificar, com muita atenção, o que o enunciado da questão está realmente pedindo, que constituirá a base de sua resposta. A terceira é que as questões aparentemente mais fáceis são as mais perigosas, sendo necessário lê-las com atenção e repetir a leitura, para ter certeza do que estão realmente solicitando como resposta.

E nunca esqueça: escrita a resposta, não custa conferir, lendo atentamente, como se fosse membro da banca corretora, para ter certeza de que sua resposta corresponde perfeitamente ao que foi proposto no enunciado da questão.

Reflita bastante sobre o que foi dito. E bom discurso!

 

 

Os verbos: fontes de ideias

29 de novembro de 2017

De modo didático, os professores de português muitas vezes representam a oração como um sistema solar, com o verbo no centro e os complementos orbitando em torno. Esta imagem tem algum fundamento, pois no sistema da oração o verbo é realmente o ponto principal e em seu entorno, fortemente relacionados com ele, se alojam os complementos oracionais. Neste sentido, o próprio sujeito, que semanticamente é um dos principais elementos criadores e condutores do sentido, faz vassalagem ao verbo, principal condutor da oração.

A reflexão manifestada pelo Blogueiro no parágrafo anterior tem como objetivo alertar o estudante para a grande importância semântica do verbo, que pode, conforme o papel que venha a assumir, mudar completamente o sentido de uma oração. Note, por exemplo, o comportamento dos verbos aspirar e contar nos exemplos seguintes:

 

A menina aspirou com prazer o perfume da orquídea.

Meu filho aspira a um cargo de executivo numa empresa multinacional.

 

O caixa contou o dinheiro.

Meu pai contou uma lenda sobre o Capa-Preta.

 

Percebeu? Nos primeiros dois exemplos verifica-se a transformação do verbo aspirar de transitivo direto, com o sentido de cheirar, para transitivo indireto, com o sentido de desejar, objetivar, por meio da preposição a. Já nos dois exemplos seguintes, embora o verbo não mude de regência (em ambos os casos é transitivo direto), o sentido muda de uma frase para outra.

É esse um dos pontos que os professores têm mais dificuldade de explicar a seus alunos: em boa parte, talvez maioria, dos verbos pode haver significados diferentes com a mesma regência ou com regências diferentes.

Esse fato, embora à primeira vista pareça um complicador para suas redações ou respostas a questões discursivas, é na realidade uma fonte de riqueza expressiva: quanto maior variedade de significados de cada verbo você conhecer, maior a possibilidade de expressar-se com segurança e criatividade. Certo professor do Blogueiro dizia e repetia, em aulas, que a leitura do dicionário era uma de suas preferidas, porque aumentava seu poder verbal (ele era também jornalista que assinava artigos em jornais e revistas). Na verdade, o professor tinha muita razão: os dicionários não estão nas estantes, ou nos devedês, ou na mídia digital da internet para ser olhados de longe, são fontes permanentes de consulta e, como dizia o professor, leitura.

Observe, por exemplo, o que podemos extrair de dicionários sobre as regências e significados do verbo acusar:

 

O promotor acusou-os e pediu justiça.

O exame de sangue acusou a doença.

O delegado acusou-os do crime de lavagem de dinheiro.

Neste momento eu não acuso: apenas ouço seu depoimento.

Nenhum dos dois rapazes se acusou.

Notou como um simples e usual verbo pode acusar surpresas? No primeiro exemplo, acusar é transitivo direto (os, como você sabe, funciona como objeto direto) e significa imputar culpa. No segundo caso, o verbo continua transitivo direto, mas o significado é completamente diferente: acusar, nessa oração, significa revelar, apontar. No terceiro exemplo o verbo assume dois objetos: os, direto, e do crime de lavagem de dinheiro, indireto. Já no quarto exemplo o verbo acusar aparece como intransitivo, sem objeto, portanto, no sentido de incriminar, apontar falta. E na última oração o verbo volta a ser transitivo direto, mas com objeto direto reflexivo (o objeto representa o próprio sujeito): o significado passa a ser assumir a culpa, o erro, o crime, etc.

O Blogueiro acredita que, com os exemplos apresentados e os comentários feitos, você se interessou pelo tema e passou a valorizar mais os dicionários, não como meras fontes de informação produzidas por velhos pesquisadores, mas de aumento de conhecimentos e poder de expressão. Mãos à obra, quer dizer, aos verbos, portanto.