Repetições: virtudes ou defeitos?

31 de julho de 2018

Você já conhece o valor das repetições na poesia, não conhece? Então veja esta bela sequência do Canto VI de Os Lusíadas, de Luís de Camões:

 

No mais interno fundo das profundas

Cavernas altas, onde o mar se esconde,

Lá donde as ondas saem  furibundas,

Quando às iras do vento o mar responde,

Netuno mora (…)

Lindo exemplo, não é? Dá vontade de ficar repetindo a leitura por muito tempo, para sentir a força expressiva destes versos. Aproveite para observar este exemplo, mais recente, de nosso poeta Manuel Bandeira:

 

A onda

 

a onda anda

aonde anda

a onda?

a onda ainda

ainda onda

ainda anda

aonde?

aonde?

a onda a onda

Também muito bonita a sugestão das ondas por meio dos ecos das repetições. Os poetas, de fato, adoram repetições, porque podem criar com elas uma espécie de orquestração como base do significado que  os versos transportam.

Pois é. E já lhe falaram sobre as repetições, sobretudo de palavras, em suas redações ou respostas a questões discursivas? Provavelmente. E lhe disseram, com certeza, que em textos dissertativos não cabem esses recursos tão caros aos poetas. É bom então tomar bastante cuidado, pois o que é virtude na poesia pode ser um grande atrapalho para a avaliação de seus textos. E você não quer que uma banca de correção se atrapalhe com seus textos, não é?

Isso não quer dizer que não possa haver nenhuma repetição em suas redações, mas, se surgirem, deverão ter um peso na sua exposição e na sua argumentação. Compreendeu? Então acostume-se, na revisão de seus rascunhos, a eliminar as repetições desagradáveis, como, por exemplo, e e mas. Redações cheias de e e mas causam atrapalhos e aborrecimentos à leitura. E você tem formação suficiente para evitá-las¸ quer trocando esses conectivos por outros, quer mudando a construção das frases. Um texto cheio de mas é realmente irritante de se ler. E sempre é possível trocar, por porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.

Os perigos não param por aí. Sem nos darmos conta, costumamos repetir em demasia palavras como quando, talvez, vez, sempre, mais, ainda, demais, mesmo, apenas, apesar, embora, só, somente, entre outras. Trate então, de praticar bastante, nas revisões de seus textos, a substituição dessas palavras por outras, ou também a modificação da estrutura das frases em que surgem. Observe como é fácil, por exemplo, com quando:

 

Quando ele me agredir, vou revidar na mesma altura.

Se ele me agredir, vou revidar na mesma altura.

 

Quando ele chegar, receberá o pagamento devido.

Logo que ele chegue, receberá o pagamento devido.

Quando ele correu, comprovou que era o traidor.

Ao correr, comprovou que era o traidor.

 

Notou bem? Claro que notou. Por isso mesmo, verifique suas redações já corrigidas para observar se nelas há muitas repetições. Se houver, comece sua prática de limpeza. Seus textos ficarão muito melhores. Mãos às obras!

 

Seu pensamento x Seu discurso

19 de julho de 2018

Os professores procuraram ensinar-lhe como escrever bem, ao longo de todo o ensino fundamental e médio. Você deve, portanto, ter aprendido o suficiente para escrever redações razoáveis e respostas adequadas a questões discursivas. Eventualmente, você pode ser daqueles estudantes que se orgulham de suas redações e por isso não manifestam nenhuma preocupação a esse respeito em vestibulares. Ótimo. Todavia, sempre há algo a aprender, para tornar ainda melhor seu desempenho.

Quando falamos ou escrevemos, elaboramos mentalmente nossas frases e as expressamos. Alguns pensam até que as frases pensadas são exatamente iguais às faladas ou escritas. Não é bem isso. Na transformação de pensamento em discurso, muitas vezes, deixamos de nos guiar por um fator importantíssimo: o ouvinte, no caso da fala, ou o leitor, no caso da escrita. Esse fato conduz frequentemente a problemas de interpretação de nosso discurso. Quantas vezes alguém que conversa com você lhe pede para “explicar” o que falou? Ou lhe aponta alguma dúvida sobre o que acaba de proferir? Na comunicação oral, tudo fica mais fácil, é só explicar o que não foi entendido ou corrigir o que não conseguiu expressar direito. Na comunicação escrita, por meio de redações ou de respostas a questões discursivas, isso não é possível. A banca de correção de um vestibular ou outro tipo de concurso estará só com seu texto e o interpretará objetivamente em função do que estiver escrito.

Não está percebendo muito bem aonde o Blogueiro pretende chegar? Então examine a seguinte frase, colhida em um texto de notícia na internet:

 

A vítima frequentava o hotel onde foi encontrada morta regularmente.

 

Observou bem o problema? Uma leitura atenta nos faz entender perfeitamente a frase, mas também nos leva a perceber o deslize cometido pelo escritor: um deslocamento inoportuno de palavra, que prejudica as primeiras tentativas de interpretação do que foi dito. Um leitor bem-humorado debochará, perguntando: Quantas vezes a vítima foi morta “regularmente”? A estas alturas, você já percebeu a natureza do problema: a palavra “regularmente”, no local em que está, não infringe nenhuma regra gramatical; a frase é gramaticalmente correta e pode ser compreendida com auxílio da lógica; no entanto, em tal posição, a palavra dá margem a interpretações que não correspondem ao que realmente o escritor quis dizer. Em resumo, há um local melhor, mais adequado, para colocar o advérbio regularmente e, assim, eliminar qualquer possibilidade de interpretação equivocada:

 

A vítima frequentava regularmente o hotel onde foi encontrada morta.

 

Compreendeu o que o Blogueiro tentou explicar? Nem sempre os erros detectados em frases são de natureza gramatical. No caso exemplificado, trata-se de uma questão por assim dizer estilística: a escolha da ordem das palavras e termos mais adequada à compreensão do leitor. A ordem das palavras na frase, portanto, é algo com que precisamos sempre nos preocupar.

Exatamente por isso o Blogueiro sugeriu, no título deste artigo, uma espécie de conflito entre pensamento e expressão. Quando escrevemos, vamos elaborando do pensamento ao texto nossas frases. Isso não quer dizer necessariamente que estejam prontas para funcionar de modo adequado. Há um segundo nível de trabalho, que o escritor deve fazer lendo o que acaba de escrever, para verificar incongruências como a apontada no exemplo. E as incongruências de ordem das palavras e termos são as mais perigosas, por gerarem ambiguidades e prejudicarem o entendimento.

O Blogueiro encerra este comentário servindo-se de um exemplo deste mesmo artigo. Observe:

Você deve, portanto, ter aprendido o suficiente para escrever redações razoáveis e respostas adequadas a questões discursivas.

 

Imagine, só por um instante, que estivesse escrito:

 

Você deve, portanto, ter aprendido, para escrever redações razoáveis e respostas adequadas a questões discursivas, o suficiente.

 

Evidentemente, o leitor, num primeiro momento, estranharia um pouco a disposição dos elementos. Acabaria entendendo, por uma leitura lógica, o que teria querido expressar o Blogueiro. A frase, porém, estaria um pouco truncada com a deslocação de o suficiente para o final. Justamente por isso não foi escolhida.

Tome todo o cuidado, portanto, com a ordem das palavras e termos em suas frases. Releia o que escreveu, prevendo as dúvidas que seu leitor poderá ter. Deixe as inversões violentas de palavras para os poetas, que adoram hipérbatos e sínquises, como se pode observar até na letra do Hino Nacional, de Osório Duque-Estrada: Do que a terra, mais garrida / Teus risonhos, lindos campos têm mais flores. Ou nOs Lusíadas, de Camões: A grita se alevanta ao Céu, da gente.

Captou?

 

Essa disciplina não serve pra nada! Não, mesmo??

18 de julho de 2018

É muito comum ouvir dos estudantes manifestações como a que serve de título para este artigo: Esta disciplina não serve pra nada! Alguns dizem isso da matemática, outros, da língua portuguesa, outros, da história, outros, ainda, da filosofia, e assim por diante. Sempre existe um conteúdo que este ou aquele estudante abomina como inútil, sem serventia alguma. O Blogueiro não pensa assim. Por isso mesmo, fechou o título, ironicamente, com Não, mesmo??

Não é preciso condenar o aluno que assim se manifesta, sobretudo porque está sendo sincero em sua manifestação. É necessário, no entanto, advertir para o engano, nascido provavelmente mais de um gosto ou desgosto pessoal do que de uma análise dos conteúdos ensinados nas escolas e exigidos em vestibulares e concursos. Vamos então fazer uma análise fria dos fatos, usando como exemplos as quatro disciplinas mencionadas. Comecemos pela matemática. Matemática não serve mesmo para nada? Brincadeira. Claro que serve, e como serve! Imagine você o que deixaria de fazer sem a matemática, a começar pelas quatro operações básicas. A matemática está presente em todas as nossas atividades. Vai comprar um terreno e não sabe calcular a área. Vai fazer uma compra em prestações e nem faz ideia de como é o cálculo dos juros. Tem um carro e não sabe estabelecer o gasto de combustível. Compra e vende objetos e não consegue aferir o lucro. Isso só para falar em fatos triviais em que a matemática lhe servirá, quanto mais em outras tantas atividades bem mais complexas. Conclusão: não importa a profissão que venha a exercer no futuro; você não viverá bem sem um razoável conhecimento de matemática.

E a língua portuguesa. Ora, ora! Você já parou para pensar que a língua é o instrumento fundamental de sua comunicação com seus semelhantes, sejam seus familiares, sejam seus amigos, sejam seus colegas de trabalho. Sem um domínio regular da língua portuguesa você nem leria adequadamente, nem estudaria, pois todas as disciplinas dela se servem em seus livros, manuais, apostilas. E esse domínio implica seguir a norma padrão, que regula o modelo mais amplamente usado na escola, na mídia, nos livros. Dominar a língua portuguesa em sua norma padrão implica também colocá-lo num patamar significativo socialmente, razão por que os professores enfatizam que falar e escrever bem é um meio de ascensão social e profissional. Por isso mesmo, não menospreze o poder da língua portuguesa.

E a história? O Blogueiro já ouviu de muitos jovens que história não serve para nada, que não dá dinheiro a ninguém. Balela. Imagine-se completamente alheio à história universal e à história do Brasil. Você estaria alheio também à própria humanidade. Os conhecimentos de história fornecem ao indivíduo um gigantesco lastro de cultura. Esta disciplina faz com que nos identifiquemos com toda a humanidade em todas as épocas. Torna-nos, ao mesmo tempo, sábios e humildes na avaliação do papel que exercemos na sociedade e, assim também, nos ajuda a estabelecer objetivos na vida, em virtude da identificação com os vultos e os eventos históricos. Em um dos artigos anteriores deste Blogue, você percebeu quanto conteúdo, quanta experiência, quanto valor humano carrega uma expressão como Alea jacta est. É preciso dizer mais?

Sim, dirá alguém, mas a filosofia mesmo não tem serventia alguma. Nem sei por que devemos estudá-la. Novo equívoco. É por meio da filosofia que o ser humano busca compreender a si mesmo e a realidade que o cerca. A filosofia busca entender, por meio da reflexão e do raciocínio, expostos de forma argumentativa, as razões e os fundamentos da existência do homem e do mundo, do homem no mundo. Imagine você completamente neutro a essas dúvidas, a essas indagações, a essa busca de razões e explicações sobre a existência e a existência humana. Você seria praticamente um autômato, até capaz de realizar múltiplas tarefas, mas completamente alheio a si mesmo e ao universo. De certo modo, os filósofos nos ensinam a pensar, a duvidar, a questionar, a indagar sobre as razões de tudo o que nos cerca. É impensável, neste sentido, um estudante de curso superior ou mesmo um profissional já formado que não tenham lido pelo menos algumas páginas de Platão, de Aristóteles e de tantos filósofos do passado e contemporâneos. E ainda há quem diga que a filosofia não serve para nada!

O Blogueiro já se dá por satisfeito com as palavras acima, que são uma espécie de provocação para que você examine com cuidado todas as demais disciplinas que estuda, para verificar a grande e variada utilidade que exercem em sua formação e continuarão exercendo ao longo de sua vida pessoal e profissional. Pense bem.

 

 

Curso universitário é muito necessário?

4 de julho de 2018

Você por certo já se fez a pergunta que serve de título a este artigo. O Blogueiro, só para ilustrar, dividiu tal título em dois versos rimados de seis sílabas, chamados hexassílabos ou também heroicos quebrados, pelo fato de os poetas por vezes os usarem combinados com os decassílabos heroicos, variantes mais empregadas dos versos de dez sílabas. Pois é. Você algumas vezes deve ter pensado ou até perguntado a um colega ou professor: Afinal, é tão necessário assim fazer curso universitário? E se eu não fizer? Muita gente não faz e tem sucesso na vida do mesmo jeito.

A dúvida é perfeitamente cabível, em primeiro lugar pelo simples fato de as universidades públicas e privadas em nosso país ainda não terem vagas suficientes para acolher todos os estudantes. Em segundo, porque muitos estudantes decidem não fazer curso universitário e partem para o trabalho direto, por escolha ou por necessidade. E daí? Quer dizer que estão fracassando na vida, por não poder ou não querer ser aprovados em vestibulares e seguir um curso superior? Nada disso. O problema tem de ser analisado sob outra ótica. Evidentemente, as universidades formam profissionais de alto nível para competir no mercado de trabalho de alto nível. Não há dúvida.  As pessoas mais velhas costumam dizer aos jovens que é importantíssimo fazer curso universitário. E é. Aqueles que não fazem, seja por que motivo seja, têm de conduzir suas vidas a um mercado de trabalho diverso.

É preciso dizer, contudo, que é muito importante chegarem os estudantes pelo menos ao final do ensino médio, para que tenham uma formação razoável, que facilitará suas atividades no trabalho, qualquer que seja este. Convém, neste sentido, enfatizar que não há nenhum demérito em arranjar emprego que não requer ensino superior. Nem demérito, nem tampouco derrota. Pode ocorrer, – e muitas vezes ocorre, – que o indivíduo se dê muito bem em determinada atividade e alcance um grande sucesso, até mesmo enriquecendo. O Blogueiro pode dar um exemplo real a respeito: certo garoto, que ele conheceu, não era lá de estudar muito, quebrava o galho na escola, como se diz popularmente. Os pais, de classe média, faziam de tudo para que estudasse mais e ingressasse num curso universitário. O garoto, porém, não dava grandes sinais de convencimento. Até chegou a fazer vestibular, conseguiu vaga em um curso de administração de uma universidade pública, mas acabou desistindo no meio do primeiro ano, por achar que era muito difícil. Os amigos e parentes criticaram. Os pais ficaram muito preocupados, ainda mais porque o garoto ficou no ostracismo, no fazer nada. Depois de um ano, de repente, disse aos pais que queria ir a um país estrangeiro para trabalhar como pedreiro, porque o salário era razoável e tinha amigos que já faziam aquilo. Meio sem jeito, os pais financiaram a passagem e lá se foi o garotão. Todos os familiares diziam que iria fracassar. Trabalhou duro por quase um ano como pedreiro, depois arranjou um emprego como garçom de uma rede de restaurantes. Deu-se tão bem nesse trabalho, que acabou sendo promovido a cargos mais altos, inclusive para ministrar cursos a novatos. E do jeito que vai, parece que encontrou o que procurava e vai ter bom sucesso em suas atividades.

O Blogueiro está, com esse exemplo, querendo fazer propaganda contra o curso superior? Nada disso. Muito pelo contrário. Voltando ao título: Curso universitário é muito necessário? É, sim, é o mais indicado para os jovens. O País precisa muito de profissionais formados por universidades, para o seu desenvolvimento cada vez maior. Mas é necessário ter bom senso para compreender adequadamente que nem todas as atividades num país são de profissionais formados por universidades. E muito mais bom senso ainda para entender que o importante é o trabalho em si mesmo, seja de que nível for. Uma nação em progresso permanente é uma nação de trabalhadores, de pessoas que lutam pelos seus ideais, pelas suas famílias e, fazendo isso, lutam também pela própria coletividade. Pense nisso.

 

 

Você sabe mesmo ler?

22 de junho de 2018

Você pode até pensar que esta é uma pergunta um tanto irônica que lhe faz o Blogueiro. Não é. É séria. Considere-a um alerta para pequenos problemas que você pode ter ao fazer suas provas. É claro que você aprendeu a ler e escrever há muito tempo, como todos os que prestam exames vestibulares. Mas também é claro que pode ter adquirido certos vícios de leitura que costumam ser muito prejudiciais. Um deles é a projeção, vale dizer, a impressão de que uma palavra ou expressão está escrita no texto, quando se trata apenas de um engano de leitura. Muitas vezes, ao lermos, contentamo-nos com a primeira ou as primeiras sílabas de uma palavra deixando que nossa imaginação complete o resto. Erradamente. Somos até capazes de jurar que a palavra estava escrita, quando, de fato, não estava. Por exemplo, no texto aparece a palavra eloquência e nós lemos enlouquecia. Terrível engano, não é? Pode inutilizar uma resposta inteira, em prova discursiva, ou levar a entender erradamente o enunciado de uma prova objetiva. O Blogueiro lembra de uma prova de redação anulada, porque o candidato cometeu esse tipo de erro, que alterou completamente o tema proposto. Outro exemplo: no texto está escrito dispersadas e nós lemos dispensadas. E assim outros tantos enganos que podem nos levar a erros graves de interpretação de questões.

Além de lapsos de leitura como os acima comentados, podemos cometer outros, principalmente quando as questões são baseadas em textos. Nestes casos, é imprescindível a leitura atenta dos textos e a comparação dos enunciados das questões com as passagens correspondentes desses textos. Essa comparação atenta é fundamental para atingir a resposta adequada. Qualquer distração, tanto na leitura dos textos, quanto na dos enunciados pode nos conduzir a uma interpretação completamente equivocada. Os enunciados, de fato, contêm pistas sobre a resposta adequada, e é em busca dessas pistas que podemos fazer o caminho correto. Não esqueça, portanto, de que há uma estreita associação entre textos e enunciados.

Nas provas objetivas, as bancas costumam explorar essa associação, criando alternativas muito parecidas, das quais apenas uma é a correta. Por isso, é preciso comparar com todo o cuidado essas alternativas com o que dizem os textos. Por vezes uma só palavra não correspondente basta para nos conduzir a escolher a alternativa incorreta.

Compreendeu? Não devemos ter pressa na leitura dos textos e dos enunciados. Com atenção e cuidado, acabamos descobrindo o real objetivo da pergunta. Você pode até desenvolver uma técnica pessoal para fazer essa leitura. Pense nisso.

 

Alea jacta est? Nem tanto!

21 de junho de 2018

Se você gosta de empregar expressões e frases latinas, por certo conhece a que serve de título a este artigo: Alea jacta est. E é claro que sabe também a tradução: os dados estão lançados, ou, traduzindo a metáfora, a sorte está lançada. Consta que esta frase foi empregada por Júlio César, ao atravessar o rio Rubicão, que marcava a fronteira entre a Gália Cisalpina, em que estavam as legiões de César, e o território da Itália, sede do poder do império. Atravessar este rio com soldados em direção a Roma, segundo as leis da época, equivalia a desafiar o poder constituído. E Júlio César estava justamente com essa intenção. Com a frase mencionada, portanto, e o ato da travessia, César colocava, de modo prático e também simbólico, seu desafio. O grande general romano, de acordo com a História, acabou conquistando o poder, escudado em suas legiões. Alea jacta est, portanto, tinha este significado para César: meu destino é desafiar o império e conquistá-lo.

Os candidatos que, como você, conhecem esta frase e o que ela simboliza costumam empregá-la tão logo terminam de prestar seus exames: “Bom, fiz o que podia, alea jacta est”. Na verdade, porém, este emprego não é lá muito adequado, já porque o vestibular não é, propriamente, um desafio, já porque o candidato não vê a universidade como um inimigo a conquistar, já porque um vestibular não é uma guerra, mas uma tentativa de comprovação de competência para obter uma vaga no curso escolhido.

A universidade, neste sentido, não é um alvo a ser abatido e conquistado, mas, simplesmente, mais um degrau a ser galgado na vida do estudante. Não é o poder a derrotar, mas um lugar de acolhida, de recepção e preparação para atuar num campo profissional, talvez até pelo resto de sua vida. Não se trata, por isso, nem de sorte, nem de acaso, mas de comprovação de competência para ser recebido (observe o parentesco entre prova e comprovar).

Por que o Blogueiro está fazendo este comentário todo? Em primeiro lugar, para deixar você mais tranquilo com relação a seus exames: não há nada de sobrenatural neles, são meros exames. Em segundo lugar, para alertá-lo sobre o emprego de locuções, expressões e frases latinas. Fica bonitinho, de fato, usá-las em nossos textos, parece que demonstram intelectualidade, grande conhecimento. Parece, mas não necessariamente. O latim, língua da qual descende o português, não mais faz parte do currículo dos ensinos fundamental e médio, o que é uma lástima. Alguns professores, para enfatizar o parentesco, afirmam que o português é o latim do século XXI (assim como o francês, o espanhol, o italiano, o romeno, todas estas línguas resultantes da modificação do latim nas respectivas regiões). Ora, não sendo mais lecionado no ensino básico, nossos estudantes só têm acesso a ele por meio de dicionários especializados ou pela verificação do uso em textos de jornais, revistas e outros. Apenas quem estuda Letras ou Direito recebe hoje algum ensino de latim.

Deste modo, se você gosta de entender e empregar expressões latinas, deve tomar muito cuidado para fazê-lo adequadamente, sem possibilidade de uso equivocado, que só poderá atrapalhar ou até atravancar seu texto. É bom, por isso, estudar com atenção a escrita correta, o significado e a procedência do emprego dessas expressões. Deste modo, poderá enriquecer seu texto com, por exemplo, mutatis mutandis (= mudando o que deve ser mudado), Amicus Plato, sed magis amica  veritas (=Platão é amigo, porém mais amiga é a verdade; Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade), a priori (= antecipadamente, antes de argumentar, sem anterior conhecimento), ad libitum (= à escolha, à vontade), ad litteram (= à letra, ao pé da letra, literalmente, conforme o texto), habeas corpus (= que tenhas o corpo), in totum (= por inteiro, inteiramente, no todo, abrangendo tudo), etc., etc.

Percebeu? É interessante, para seu texto, empregar locuções, expressões, frases latinas, como também provérbios? Pode até ser. Mas é preciso fazê-lo com o máximo possível de conhecimento sobre os significados e sobre a pertinência desse emprego no contexto de sua redação. E bem assim o mesmo com relação a outros idiomas.

No momento de lançar os dados, portanto, mesmo sem ser um César, verifique se os utiliza do modo mais adequado possível para obter os pontos necessários. Caso contrário, é melhor não arriscar, fique apenas com o português.

 

Vestibulares, “desconfiômetro” e “adivinhômetro”

7 de junho de 2018

O Blogueiro está iniciando este artigo com a criação de um neologismo, isto é, de uma palavra não existente no vocabulário da língua portuguesa. E faz isso baseado em outras criações que não são dele, como, por exemplo, desconfiômetro, que já é relativamente frequente, pelo menos no português oral brasileiro, a ponto de estar contemplado no Dicionário Aurélio. Quando dizemos Fulano não tem desconfiômetro, queremos significar que Fulano não é capaz de avaliar devidamente algo de errado, inoportuno, inconveniente ou até desastrado que fez ou que disse. É como se algumas pessoas não tivessem um dispositivo mental para evitar enganos ou tropeços. O povo, com sua eterna capacidade de debochar, acaba dizendo que, nesses casos, Fulano não tomou semancol, vale dizer, não foi capaz de perceber sua inconveniência. Semancol, metaforicamente, seria um remédio para evitar o problema. No Aurélio, “mancar-se” tem entre suas acepções justamente a de perceber que foi inoportuno, inconveniente.

Pois é. Então o que o Blogueiro quer dizer com adivinhômetro? Não é difícil de entender. É como se houvesse um aparelhinho capaz de fazer adivinhações. Por que o Blogueiro se deu ao trabalho de criar esse neologismo referido a vestibulares? Só por brincadeira? Nada disso. Para chamar atenção sobre tentativas de adivinhar questões que poderão cair neste ou naquele vestibular. Alguns sites costumam tentar prever questões que podem surgir nos vestibulares de uma universidade, simplesmente abordando os últimos exames. Baseados na frequência de questões sobre determinados assuntos, tentam apresentar aos estudantes dicas a respeito. Isso é feito até para vestibulares da Unesp.

São úteis tais previsões? Podem ser, não resta dúvida. Todavia, não podem ser considerados uma panaceia, vale dizer, um aconselhamento que renda 100% de acertos. Panaceia tem entre seus sentidos o de remédio para todos os males. Isso não existe, nem mesmo para vestibulares. Não deixa de ser útil saber quais temas foram abordados nas propostas de redações nos últimos exames desta ou daquela universidade, ou quais conteúdos mais fornecem questões em cada disciplina. Útil, neste caso, não significa certeza absoluta. Pode significar até o oposto. As bancas elaboradoras de vestibulares das universidades públicas são formadas por profissionais com toda a competência para variar os conteúdos de vestibular a vestibular. Se você acreditar demais nas previsões, poderá, como costuma dizer o povo, até cair do cavalo, pois, muitas vezes, o que é esperado não se confirma e o que não é esperado aparece. As bancas sabem exatamente o que perguntar para avaliar a capacidade e o preparo dos candidatos.

O método fundamental só pode ser, portanto, procurar abranger todos os conteúdos em sua preparação para as provas. Informações complementares, ao longo dessa preparação, serão bem-vindas, mas não a ponto de se tornarem o principal objetivo dos estudos. Estudar só o que é possível cair nas provas é acreditar em milagres. O melhor e mais seguro para você é acreditar na extensão de seus estudos e na sua competência para encarar questões inesperadas. No caso da redação, por exemplo, de nada vale conhecer antecipadamente o tema, se o candidato não escreve adequadamente. É melhor aperfeiçoar sua capacidade de redigir do que ficar tentando adivinhar o tema.

Valeu? Então tenha desconfiômetro suficiente para não acreditar demais em adivinhômetros. Até hoje, ao que o Blogueiro saiba, não nasceu nenhum vidente capaz de antecipar todas as questões dos vestibulares, bem como o tema da redação. Tome Semancol.

 

Sinônimos, devo usá-los?

5 de junho de 2018

Desde os primeiros anos do ensino básico nossos professores nos ensinaram a empregar sinônimos. Fizemos exercícios e exercícios com eles, sem saber exatamente para quê.  Linguistas, hoje, porém, costumam nos dizer que sinônimos não existem, que aqueles vocábulos que consideramos como tais na verdade não têm exatamente o mesmo sentido. Deste modo, a existência de sinônimos seria uma espécie de ilusão: julgamos que certos vocábulos têm o mesmo significado, mas, de fato, não têm.

É claro que os linguistas estão certos. É muito fácil, até, demonstrar que os vocábulos considerados sinônimos na realidade são apenas parecidos em maior ou menor grau pelos significados. E daí? Quer dizer então que nossos professores e os estudiosos antigos estavam errados? Ensinaram errado? A verdade não é bem essa. O fato de vocábulos considerados sinônimos não terem o mesmo sentido apenas significa que palavras diferentes não têm sentido igual. Não igual, porém, neste caso, não quer dizer absolutamente diferente. Bonito, lindo, belo, realmente não apresentam o mesmo significado, mas estão semanticamente muito próximos, a ponto de, em determinados casos, poderem ser trocados, sem que haja diferença muito relevante para o conteúdo da frase em que se inserem. Podemos dizer, por exemplo, frases como Bonita moça! ou Linda moça! ou Bela moça, com os vocábulos bonita, linda, bela muito próximos pelo sentido. Já não seria a mesma coisa em frases como Maravilhosa moça! em que a ideia ainda é de “beleza”, embora o significado represente um grau maior dessa beleza do que em bela, linda ou bonita. São diferenças como essa que se devem perceber em séries de vocábulos como bonita, linda, bela, formosa, pulcra, maravilhosa, encantadora.

Se você entendeu bem os comentários acima, deve ter percebido que os manuais escolares de língua portuguesa, quando solicitam mudar uma palavra por seu sinônimo, estão somente solicitando a troca de uma palavra por outra que tenha o significado mais próximo possível. Um exercício, por exemplo, para substituir casa por um sinônimo vai revelar toda uma série de vocábulos: casa, residência, morada, domicílio, lar, moradia, habitação. Apesar das diferenças relevantes de significados desses vocábulos, sempre é possível encontrar contextos onde possam substituir-se sem grande prejuízo para o significado global da frase. Ao contrário, muitas vezes, a troca de uma palavra por outra pode fazer bem à frase.

Agora você mesmo pode responder à questão formulada como título, dizendo que é lícito, sim, empregar sinônimos, desde que ciente dos fatos acima comentados. E que o emprego de sinônimos contribui bastante para o enriquecimento de seu vocabulário, além fazer com que você desenvolva um discurso cada vez mais variado e expressivo. Numa revisão do rascunho de sua redação experimente trocar algumas palavras por seus sinônimos. Pode ser extremamente vantajoso para o texto. Faça disso um modo de tornar mais eficiente sua expressão e argumentação.

Que concluir de todos estes comentários? Simples. Sinônimos existem, sim, não pela igualdade de sentido, mas pela semelhança e possibilidade de trocas  com maior ou menor dose de efeitos. Use e abuse.

 

Você não pode escrever isso!

22 de maio de 2018

Ultrapassada a primeira fase, com méritos, diga-se de passagem, agora você tem de enfrentar a segunda, que lhe dará a classificação para a vaga pretendida.

Se as primeiras provas se resumiram a ler perguntas e marcar respostas, as que vêm agora vão solicitar bem mais: ler e responder com seu próprio discurso. Uma pessoa do povo diria, neste caso, agora é que a porca torce o rabo. É uma metáfora que espelha a pura verdade. Ao usar seu discurso nas respostas e na redação, as possibilidades de erro aumentam bastante, não apenas em encontrar as soluções adequadas, mas também, particularmente, no que se refere a seu domínio do idioma, que estará em julgamento. O problema se agrava pelo fato de, embora aparentemente independentes, esses dois aspectos poderem interferir em seu discurso, propiciando erros inesperados.

Em alguns eventos a que o Blogueiro assistiu neste ano, deparou-se com escorregões de discurso lamentáveis. Apesar de flagrados no discurso oral de debatedores e entrevistados, tais deslizes podem passar para o texto escrito, e justamente nele causam perturbações que as bancas de correção detectam e punem com descontos de nota. Você deve, por isso, precaver-se. Vamos examinar alguns desses infelizes deslizes (a rima vem bem a propósito para alertá-lo).

O verbo ser tem no modo subjuntivo a forma seja (seja, sejas, seja, sejamos, sejais, sejam). Muita gente boa, porém, no discurso oral, carrega o vício de dizer seje, como por exemplo em: Espero que ele seje mais disciplinado. Esse erro está grassando como epidemia, hoje, em entrevistas e debates. Passa quase despercebido. Mas não passará despercebido numa entrevista para obtenção de emprego, e muito menos em respostas discursivas e redações de concursos em geral e de vestibulares. Tome cuidado e escreva sempre: Espero que ele seja mais disciplinado.

Problema semelhante ocorre com o subjuntivo de querer: queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram. Não é raro ouvirmos pessoas na mídia dizerem: Não acho que ele quera fazer isso. Horrível na oralidade, esse cochilo torna-se ainda pior no discurso escrito. Cuidado, pois. E assim também com o verbo deixar, que não se deve pronunciar dexar. O presente do indicativo desse verbo é deixo, deixa, deixas, deixamos, deixais, deixam. E o subjuntivo: deixe, deixes, deixe, deixemos, deixeis, deixem. Portanto, nada de dizer eu dexo, que eu dexe. E muito menos escrever.

Mais comum que o anterior é a forma errada aleja usada em lugar da correta aleija. E mais comum ainda a forma verbal robo em vez de roubo. Note que o verbo é roubar, que no presente do modo indicativo é roubo, roubas, rouba, roubamos, roubais, roubam. No modo subjuntivo é roube, roubes, roube, roubemos, roubeis, roubem. Os professores, desde o ensino fundamental, lutam com toda a sua força argumentativa para evitar que os alunos digam Eu robo. Espero que ele não me robe. Apesar disso, alguns estudantes teimam em pronunciar erradamente e correm o sério risco de transportar tal erro para o discurso escrito.

Assim também é muito comum na oralidade pronunciar, equivocadamente, popar, popo, popança, em vez das formas corretas poupar, poupo, poupança. Não esqueça que o presente do modo indicativo de poupar é poupo, poupas, poupa, poupamos, poupais, poupam. E no subjuntivo: poupe, poupes, poupe, poupemos, poupeis, poupem.

Os exemplos desses escorregões verbais são numerosos e encheriam algumas páginas. Por isso, o Blogueiro vai acrescentar apenas outros três. Primeiro: cuidado com o verbo agourar. Não é agorar. No presente do modo indicativo devemos dizer agouro, agouras, agoura, agouramos, agourais, agouram. E no subjuntivo: agoure, agoures, agoure, agouremos, agoureis, agourem. Segundo: o verbo medir se conjuga, no presente do modo indicativo: meço, medes, mede, medimos, medis, medem. E no presente do subjuntivo: meça, meças, meça, meçamos, meçais, meçam. Não vá falar, como muita gente, nem tampouco escrever: eu mido. Horrível, não é?

E como somos o país do futebol, não podia faltar um último exemplo de uso na linguagem desse esporte. É comum ouvirmos eu treno, que ele trene, quando deveria o falante dizer: eu treino, que ele treine, pois o presente do indicativo de treinar é treino, treinas, treina, treinamos, treinais, treinam. E o presente do subjuntivo: treine, treines, treine, treinemos, treineis, treinem.

É isso aí. Não queira menosprezar essas possibilidades de erro, dizendo que sabe de tudo. O Blogueiro não agoura, apenas alerta para que você meça bem as consequências desses erros crassos. Não poupe esforços para evitá-los, consultando sempre gramáticas e dicionários, nem deixe que distrações desse tipo roubem sua nota. Treine bastante para não cometer lapsos de conjugação como os apontados neste artigo. Não vai querer perder pontinhos preciosos em sua média final, não é? E seja feliz em suas provas.

 

 

A hora das objetivas

9 de maio de 2018

Com a chegada da primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, todas as atenções dos candidatos estão voltadas para o melhor modo de enfrentar as diversas questões, ditas objetivas pelo fato de o estudante ter de marcar respostas previamente apresentadas pela banca elaboradora, sem haver necessidade, portanto, de intervenção estritamente pessoal do candidato, como ocorre com as questões ditas discursivas. Já se parte do princípio de que uma das respostas é a correta e se torna necessário apenas reconhecê-la e marcá-la como tal.

Evidentemente, as questões objetivas não deixam de focalizar aspectos relevantes da subjetividade do candidato, pois é isto, afinal, que está em jogo no processo de análise e escolha das respostas corretas, bem como da avaliação: o grau de conhecimento, a capacidade de análise e de síntese, a capacidade de atenção e até uma certa malícia ao examinar o que se pede na raiz e o que se oferece nas alternativas.

As questões objetivas, deste modo, implicam um tipo específico de abordagem pelo candidato, o que significa uma forma de leitura diferenciada, na qual a atenção é altamente relevante. Ler uma questão objetiva requer o máximo possível de cuidados. Um ligeiro cochilo de leitura pode levar a um lamentável engano. Vale dizer: para questões objetivas, leitura objetiva.

Como o Blogueiro já disse mais de uma vez, uma questão objetiva se apresenta em duas partes perfeitamente entrosadas: um enunciado, também chamado raiz, e um conjunto de respostas possíveis, uma das quais, e apenas uma, é a correta, por entrar em perfeito acordo de forma e significado com a raiz. É esse acordo entre forma e significado que deve ter o candidato em mente ao analisar e responder. Além da correspondência de sentido, a resposta correta apresenta acordo perfeito, sob o ponto de vista sintático, com a raiz. Esta é a melhor pista, sobretudo no caso de discernir, entre duas respostas que parecem corretas, a absolutamente correta. Por isso mesmo, você deve tomar cuidado em não se deixar levar pela aparência de correção, mas pela relação objetiva entre a alternativa e a raiz. Resumindo, de modo um tanto irônico: uma alternativa poder ser até bonitinha, mas, como diz o povo, beleza não põe mesa, isto é, convém observar com precaução a correspondência formal e semântica entre alternativa e raiz para chegar a uma conclusão adequada.

Percebeu? O papel da banca elaboradora é formular cinco respostas (alternativas), sendo quatro erradas e uma certa. Mas não se trata apenas de apresentar uma resposta perfeita e outras cheias de imperfeições para o candidato descobrir com facilidade. Há toda uma técnica de elaboração de questões que permite criar respostas muito parecidas, muito próximas, o que dificulta o trabalho do candidato no processo de “descoberta” da resposta adequada. Já o papel do candidato se situa no sentido inverso: identificar, com base na relação entre raiz e alternativas, qual a que realmente se encaixa.  Esses dois papéis é que sustentam o processo: o trabalho do candidato em analisar e descobrir é o foco da avaliação, pois demonstrará não apenas seu conhecimento, como também sua capacidade em usar esse conhecimento para resolver problemas concretos.

Boa prova!