Essa síndrome do oblíquo indevido!!

February 19th, 2018

Você é influenciável? Não? Claro que é. Todos somos. O ambiente nos leva a assumir atitudes que não tomaríamos, se tivéssemos um pouco mais de cuidado.

Epa! Parece que o Blogueiro está tentando dar uma de psicólogo! Nada disso, ainda estamos falando de vestibular e de como evitar certos vícios maliciosos transmitidos pela tecnologia, por meio da internet e de tudo que ela veicula, sobretudo textos.

A rede é, de fato, um ambiente em que mergulhamos muitas vezes por dia, por meio de computadores, laptops, tablets, celulares. É claro que esse ambiente, de uma forma ou de outra, nos influencia. Um exemplo: os discursos escritos que antes nos vinham somente pelos livros, e os falados que recebíamos pelo rádio e televisões agora nos vêm pela web. Livros, revistas, jornais em papel estão com seus dias contados, porque a rede vai assumindo todas as funções de comunicação, todos os discursos.

Afinal, dirá você, nem precisa falar. Eu já sei de tudo isso!

Pois é. E o Blogueiro vem constantemente alertando para o fato de que, se em livros, revistas e jornais em papel os revisores executavam um ótimo trabalho, tornando por vezes quase inexistentes os erros, na internet esse cuidado parece não ser lá muito grande. Há textos e textos praticamente sem revisão nenhuma, povoados de deslizes gramaticais e gralhas ortográficas. Nesse ambiente, se você não tomar todas as cautelas, poderá ser influenciado e levado a assumir soluções muito erradas como se fossem do perfeito estilo de um Rui Barbosa. Lamentável ilusão.

Chegamos ao ponto visado pelo Blogueiro para o artigo de hoje, que denominamos sindrome do oblíquo indevido. Trata-se da questão dos pronomes oblíquos átonos o (os, a, as).  Esses pronomes podem apresentar variações, conforme a terminação do verbo: lo, la, los, las, no, na, nos, nas. Como você sabe, tais pronomes funcionam na oração como objetos diretos, por exemplo: Entreguei o aviso (o aviso é objeto direto). Se substituirmos o objeto direto “o aviso” pelo pronome oblíquo correspondente, teremos: Entreguei-o. Este “o”, por estar substituindo um objeto direto, exerce a mesma função do substituído. Suponha agora: Entreguei o aviso ao secretário. Temos nessa oração um objeto direto (o aviso) e um objeto indireto (ao secretário). Analise, então, este exemplo: Entreguei-lhe o aviso. O lhe substitui ao secretário como objeto indireto. Lhe, lhes funcionam na oração como objetos indiretos. Seria um erro grave, portanto, escrever Entreguei-o o aviso. Por quê? Porque você estaria colocando um objeto direto em lugar de um indireto. Percebeu? No entanto, abundam nos textos da internet passagens como a seguinte, que apareceu nesta semana numa notícia: “O garoto com olhar de pesquisador ainda não foi localizado. Mas, certamente, a ciência tem muito a agradecê-lo.”

Horrível, não é? O jornalista devia ter escrito agradecer-lhe, porque se trata de objeto indireto: agradecer a ele, agradecer ao menino, agradecer-lhe. Vamos dizer que foi um cochilo devido à pressa do autor, que não erraria se relesse o que escreveu. Então houve falha do revisor, que não poderia ter deixado passar esse equívoco. Revisor não pode ter pressa.

Não há um só dia em que o Blogueiro não encontre um ou até mais exemplos dessa síndrome do oblíquo indevido, especialmente com o verbo agradecer.

Por isso, muito cuidado para não tomar os textos da internet como modelos de correção. E faça uma boa revisão do emprego dos pronomes oblíquos átonos para evitar essas escorregadelas de regência tanto em suas respostas discursivas, quanto na redação. Nas respostas a questões discursivas, esse erro pode até mudar o sentido da frase, invalidando seu acerto. E na redação fatalmente haverá desconto de nota. Você não quer nada disso, não é?

Evite, portanto, a síndrome do oblíquo indevido. E procure anular em seu discurso esse verdadeiro batalhão de erros que o ataca todos os dias na rede.

 

Errinhos “bobos”. Cuidado com eles!

February 8th, 2018

Em sua preparação para os exames de meio e final de ano, novamente o Blogueiro recomenda todo o cuidado com os errinhos “bobos”, causados por distração ou por desconhecimento. O primeiro conselho é prestar muita atenção, seja qual for a matéria, nos nomes próprios ou nos da terminologia da disciplina. O Blogueiro já constatou em prova de Biologia, por exemplo, casos como o da troca de gene por gente em resposta discursiva de candidato. Observe que a distração de escrever um t indevido modifica completamente a palavra e pode com toda a probabilidade tornar a resposta errada.

Outro exemplo, em prova de língua portuguesa, diz respeito a falhas de concordância causadas por desatenção. Você sabe, com toda a certeza, como fazer a concordância numa frase como: Os brasileiros devem estar preparados para uma nova alta de preços. “Devem”, nessa frase, corresponde, no plural, a “brasileiros”. Nada mais claro. Numa notícia publicada em jornal na internet, nesta semana, havia uma frase como Os brasileiros, para que não percam dinheiro desnecessariamente, deve estar preparados para uma nova alta de preços, em que notamos um “problemão” de concordância. É claro que quem escreveu a frase sabe que a forma verbal tem de ser “devem”, para corresponder ao sujeito “Os brasileiros”. Por pura distração, talvez pelo distanciamento entre o sujeito e o verbo, o pobre do “m” acabou sendo esquecido. No jornal, todos dirão que se trata de um erro do revisor. Se esse descuido for de um candidato numa redação de vestibular,  a banca de correção não vai discutir, mas assinalar o fato. Não é seu papel justificar distrações dos candidatos, mas apontar erros e fazer o desconto de nota correspondente. O problema é que um desconto de nota, mesmo “pequenininho”, pode significar a perda de uma vaga.

Em certo vestibular de anos anteriores, um candidato escreveu Dom Jovi, quando estava escrito Tom Jobim. Como a questão envolvia música e letra, o lapso cometido não prejudicou a nota. E se ocorresse troca semelhante em História? Em Geografia? Como diz o povo, aí é que a porca torce rabo! A troca de um nome próprio nessa ou em outras disciplinas poderia comprometer completamente a resposta.

Por isso, todo cuidado é pouco, inclusive nas questões objetivas. É preciso ler com muita atenção o enunciado de cada questão, porque um equívoco de leitura faz você marcar uma alternativa inadequada. Comparar a alternativa com o enunciado, uma, duas ou três vezes, é fundamental para evitar enganos de leitura.

Percebeu bem? Antes de ler e interpretar cada questão ou proposta de redação, é imprescindível ter certeza de que você fez a leitura perfeita de cada palavra ou expressão, bem como do sentido do enunciado como um todo. A mesma atenção deve ser aplicada no caso das respostas discursivas ou até mesmo nas alternativas escolhidas como corretas.

Pois é. Errinhos bobos podem não ser tão bobos assim para a sua nota final.  

 

 

Simule, simule, simule!

February 5th, 2018

O Blogueiro tem certeza de que você, que vai fazer o vestibular no ano em curso, continua montando seu projeto de estudo para os exames que fará no meio e no final do ano. Entre os pontos desse projeto, o Blogueiro recomenda especial atenção aos simulados.

É claro que no terceiro ano do ensino médio e nos cursos preparatórios, volta e meia você tem de enfrentar um desses simulados, mas o conselho aqui é um pouco diferente. Com a chegada da internet, que é um instrumento poderoso de comunicação, você não depende mais dos simulados que o colégio lhe oferece, mas tem a sua disposição também os próprios exames vestibulares de anos anteriores publicados pelas universidades, resolvidos e comentados pelos sites das escolas e por blogues independentes.

Evidentemente, tudo o que precisa para estudar e aprender se encontra hoje na rede, dependendo apenas de você aproveitar da melhor forma possível. Há sites que ensinam matemática, física, biologia, língua portuguesa, etc., etc. Não cabe mais, portanto, a desculpa de dizer que em seu curso não foi ensinado isto ou aquilo, desta ou daquela disciplina. Tudo está na rede. É só buscar com atenção. Você tem, hoje, em virtude da tecnologia, um privilégio que os vestibulandos de décadas anteriores à internet jamais sonhariam ter. Nos velhos tempos, eram apenas apostilas, livros e anotações de aula. E os professores nem sempre podiam repetir as aulas perdidas por este ou aquele estudante.

Este é o caso exato do estudo com base na simulação. As provas das diferentes universidades podem ser acessadas facilmente pela web. Seu problema, portanto, não é a inexistência de fontes de estudo, mas o que fará com elas. Aqui entra o conselho do Blogueiro: resolver as questões de exames anteriores de diferentes universidades é uma das formas de estudar para os vestibulares. Você pode e deve dedicar um período diário para fazer, por si mesmo, essas simulações, em primeiro lugar para acostumar-se a fazer os exames; em segundo, para detectar suas necessidades de estudo em cada uma das diferentes disciplinas. Outro aspecto que pode ser colocado se traduz no fato de que, algumas vezes, questões aplicadas em vestibulares atuais são muito parecidas com as de vestibulares anteriores.

Observou, deste modo, a vantagem de dedicar atenção a provas de vestibulares anteriores? Mãos à obra, portanto. Torne a resolução de exames anteriores um instrumento para preencher as lacunas de sua preparação, além do fato de levá-lo a sentir como um ato absolutamente normal a realização de provas. Com isso, além de aprender muito, eliminará as tensões e o nervosismo diante das situações reais que terá de enfrentar. É o que recomenda o Blogueiro: Simule, simule, simule. E mande ver.

 

“Veja-se” em suas redações

January 24th, 2018

Você recebe muita orientação e dicas sobre como fazer suas redações, não recebe? Nem sempre, porém, aqueles que o aconselham têm consciência de que estão deixando de lado talvez a mais importante sugestão: é você que escreve, é você que interpreta a proposta, é você, enfim, que receberá ou não a nota adequada.

Parece óbvio dizer isso, não parece? Sim, mas não é. Isso é muito importante. Você escreve, você é o autor. E não é o autor apenas na prova do vestibular, mas o tempo todo em que escreve qualquer texto. Em termos de preparação, é um ponto fundamental: ao se preparar para a prova de redação, ao fazer suas simulações, as escolhas são suas, a estrutura do texto é a que você estabelece, a opinião é a que você defende ou assume.

O Blogueiro já disse que  você deve preparar-se fazendo pelo menos duas redações por semana até o vestibular. E nessas redações deve sempre ter em mente que as palavras, as ideias, os argumentos, a conclusão representam você mesmo. Se compreender bem esse fato, perceberá que não deve apenas projetar, mas projetar-se em cada redação que escrever como exercício. Dito de outro modo: cada redação que escreve é um retrato do que você é.

Talvez por isso  não seja tarefa muito fácil aprender a escrever. Mas também talvez por isso, depois de aprender, se torne tarefa fácil dominar o texto que escreve. Por esta razão o Blogueiro sugere que você se veja em seu texto desde o próprio título que escolhe.

Então comece suas reflexões e seu treinamento pelo começo, vale dizer, pelo título. Muitos candidatos, na prova de redação, nem título colocam, iniciando diretamente o texto. Veem a prova como um mal necessário de que é preciso livrar-se o mais rápido possível. Deixam  de perceber, com isso, que o título é uma espécie de coroamento antecipado de um texto, uma espécie de síntese. Lembra de ter lido Iracema, de José de Alencar? O nome da personagem, dado como título, revela que o livro está inteiramente centrado na protagonista. Lembra de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis? O título antecipa e sintetiza o próprio desenvolvimento da narrativa e a condição em que a personagem narra.

Sua redação não é diferente, precisa ter um título que esteja em harmonia com o corpo do texto, com a opinião manifestada neste. E aqui chegamos ao ponto mais importante, em termos de preparação: procure fazer todo tipo de experimentação, em seus textos, para que sua opinião transpareça com o máximo de clareza. Um bom exercício será o de ler editoriais de jornais e artigos assinados, experimentando fazer uma redação em que concorde com o argumento do autor; e outra em que discorde desse argumento. Com exercícios como este, você desenvolverá uma técnica própria de argumentar, muito semelhante à empregada por advogados e políticos, e não menos semelhante à que empregava Sócrates, nos diálogos de Platão. A este respeito, não lhe faria nada mal ler alguns diálogos de Platão, para se tornar mais capaz ainda de argumentar e contra-argumentar, de sentir que o que escreve é uma representação exata do que pensa e sente.

Assim, quando tiver certeza de que é capaz, o tempo todo, de ver-se em seu texto, você estará pronto para enfrentar sem qualquer susto as propostas de redação dos vestibulares.

 

Um bom plano para uma boa chegada

January 18th, 2018

No artigo anterior, o Blogueiro dirigiu-se a você, que neste ano fará seu primeiro e — Queira Deus! — único vestibular. É claro que o ensino fundamental e o ensino médio já constituem, em seu todo, uma preparação para isso, mas agora que está às portas dos exames vale a pena fazer uma análise do que pode e do que precisa fazer para que a experiência do vestibular seja, realmente, única, em todos os sentidos que pode carregar esta palavra. A última volta é a mais importante e, por assim dizer, a mais perigosa em uma corrida.

A contribuição que o Blogue pode dar a você nesta reta de chegada corresponde à pergunta que se faz todos os dias: como chegar lá? A melhor resposta é simples: com um bom plano. Você descobrirá, ao longo de sua vida, que mesmo as tarefas mais simples implicam uma programação para ser alizadas. A simples ida a um supermercado precisa de um plano, que contém elementos como que comprar, a que hora sair, qual o trajeto mais adequado, quanto gastar, com quem ir ou ir só, como ir, como voltar. É claro que nem nos damos conta disso, tão acostumados que estamos a tarefas como essa. Planejar torna-se, assim, algo quase automático, porque relativamente simples. Quando se trata de vestibular, porém, o processo acaba sendo um pouco mais complicado, mas tem de ser feito, sob pena de tornar suas ações confusas e contraproducentes. Compare a preparação para vestibular com a travessia de uma floresta. Ninguém vai simplesmente entrando e caminhando, sob risco de se perder, machucar-se, passar muitas dificuldades e, ao fim e ao cabo, não conseguir atravessar. Não será muito diferente com a travessia do período de preparação para vestibular.

Evidentemente, seu plano deve começar levando em consideração uma espécie de autoanálise. Em quais disciplinas costuma dar-se melhor? quais as maiores dificuldades que tem nas outras? qual seu tempo disponível para os estudos? etc., etc.  Procure neutralizar, neste ponto, sua preferência por esta ou aquela disciplina. Pense apenas que, se gosta de uma disciplina e sempre vai bem, está com uma possibilidade aberta para estudar mais as outras. Tirar mais nota numa disciplina de que gosta para compensar o que tira de menos numa disciplina de que não gosta é puro folclore, não acredite nisso.

Assim sendo, eis algumas sugestões para você formular seu plano:

1) redação: fazer uma por semana, inclusive sobre temas polêmicos;

2) atualidades (muito usadas hoje como temas de redação e também para a formulação de problemas de ciências físicas e biológicas, conhecimentos gerais, etc.): assistir a telejornais, ler jornais e revistas, principalmente editoriais e artigos sobre ciência;

3) disciplinas problemáticas: dedicar-se ao estudo das disciplinas em que costuma não se sair muito bem, tentando detectar as razões para isso e buscando soluções via rede ou mesmo com colegas mais experientes e professores;

4) disciplinas de que gosta: consolidar os conhecimentos que já possui e procurar resolver um ou outro ponto fraco que detectou em seu trajeto no ensino médio;

5) dedicação: não exagerar no esforço de estudo, pois isso pode ser prejudicial, levando-o a uma estafa; é melhor dosar as horas diárias de estudo de acordo com sua capacidade de suportar os esforços; horas semanais de lazer são também necessárias para mantê-lo em forma.

São estas, neste início, apenas algumas sugestões do Blogueiro. Você tem, seguramente, outras ideias a respeito, que poderá combinar e harmonizar com as aqui fornecidas. O importante é ter em mente que um bom plano é absolutamente necessário para simplificar seus estudos e não deixar que perca o rumo nem se desespere naqueles momentos em que o cansaço o leve a sentimentos pessimistas.

 

 

É isso aí, galera!

January 15th, 2018

Enquanto os candidatos que prestaram o exame vestibular da Unesp aguardam os resultados, logo para o início de fevereiro, o Blogueiro já começa a pensar em você, estreante, que ao longo deste ano prestará pela primeira vez seus exames. É claro que nada é estranho para você nesse assunto, pois por certo estará acompanhando os resultados, para verificar se algum colega mais velho foi aprovado. E o faz, é claro, também pensando em seus exames, que ocorrerão ao longo deste ano.

É nesta oportunidade e neste momento que o Blogueiro começa a ser útil a você. Vale a pena explicar por pontos. Primeiro: os resultados que terão seus colegas estarão na razão direta da intensidade de seus estudos e preparativos. Vestibular não é loteria, é fato concreto, é comprovação de rendimento escolar. Segundo: na vida, e não apenas em vestibulares, a vitória é sempre do melhor preparado; não há sorte, não há coincidências entre o que você estuda e o que vai ser solicitado nas provas. Terceiro: o melhor ponto de partida para preparar-se adequadamente é ter perfeita noção de seus méritos e suas fraquezas. Estudar, deste modo, tem a função de aperfeiçoar seus méritos e diminuir, senão eliminar, suas fraquezas. Quarto: ninguém sabe mais ou menos; ou sabe, ou não sabe. Quinto: repetir e repetir e repetir é o melhor modo de fixar. Não se contente com um só exercício, repita o suficiente para ter certeza de que não vai esquecer.

Um lembrete é aqui também muito importante a respeito dos chamados vestibulares de inverno, também chamados de vestibulares de meio de ano. O Blogueiro já disse, mais de uma vez, que os cursos oferecidos nesses vestibulares têm a mesma qualidade dos oferecidos no final do ano. A universidade é a mesma, a unidade é a mesma, as provas são elaboradas e corrigidas pelas mesmas equipes, os professores são os mesmos, os diplomas terão o mesmo valor. Deste modo, tanto faz ingressar na universidade no meio como no fim do ano. Fique alerta a esse fato, portanto, para não correr o risco de desprezar um curso em que foi aprovado no meio do ano e acabar não sendo aprovado em vestibulares de final do ano. Aqui vale acompanhar a sabedoria do povo, que criou o provérbio Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Outro lembrete importante diz respeito ao curso que escolherá. O Blogueiro já alertou sobre o fato de que, apesar da predileção pessoal, o estudante não pode e não deve voltar as costas para o mundo. A opção por um curso mais promissor deve ser sempre considerada uma possibilidade. Escolha de curso não deve ser objeto apenas de simpatia, mas convém considerar outros aspectos, como, por exemplo, o campo de emprego depois de formado, a relação com a realidade do mercado de trabalho atual, as faixas de remuneração e as possibilidades de subir muitos degraus ao longo da carreira.

Para usar uma linguagem mais de acordo com os jovens, o Blogueiro encerra estes primeiros conselhos dizendo: É isso aí, galera! Vestibular não é mágica. Mas é cheio de truques.

 

Nem só o currículo forma o profissional

January 5th, 2018

E aí? Divertiu-se bastante nas festas? Claro que sim. Depois de ter atingido a meta de prestar seus vestibulares, agora a questão é mesmo relaxar, divertir-se, aproveitar toda a euforia do início do ano enquanto aguarda os resultados de seus exames. O Blogueiro, neste lapso de tempo, deixa de preocupar-se com os exames e passa a refletir sobre o início de seu curso na universidade. Você será aprovado, sim, e logo estará numa outra etapa de sua vida, tal como o Blogueiro mencionou no artigo anterior.

Pense no início de seu curso. Você imagina que dará todo o esforço para se tornar um excelente profissional na área que escolheu. Com certeza o será. Mas deve ter em mente, nesse caso, o que o tornará um profissional excelente. A primeira decisão a tomar será a de olhar para trás e verificar o que, de todo o seu trajeto de estudo, deve ser aproveitado e continuado em seu curso universitário. O primeiro ponto que fica claro é o aproveitamento de tudo o que estudou de Língua Portuguesa. Esse estudo, que em alguns momentos da preparação pareceu muito chato e sem sentido, na verdade é exatamente o contrário. Os ensinos fundamental e médio insistiram muito para que adquirisse um bom vocabulário, dominasse os fundamentos da gramática, e aprendesse a escrever muito bem. Se você pensava que isso era só preparação para vestibular, enganou-se. O melhor conselho que o Blogueiro pode lhe dar agora é que o estudo da língua, a prática da redação e a leitura de bons livros continuam a ser fundamentais para que venha a se tornar um excelente profissional. É inadmissível, hoje, um profissional que não seja capaz de relatar com precisão uma tarefa que cumpriu, um projeto que criou e executou. Continue, portanto, cultivando a Língua Portuguesa como um dos instrumentos de seu trabalho.

Outro ponto é o das línguas inglesa e espanhola. Se ainda não domina essas línguas, oralmente ou por escrito, trate logo de estudar muito e dominar. A língua inglesa, porque acabou se tornando um meio de comunicação universal, falado nos quatro cantos do mundo. A língua espanhola, porque nossos povos irmãos, na América Latina, a usam como idiomas. Com a criação do Mercosul, dominar o espanhol passou a ser algo muito importante para fazer frente a oportunidades de trabalho em nosso continente. Vá pensando nisso e estudando. Não arrisque perder uma grande oportunidade de trabalho em nível de Mercosul só porque não deu o devido valor à língua espanhola. Pense nisso.

Um terceiro ponto, igualmente importante, é o da informação e da cultura. Você não deverá ser apenas um profissional especializado numa área de desempenho. Ao contrário, tem de ser simultaneamente um cidadão culto e bem informado, ou seja, deve ter a mente aberta para tudo o que ocorre no mundo e para a solidificação da cultura até aqui absorvida. Em resumo: deve ser um habitante do mundo, ao mesmo tempo receptivo e crítico, e não apenas um eremita fechado em seu escritório de trabalho, totalmente ausente dos principais problemas que envolvem a civilização atual.

Percebeu? Mesmo antes de iniciar seu curso, você já sabe que tem tarefas a cumprir, juntamente com aquelas que pertencem ao curso escolhido. Sua formação universitária, portanto, não se limitará a torná-lo um especialista fechado em seu mundinho, incapaz de compreender a realidade que o cerca. A universidade, de fato, não forma apenas profissionais, forma cidadãos, pessoas capazes de participação e ação na realidade do mundo que nos cerca.

 

 

O verdadeiro começo de tudo

January 5th, 2018

Você por certo teve um Feliz Natal, não teve? E terá, com certeza, um feliz começo de 2018. E ficará mais feliz ainda quando saírem os resultados dos exames vestibulares. Uma das vagas, realmente, será sua.

Sabendo que isso irá acontecer, o Blogueiro acha que, além de lhe desejar um Feliz Ano Novo, este é o momento mais adequado para comentar um fato que, embora pareça apenas uma imagem metafórica, é autêntico: a vida de verdade, sua vida de verdade, começa agora, quando você pisar um câmpus universitário como estudante do curso escolhido.

Começa, mesmo! Tudo o que você viveu até agora era um preparo, um treinamento, uma simulação. O curso universitário é o jogo de verdade, o jogo da verdade, o período em que estará já vivendo a profissão que exercerá até o fim de seus dias e fará de você, sem sombra de dúvida, um vencedor, um grande vencedor. É aqui que começam a existir o biólogo, o professor, o cientista, o administrador, o médico, o engenheiro, o filósofo, o psicólogo, o sociólogo, o jornalista, o publicitário, o tecnólogo, o geógrafo, o geólogo, o astrônomo, o historiador, etc., etc. É aqui que o indivíduo não será mais apenas um receptor de benefícios da sociedade, mas passará a atuar sobre a própria sociedade, para criar benefícios para todas as pessoas que deles necessitarem. Como o Blogueiro já disse em outros artigos, você continuará, ainda, de certo modo, a ser paciente, mas assumirá em escala maior a função de agente. Não um agente para auferir favores, benefícios, status, fama e riquezas,  É claro que estes e estas poderão vir para você, por seus méritos. A questão é que você tem de ser, sobretudo, um agente para que outras pessoas também tenham a mesma oportunidade.

Se entendeu os comentários dos três parágrafos anteriores, por certo também entenderá que no final de seu curso não receberá apenas um diploma; receberá o símbolo do que deverá ser em sua atuação profissional e social. Vivemos numa sociedade que, por definição, é um conjunto de pessoas que convivem e colaboram. Não há valor algum em ser rico, riquíssimo, bem-sucedido, enquanto milhões de outras pessoas no país e no mundo são pobres, paupérrimas, O principal objetivo da sociedade, neste sentido, é a igualdade a todos os seus integrantes. É isto que vem senco buscado ao longo do tempo e que, com a formação filosófica e sociológica que possuímos hoje, temos certeza de que deverá ser obtido mais cedo ou mais tarde por toda a humanidade. A própria tecnologia, com as conquistas que se revelam hoje, aponta para esse sucesso.

Compreendeu? É necessário que você pense em si mesmo? Sim, mas é impossível sermos nós mesmos, em nosso sucesso, em nossa felicidade, sem pensar no sucesso e na felicidade de todas as demais pessoas do mundo. Quando o homem atingir outros planetas, para colonizá-los, não deve levar consigo uma sociedade mal resolvida e conflituosa, em que uns sejam mais felizes e afortunados que outros. Os que pisarem o solo de novos mundos deverão estar levando uma sociedade equilibrada e justa, formada por indivíduos felizes e realizados em suas vidas e profissões. Essa meta está sendo edificada, e todos nós temos obrigação de ser agentes desse processo.

Seja feliz em seu curso universitário, sabendo que a Sociedade também está passando por um vestibular e você deve ser um bom professor para que ela venha a ser aprovada.

 

Agora é aguardar 2 de fevereiro

December 21st, 2017

Você com toda a certeza teve ótimo desempenho na segunda fase do Vestibular Unesp. As questões não foram complicadas e o tema da redação permitiu que você pudesse desenvolver e argumentar a contento. Como os professores especialistas e os próprios candidatos afirmaram aos jornais, o Vestibular Unesp seguiu a tradição com uma prova bem ponderada, questões equilibradas e sem nenhuma das pegadinhas que tanto irritam vestibulandos no momento do exame.

A Unesp, de fato, tem há muito tempo bem delineado o perfil de candidato que pretende para seus cursos, e as provas, neste sentido, procuram concretizar essa busca.  Um bom vestibular não é uma coleção de questões impossíveis de resolver, nem tampouco uma série de pegadinhas para iludir o candidato, mas, ao contrário, um conjunto coerente e moderado de questões que têm por objetivo verificar o que o candidato sabe, e não o que não sabe. A Unesp  busca sempre encontrar a medida ideal em termos de questões para que o candidato possa comprovar seu preparo e sua efetiva formação ao pleitear uma vaga em curso da Universidade. Um vestibular assim concebido se torna realmente avaliação.

Durante o ano todo este Blogue procurou aconselhar o candidato justamente para enfrentar, com muita calma e ponderação, as questões propostas no Vestibular Unesp. E você, com certeza, soube entender as colocações feitas pelo Blogueiro para evitar aqueles cochilos banais que podem comprometer o resultado final obtido. Uma classificação pode ser decidida pela inexistência desses perigosos e prejudiciais errinhos.

Examinando agora todos os itens e aspectos que compuseram as provas, o Blogueiro ficou bastante satisfeito por haver percebido que, se o candidato realmente seguiu os alertas e conselhos apresentados, deve ter feito uma prova tranquila e segura. A mesma satisfação vale para a proposta de redação. Quem se preparou conforme os avisos apresentados, com toda a certeza teve um bom desempenho, sem maiores deslizes. Um bom texto, desta sorte, surge em primeiro lugar do entendimento pleno da proposta de redação; em segundo, do conhecimento preciso do tema; em terceiro, do exercício constante, praticamente diário, de escrever com toda a atenção, para evitar lapsos de ortografia, “escorregões” de coesão textual e, sobretudo, de lacunas na argumentação. Uma boa conclusão é aquela que fecha com coerência o que foi manifestado no início do texto.

Por todos esses motivos, você tem certeza de haver realizado uma ótima prova, como resultado de anos de esforço e concentração em seus estudos. Agora só resta aguardar o resultado, relaxar bastante e aproveitar com descontração as festas de final e começo de anos, com a confiança na futura classificação. Feliz 2018. Feliz dia 2 de fevereiro. Boa matrícula. E melhor curso ainda na Unesp, que é uma das principais universidades do Brasil.

 

 

 

 

 

Na hora “h” evite os coloquialismos ridículos

December 14th, 2017

Agora que a prova está aí, um último conselho: evite o emprego de certos vocábulos e expressões que, embora aceitos no discurso oral e familiar, geram modos de dizer um tanto ridículos quando transplantados para o discurso formal.  Isso deve ser feito em todas as respostas discursivas e na redação.

Uma dessas besteirinhas é representada pela palavra tipo. Você com certeza já ouviu falarem assim: Estou dizendo que minha colega é tipo assim uma imitação desastrada de Barbie.

Na oralidade, esse emprego de tipo como comparativo está muito disseminado. As pessoas nem notam mais que estão falando assim. O problema é empregar em discurso escrito, especialmente em resposta discursiva de prova ou redação de vestibular. Nesses casos, o discurso deve ser formal, obediente à norma-padrão. “Tipo assim” é um uso que podemos considerar, com o povo, um tanto brega. E não apenas isso, mas também vulgar e ignorante. Muito melhor seria falar ou escrever, simplesmente: Estou dizendo que minha colega é como uma imitação desastrada de Barbie. Nada de tipo assim em seu discurso escrito, certo?

Outro mau uso diz respeito a por causa que ou por causo que: Eu atirei o lápis pela janela por causa que meu colega me irritou. Ora, ora, também é irritante para qualquer professor de português deparar-se com esse uso, quando a forma correta e simples é porque: Eu atirei o lápis pela janela, porque meu colega me irritou. Não é muito mais simples? Então, nada de por causa que em suas provas, certo?

Pior ainda é o uso de coisa. No discurso oral, vez por outra, quando esquecemos o nome de uma pessoa, acabamos dizendo o coisa. Meu irmão encontrou o coisa lá na estação de trem. Horrível, não é. No discurso escrito, jamais faça isso. Há mil maneiras de dizer o mesmo de modo correto e elegante: Meu irmão encontrou o rapaz lá na estação de trem. Ou: Meu irmão encontrou essa pessoa lá na estação de trem. Deste modo, cuidado, muito cuidado como esse coisa, que pode ser uma coisa bem ruim para sua prova, certo?

Outro uso equivocado, finalmente, é a forma verbal pegou para indicar a sequência de uma estória. No discurso oral, ainda vá: Ela pegou e começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. No discurso escrito, porém, há formas e formas de evitar esse equívoco, inclusive com a própria supressão da palavra: Ela começou a chorar por não ter encontrado sua madrinha. Por isso mesmo, ao responder a questões discursivas ou a escrever sua redação, não pegue nada: simplesmente escreva de modo o mais claro possível.

Um conselho final: crie frases com essas palavras equivocadas e, em seguida, faça você mesmo a correção. Será um bom modo de preparar-se para não embarcar no verdadeiro “besteirol” que tais usos acabam criando em nossos textos.