Vestibular Unesp: sem sustos, sem problemas

14 de novembro de 2018

Muitos candidatos, chegada a hora dos exames, revelam certo receio de que as questões que enfrentará venham a ser muito difíceis, algumas praticamente irrespondíveis. Os vestibulares surgem-lhes como monstros devoradores cujo interesse maior é desanimar desde o início os estudantes e levá-los à reprovação sumária.

Na verdade, não se trata de nada disso. Se você faz o vestibular UNESP pela primeira vez, não precisa se preocupar com as provas. São todas muito bem ponderadas, elaboradas por especialistas segundo uma filosofia: as questões não objetivam saber o que você não sabe, mas avaliar adequadamente o que você sabe. Por essa razão, não existem nelas as famosas pegadinhas, nem tampouco as questões complicadas que poucos responderiam.

Trata-se de um conjunto de provas, nas duas fases, que visam estabelecer um perfil do candidato para ingresso no curso pretendido. A base das questões são os programas das disciplinas e conteúdos que você consolidou ao terminar o terceiro ano do ensino fundamental. As questões sobre atualidades não se afastam desses conteúdos e se referem aos temas que todo estudante egresso do Ensino Médio deve conhecer.

Comparado com outros, o vestibular UNESP busca situar-se num patamar razoável, a certa distância dos que são considerados muito difíceis e exigentes. Por quê? Porque os especialistas da Universidade julgam que a avaliação do candidato não consiste em saber se é capaz de grandes proezas nesta ou naquela disciplina, mas se no todo revela uma formação aceitável, bem dosada, que lhe permita, uma vez aprovado no curso escolhido, assimilar sem maiores dificuldades a formação oferecida pela universidade. É o que basta.

Por estas razões, fique tranquilo, que não encontrará surpresas. Trate de voltar toda a sua atenção para o que sabe e conhece, pois será exatamente isso que enfrentará.

Boas provas!

 

A ordem dos elementos na frase

8 de novembro de 2018

Você se preocupa bastante com sua redação e suas respostas discursivas nos vestibulares, não é verdade? Por vezes, quando percebe ou quando lhe apontam algum erro, fica aborrecido e se considera um mau escritor, alguém que é incapaz de fazer um texto que mereça nota alta. Nunca pense assim. Você passou por um exaustivo treinamento, desde o ensino fundamental, para escrever bons textos, e com certeza deve ser mesmo capaz. Por isso, em primeiro lugar, acredite em você.

Um dos modos de comprovar essa sua capacidade é verificar que todos aqueles que escrevem, inclusive este Blogueiro, podem cometer erros em seus textos. E cometemos mesmo. Somos sujeitos a erros dos mais diversos tipos, gramaticais, ortográficos, de coesão e de coerência. Escrever, dizem os bons escritores, é sempre uma luta, uma luta constante para evitar tais lapsos, o que às vezes não é possível, porque estamos sujeitos a mil e uma influências sobre nosso comportamento que nos podem levar a cometê-los, inclusive por distração. Observe o exemplo seguinte, retirado de um jornal, e tente verificar qual desacerto ocorreu:

A moça frequentava o hotel onde foi encontrada morta regularmente.

Não é preciso muito esforço de leitura para perceber que, rigorosamente falando, não há nenhum erro gramatical nessa passagem. Todavia, há um engano de colocação de um adjunto adverbial, que gera uma forte e perigosa ambiguidade, prejudicando o entendimento por parte do leitor. Trata-se da posição ocupada por esse termo. O leitor poderá imaginar dois sentidos possíveis: primeiro, “a moça foi encontrada morta regularmente”; segundo, “a moça frequentava regularmente o hotel”. Esta segunda possibilidade de sentido é a que o jornalista quis transmitir, mas, por infelicidade ou pressa, houve o deslocamento do adjunto adverbial para uma posição que gerou a ambiguidade. O escritor quis dizer, na verdade, o seguinte:

A moça frequentava regularmente o hotel onde foi encontrada morta.

Outra possibilidade, ainda aceitável, poderia ser:

A moça regularmente frequentava o hotel onde foi encontrada morta.

É claro que a possibilidade primeira seria mais clara. O jornalista talvez tenha esquecido de colocar o adjunto adverbial nessa posição e, sentindo falta ao terminar, deixou-o no final da frase.

Percebeu? Qualquer um de nós poderia cometer esse deslize, e o perceberia se tivesse tempo de fazer a revisão, mas o jornalismo impõe tarefas rápidas, razão por que esses cochilos escapam de vez em vez.

Por que isso acontece? Porque a língua portuguesa herdou de sua língua-mãe, o latim, uma boa liberdade de colocação de palavras e termos. Essa liberdade ajuda bastante nosso escrever, mas pode também a levar a alguns problemas como o descrito. Nesse caso, todo cuidado é pouco.

Observe, só para exemplo final, a liberdade de colocação que o português herdou do latim, verificando a ordem dos elementos num provérbio como

A pressa é inimiga da perfeição.

Temos nesse provérbio quatro elementos intercambiáveis: primeiro, a pressa; segundo, é; terceiro, inimiga; quarto, da perfeição. Fazendo um exercício de permutação, descobrimos que há 24 possibilidades de colocação desses elementos: 4x3x2x1 = 24. Apresentemos cinco delas:

A pressa é inimiga da perfeição.

A pressa inimiga é da perfeição.

A pressa é da perfeição inimiga.

É a pressa inimiga da perfeição.

É a pressa da perfeição inimiga.

Essas cinco possibilidades são perfeitamente aceitáveis e não gerariam problemas de sentido. Entre as dezenove restantes, porém, algumas produziriam dificuldades de compreensão. Isto significa, singelamente, que não devemos abusar da liberdade de ordenação dos elementos nas frases que criamos. Devemos sempre reler com olhos críticos o que escrevemos, para sanar desencontros de sentido.

Ficou claro? Então coloque essa questão entre os aspectos que você precisa vigiar, e muito, nos textos que escreve. Ainda assim, vez por outra você não escapará de uma escorregadela, como a do jornalista citado. Mas só vez por outra. Valeu?

 

 

 

Um errinho banal: sujeito preposicionado

8 de novembro de 2018

Muitas pessoas que deveriam ter um pouco mais cuidado com seu idioma, como políticos, jornalistas, profissionais ilustres que vivem cochilando em uma construção bastante simples da língua portuguesa. Os gramáticos costumam alertar para esse erro, com base no estudo dos escritores clássicos, mas nem todos levam muito a sério. Observe o exemplo seguinte, colhido nesta semana num artigo de comentarista na internet, que focalizava a questão das notícias falsas (fake news) utilizadas como meio de propaganda eleitoral:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo delas receberem o epíteto de fake News.

Aparentemente, para o escritor descuidado, nada há de irregular na frase acima. Mas há. Apresenta um caso de preposicionamento do sujeito, que os gramáticos não admitem: não devia estar escrito “antes mesmo delas”, mas “antes mesmo de elas”, como se vê no exemplar corrigido:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo de elas receberem o epíteto de fake News.

Você deve notar que “elas” é o sujeito de “receberem”, e por isso, num texto que se queira realmente formal, quando precedido por preposição como “de”, não deve, rezam os gramáticos, ocorrer a combinação com o artigo que determina o sujeito.

Embora em muitos casos aqui comentados o Blogueiro tenha ressalvado que no uso oral certos lapsos são “perdoáveis”, neste caso ocorre o contrário: é melhor cada um acostumar-se a não preposicionar o sujeito, para que o vício não passe para o texto, quando escreverem. Observe outros exemplos semelhantes:

ERRADO: Há muita chance da cantora vir ao Brasil no ano que vem.

CERTO: Há muita chance de a cantora vir ao Brasil no ano que vem.

ERRADO: Apesar do parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

CERTO: Apesar de o parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

ERRADO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito nele solicitar retratação do jornalista.

CERTO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito em ele solicitar retratação do jornalista.

ERRADO: No caso do candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

CERTO: No caso de o candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

ERRADO: É chegada a hora do Brasil desenvolver-se.

CERTO: É chegada a hora de o Brasil desenvolver-se.

Percebeu como é simples este tipo de frase? 1) Após o sujeito surge o verbo no infinitivo. 2) Quer seja a preposição “de”, quer “em”, não se pode combinar com o artigo que precede o sujeito. 3) É bom seguir esse princípio também no discurso oral, para não levar o erro ao escrito. Vamos exercitar bastante, para consolidar este conhecimento?

 

Vigie os seus as

29 de outubro de 2018

O Blogueiro resolveu retomar, neste tempo de vestibulares, uma questão que suscita dúvidas aos candidatos, provocando por vezes muitos erros. Trata-se do emprego de a (artigo), a (preposição) e há (verbo haver). Observe os exemplos:

 

A cidade, hoje, está cheia de entulho provocado pela tempestade.

Da fazenda a São Paulo são três horas de viagem.

Há três dias não para de chover em São Paulo.

 

No primeiro exemplo, o “a” que antecede “cidade” é um artigo, determinante do substantivo. Já no segundo, embora a pronúncia seja exatamente a mesma, não se trata mais de artigo, mas de uma preposição. No terceiro exemplo, “há” é a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo “haver” (eu hei, tu hás, ele há), que tem a mesma pronúncia do artigo e da preposição, embora a grafia seja distinta. Não causa problemas quando se fala, mas, na hora de escrever, pode complicar.

O emprego do artigo geralmente não implica grande dificuldade. Já o da preposição e do verbo pode implicar erros crassos. O Blogueiro retoma esta lição, porque na própria mídia (jornais, revistas, tevês), verificam-se muito cochilos dos escritores, como, por exemplo, num jornal:

 

A cinco dias, o empresário disse que estava em Berlim.

 

Na verdade, o “a” inicial está colocado por equívoco, quando deveria o escritor ter utilizado o verbo “haver”. Talvez tenha até pensado nesse verbo, mas, na hora de escrever, escapou o “a”. A frase correta, portanto, é

 

Há cinco dias, o empresário disse que estava em Berlim.

Trata-se de um lapso bastante comum em textos escritos, particularmente na internet, em que a pressa de postar artigos predomina. Num vestibular, todavia, isso não pode acontecer. Então, atente para o fato de que o emprego do verbo “haver”, nos casos citados, aparece sempre com referência ao passado:

 

Doutorei-me há três anos.

Há exatamente nove dias o candidato disse uma grande mentira.

Meu tio garantiu que há cinco meses encontrou uma onça ferida e a curou.

 

Já a preposição “a”, quando empregada com sentido de tempo em frases que poderiam gerar confusão, não aponta para o passado, mas para o futuro:

 

A banda chegará daqui a dois dias.

Estamos a vinte e quatro horas da eleição.

 

Deu para perceber? Então sempre vigie seu emprego de “a” e “há”, para não ser prejudicado na nota, por menor que seja esse prejuízo. Centésimos ou até milésimos em sua média final podem decidir uma vaga. E nem você, nem tampouco o Blogueiro, desejam que isso aconteça.

 

Não seja subjetivo nas provas objetivas

18 de outubro de 2018

As provas assim chamadas objetivas carregam a ideia de que suas questões são elaboradas de modo lógico, com a banca elaboradora criando o enunciado e respostas possíveis a esse enunciado em cinco alternativas, devendo ser apenas uma delas a correta. Vale dizer: a banca elabora e responde cada questão, como espécie de aluno que sabe tudo, cabendo ao candidato identificar “objetivamente” a resposta mais adequada.

Antes de prosseguir, vale lembrar a você os significados de objetivo e subjetivo. Subjetivo quer dizer “relacionado ao sujeito, individual, pessoal, particular ao indivíduo”. Já objetivo quer dizer “relacionado ao objeto, válido para todos os indivíduos, e não apenas para um”.  Um poema, por exemplo, pode ser entendido como subjetivo, pois expressa conteúdos relativos ao eu do poeta. Um texto científico, porém, é necessariamente objetivo, pois a meta do cientista está centrada no que é objeto de sua pesquisa. Uma questão objetiva, assim, está completa, devendo apenas o candidato escolher a resposta correspondente.

Isto posto, você percebe que nesse tipo de questão a interpretação lógica é tudo. Deve procurar compreender primeiro o enunciado e descobrir exatamente o que solicita. Em seguida, deve entender uma a uma as alternativas, comparando-as com tal solicitação, e verificar qual a que mais provavelmente atende ao enunciado. Nesse caminho tome bastante cuidado, porque a elaboração da questão não é ingênua. O elaborador “sabe” qual a resposta correta e elabora as outras alternativas de modo a não facilitar a escolha pelo candidato. A finalidade da questão é verificar se o candidato conhece bem o conteúdo. Por isso, muitas vezes, há alternativas semelhantes, que podem causar dúvida e hesitação. O melhor modo de escapar deste tipo de obstáculo é comparar com o que solicita o enunciado.

Não esqueça, porém, de um fato importantíssimo. Caso ainda pairem dúvidas, por exemplo, entre duas alternativas, não escolha a que você “sente” como mais provável, mas o que a análise do conteúdo aponta objetivamente como mais provável, sempre pensando que a resposta certa está ali, é uma das cinco alternativas. Fazer uma prova objetiva, neste sentido, é como resolver um quebra-cabeça, lançando mão de sua inteligência e capacidade de análise e síntese. Somente em último caso deve arriscar uma resposta de que não tenha plena certeza.

O Blogueiro quase ia esquecendo de lembrar: você precisa, é claro, ter um bom conhecimento dos conteúdos, tanto para questões objetivas quanto para questões discursivas. Sem isso, o melhor dos métodos não funcionará.

 

 

 

Empregue bem “democracia”

11 de outubro de 2018

Nesta época de grande efervescência política e eleições, você não tem como esquivar-se das falas de políticos, jornalistas, comentaristas e críticos que a todo instante surgem na mídia (televisões, rádios, jornais, revistas) e o bombardeiam com suas opiniões sobre o que está ocorrendo e o que pode ocorrer. Será este presidente o eleito? Aquele o governador? Aqueloutro o senador? E os deputados federais? E os estaduais?

O perigo, porém, não corresponde aos candidatos nem aos partidos, mas às palavras. E são estas que podem atrapalhá-lo em eventuais questões e propostas de redações dos diversos exames vestibulares. Será difícil, a esse respeito, que muitos vestibulares não adotem como tema de redações fatos políticos sobre as eleições deste ano e os eventos a estas relacionados. Aí, todo cuidado é pouco. Mesmo que não aprecie muito, você deve ter prestado atenção a muitas notícias e, nesse processo, aprendido o significado de muitas palavras que antes não lhe provocavam maior interesse.

Uma dessas palavras, com certeza, muitíssimo empregada, é democracia. É uma verdadeira moeda corrente, que frequenta dezenas de vezes por dia os programas da mídia. Que lhe pode dizer o Blogueiro a respeito? Alerta! Antes de se deixar levar pelo emprego da palavra por este ou aquele jornalista, este ou aquele candidato, procure conhecer muito bem o verdadeiro sentido dela, que dicionários como o Aurélio e o Houaiss apresentam:

Aurélio: Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução; democratismo.

Houaiss: governo em que o povo exerce a soberania; sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas; regime em que há liberdade de associação e de expressão e no qual não existem distinções ou  privilégios de classe hereditários ou arbitrários; país em que prevalece um governo democrático.

Observando e interpretando muito bem o que definiram os dois mestres, você terá a perfeita noção do que é democracia ou regime democrático de governo. E perceberá, com certeza, que nem todas as pessoas empregam a palavra com esse sentido. Muitos, aliás, a usam com o significado exatamente oposto. Há até países que se intitulam democráticos, em que o povo é inteiramente dominado pelas classes dirigentes. Esteja atento, portanto, para não cair na armadilha de usar a palavra democracia num sentido que não se coaduna com o que aparece definido pelos dois lexicógrafos citados.

Não é demais repetir, neste final, o que resume mestre Aurélio, para servir-lhe de bússola, caso venha a empregar a palavra numa resposta de questão discursiva ou numa redação:  Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução.

 

 

 

 

Sua redação: o começo e o fim

11 de outubro de 2018

Dando como certeza que você vai ser aprovado na primeira fase do exame vestibular da Unesp, o Blogueiro quer fazer algumas observações muito importantes sobre a segunda fase, em especial a prova de redação.

Você está cansado de saber que toda redação dissertativa apresenta um início, em que a abordagem do tema é introduzida e justificada, um meio, o corpo da redação, em que sua argumentação se desenvolve, e um final, a que sua argumentação converge. Esses três patamares, em seu conjunto, têm de estar indissoluvelmente entrosados, formando um todo. Tecnicamente, percebe-se que o começo e o final trazem certas dificuldades de entrosamento. Muitas lições são dadas, por isso, a respeito de como proceder, mas nem sempre são muito recomendáveis, vale dizer, podem trazer mais prejuízos que vantagens a seu texto.

Algumas pessoas podem tentar ensiná-lo, em sua prova de redação, a começar com chavões, como, por exemplo, Desde a mais remota antiguidade, Desde os tempos mais primitivos, Nos primórdios, etc., etc. Dizem que, deste modo, seu texto mostrará competência e capacidade de escritor desde o começo. Trata-se, na verdade, de um mau conselho. Você reparou que o Blogueiro disse chavões exatamente para caracterizar que frases como tais são muito batidas pelo uso. Se consultar seu dicionário, verificará que chavões são também chamados lugares-comuns, estereótipos, clichês, chapas, ou seja, expressões ou frases cujo uso repetido e retomado as torna vulgares demais, inteiramente faltas de originalidade. Não enriquecem, mas empobrecem seu texto.

É melhor, portanto, iniciar a redação de outro modo, focalizando diretamente o tema proposto.

O mesmo se pode dizer dos finais. Nada de enfatizar o encerramento com portanto, por isso, concluindo, como acabamos de demonstrar, etc., etc. Será muito melhor fazer uma ligação mais adequada entre os argumentos apresentados ao longo do texto e a conclusão, com palavras e expressões simples que caracterizem melhor a firmeza de sua linha argumentativa e o coroamento desta no parágrafo de encerramento.

Busque sempre, quer no início, quer no final, ser simples e direto, sem recair na vulgaridade e no emprego de expressões batidas. Simplicidade e eficácia serão a melhor solução para a exposição de suas ideias e a compreensão destas pela banca de correção. Não faça como o jogador de futebol que, quando ia marcar um belo gol, resolveu dar um drible a mais, fazer uma firula, e acabou sendo desarmado, desperdiçando a oportunidade.

Exibir-se, quer ao jogar futebol, quer ao escrever, pode ser até prazeroso, mas carrega perigos que nem sempre vale a pena enfrentar.

 

Acentue/não acentue ói, éi, éu / oi, ei, eu

26 de setembro de 2018

A reforma ortográfica ocorrida há alguns anos, resultante de acordo entre países de língua portuguesa, não modificou muito as regras antigas, mas deixa você por vezes em dúvida no que se refere à acentuação, pois acabou produzindo algumas armadilhas. Você já pode ter caído, sem querer, em algumas delas. Um bom conselho, nesse caso, é não tentar entender todas as alterações de uma só vez, mas procurar esclarecer uma a uma.

Um dos casos que pode nos deixar atrapalhados é a acentuação dos ditongos abertos tônicos, que, na regra antiga, recebiam sempre o acento agudo, quer em palavras paroxítonas, quer em oxítonas ou monossílabas. Assim, era bem fácil memorizar e aplicar: véu, papéis, heróico. A regra atual, porém, criada pela reforma, dispensou o acento gráfico no caso de a palavra ser paroxítona: heroico, epopeia, apneia. Houve, portanto, uma redução do número de vocábulos atingidos pela regra. Só continuaram a receber o acento gráfico os ditongos abertos tônicos de palavras oxítonas e monossílabas: coronéis, cachecóis, réis, sóis. É claro, que, assim, ficou mais simples e econômico, mas com a possibilidade de provocar equívocos, como no caso da palavra ideia, que de vez em quando nos leva a deixar escapar o acento agudo sobre o -e-. O próprio Blogueiro cometeu esse deslize no início da aplicação da nova regra, pois estava acostumado a colocar o acento desde que passara a frequentar a escola. Quebrar velhos hábitos não é muito fácil.

Entendeu? Como os ditongos abertos tônicos soam muito nítidos e fortes, podemos nos distrair e colocar o acento agudo onde a regra não mais permite. É bom, por isso, manter a vigilância e só marcar com o acento agudo as vogais dos ditongos abertos tônicos de palavras oxítonas e monossílabas: chapéu, chapéus, herói, heróis, papéis, pastéis, coronéis, urinóis, lençóis, atóis, réis, sóis, véu, véus, dói (verbo doer).

Ter em mente uma razoável relação de palavras paroxítonas cujos ditongos abertos tônicos não se acentuam é também recomendável: heroico, estoico, paranoico, ateia, ideia, panaceia, apoio (verbo apoiar), ureia, epopeia, epopeico, assembleia, boleia, jiboia, onomatopeico, proteico, alcaloide, boia, comboio (verbo comboiar), estroina, introito, centopeia, diarreia, estreia, europeia, geleia, plateia, debiloide, ovoide, colmeia, Coreia, plebeia, asteroide.

Agora ficou mais fácil, não é? Mas tome cuidado e seja bem observador: uma palavra como destróier não se enquadra nessa regra, porque termina em –r.  Enquadra-se, no entanto, entre os paroxítonos terminados em –r, que sempre recebem o devido acento gráfico: revólver, pulôver, destróier, etc.

Tudo claro agora? Então, mantenha-se sempre atento com respeito a essa regra e às outras que foram modificadas em parte ou no todo com a reforma ortográfica.

 

Cuidado com o “de” indevido!

21 de setembro de 2018

A Língua Portuguesa, como você sabe, é cheia de manhas. Por isso, é preciso tomar muito cuidado, quando escrevemos, em não omitir o que deve ser evidenciado ou apresentar o que não deve existir.

Um bom exemplo que o Blogueiro quer explicar neste artigo diz respeito ao emprego ou não emprego da preposição “de”. Você aprendeu que há verbos e nomes (substantivos, adjetivos) que pedem a presença dessa preposição antes do complemento que vem em seguida. Complementos de verbos cuja regência solicita uma preposição se enquadram como objetos indiretos; e complementos de nomes cuja regência solicita preposição se identificam como complementos nominais. Eis alguns exemplos de frases em que a regência dos verbos solicita a preposição “de”:

Eu precisava da nota que o professor me deu.

Os operários foram avisados de que a fábrica faliu.

Não necessito de ninguém para me auxiliar.

Observe também exemplos de complementos nominais precedidos da mesma preposição:

Tenho medo de que me assaltem.

O hospital tem urgência de medicamentos adequados.

Acho que estou isento de imposto de renda.

Estou convencido de que o planejamento é necessário.

Até aqui, tudo bem. Usualmente, você erra pouco nessa questão de regência verbal e nominal. Todavia, se prestar bem atenção nas entrevistas em rádios, tevês e jornais, verificará que, muitas vezes, os entrevistados cometem erros crassos, ao “inventar” a presença de “de” em contextos nos quais a regência não solicita essa preposição. Observe exemplos disso:

O candidato declarou de que tem certeza da vitória.

Ninguém achava de que os ventos fossem tão fortes.

Meus melhores professores sequer imaginavam de que o vestibular fosse tão difícil.

O prefeito solicitou de que houvesse maior vigilância nas praças da cidade.

Percebeu bem a razão do emprego indevido da preposição? Trata-se de um erro crasso e você mesmo pode julgar esse deslize lembrando do que dizia o professor em seu curso fundamental: declarar alguma coisa; achar alguma coisa; imaginar alguma coisa; solicitar alguma coisa. Esse “alguma coisa”, ainda dizia o professor, é um objeto direto ou uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Portanto, nada de “inventar” preposição onde a estrutura da frase não a solicita.

Faça uma boa revisão de seus textos, para verificar se não andou escorregando nesse equívoco, certo? E, para se divertir, preste atenção nas entrevistas na tevê para verificar como os figurões cometem esse erro, achando que estão falando muito bem.

 

Sua resposta, sua proposta

18 de setembro de 2018

Você acha que em vestibulares haverá perguntas fáceis e perguntas difíceis? Está ligeiramente enganado. Não existe isso. Vestibular não tem por objetivo facilitar sua vida, mas avaliá-lo. As perguntas são elaboradas geralmente com a mesma dose de dificuldade. Você, evidentemente, pode achar umas fáceis, outras difíceis, na medida em que saiba responder sem ou com dificuldades. Essa facilidade, porém, corresponde ao seu conhecimento, e não propriamente ao fato de serem em si as questões fáceis ou difíceis, ou mais fáceis e mais difíceis.

É muito importante perceber isso, para não se ver atrapalhado em suas respostas ao considerar que certas questões são muito difíceis e não vale a pena dedicar muita atenção a elas. Na verdade, podem ser apenas trabalhosas, solicitando uma atenção um pouco maior que outras, em virtude da sua dificuldade em entendê-las ou do conhecimento em que se baseiam. Em resumo: em provas de vestibulares, não há questões “dadas”. Como geralmente se fundamentam em textos, cabe a você perceber que suas respostas estarão condicionadas ao que dizem esses textos. Por vezes, você pode até discordar da opinião neles manifestada, mas deve ler com muita atenção o enunciado das questões para verificar exatamente o que é pedido a respeito desta ou daquela passagem. Sua opinião será manifestada na redação. Nas perguntas, você deve encontrar o que se pede que encontre nos textos, e não na sua opinião particular.

Do que se disse acima se conclui que é da maior importância praticar a leitura e a interpretação. Quando a banca elaboradora estabelece as questões, tem como objetivo avaliar diferentes habilidades de leitura e de interpretação de textos, além, é claro, do conhecimento específico em virtude do qual tais textos foram escolhidos. Isso vale para todas as diferentes disciplinas e conteúdos que compõem as provas. Comece a analisar questões de provas e respectivas respostas de vestibulares anteriores, para verificar como costumam operar os elaboradores. Você pode, com isso, até descobrir certas “manhas” dos elaboradores ao focalizar um aspecto para interpretação. Depois de algum tempo, perceberá que perguntas à primeira vista consideradas difíceis são apenas mais trabalhosas para compreender o que pretendiam os elaboradores e, talvez por isso mesmo, para responder de modo adequado.

Assim fazendo, você chegará à conclusão de que suas respostas não podem ser extremamente simples, realizadas, por exemplo, por meio de uma frase curta. Responder uma questão é, neste sentido, fazer análise, interpretação e apresentar o resultado de forma mais clara possível. De certo modo, ao responder questões discursivas, por exemplo, você acaba elaborando uma verdadeira proposta de solução, que tem de ser muito bem embasada nos elementos questionados. Isso não quer dizer, por outro lado, que deva escrever demais ou encher linguiça, como costuma dizer o povo a alguém que fala muito e acaba não dizendo nada. Sua resposta, além de identificar o que é solicitado, tem de ser bem dosada, para demonstrar que você fez o caminho certo ao longo da leitura.

É com isso em mente que deve fazer exercícios de leitura e intepretação ao longo de seus estudos. Analise as questões de vestibulares anteriores, verifique as respostas apresentadas pelos diferentes sites de cursos preparatórios e escolas. Tente mesmo fazer a crítica dessas respostas, verificando em que aspectos poderiam ser mais claras e explícitas.

E não esqueça, quando estiver fazendo seu vestibular: de certo modo, ao responder, você está elaborando uma proposta de interpretação ante a proposta de questão elaborada pela banca.

Agora você já sabe responder a indagação inicial deste artigo: com a preparação e o treinamento adequados, todas as questões se tornam fáceis.