Há oito anos com o estudante

January 6th, 2017

Buscando atenuar sua tensão da espera dos resultados e, ao mesmo tempo, tentando fornecer-lhe ideias para reflexões muito úteis nesse processo, este artigo completa, focalizando alguns aspectos distintos, o que dissemos sobre a edição do terceiro livro do Blog. Trata-se de uma mensagem sobre a qual você deve refletir muito, ao longo de sua vida profissional.

O BlogUnesp, com seus artigos e avisos, há oito anos vem buscando, de forma muito simples, clara e útil, auxiliar o estudante a resolver dúvidas em sua preparação para o vestibular. Como já disse o Blogueiro, porém, mais de uma vez, nossa ambição não se limita ao vestibular: queremos continuar servindo ao desempenho de nossos estudantes em seus cursos.

Se vocês, candidatos que esperam os resultados finais, bem como estudantes que já ingressaram na Universidade, repararam bem no modo e na forma de apresentação de nossos artigos, devem ter percebido que o Blog continuará servindo à sua capacidade de ler, interpretar e escrever por muitos anos ainda.  O ingresso em cursos superiores, de fato, não anula a necessidade de dominar as três habilidades mencionadas, assim como aperfeiçoá-las ao longo de seu curso e de toda a sua vida profissional.

Nosso Blog, de resto, também recua um pouco no tempo, visando ao aprendizado dos estudantes do ensino médio, desde o primeiro ano, tudo baseado num método de trabalho que pode ser resumido na frase Alcançar o máximo possível de pessoas interessadas em aprender. Por isso mesmo, somos um Blog que se caracteriza pelas mensagens sérias, em que as próprias brincadeiras e jogos de palavras que algumas vezes utilizamos carregam consigo lições úteis e ensinamentos producentes.

Por estas razões, você, candidato cheio de esperança de figurar na lista de classificados, pode muito bem aproveitar o tempo para ir fazendo revisões, com base na leitura de artigos anteriores do Blog, para aperfeiçoar suas habilidades de expressão. Por quê? Porque o curso em que você ingressará implica a necessidade permanente dessas habilidades. A universidade, de fato, é o dominio maior do estudo, da ciência e de sua expressão em textos de diferentes gêneros. É nela que nascem os conceitos, as ideias, as teorias e as práticas que devem ser comunicadas ao mundo para torná-lo melhor em todas as áreas. A universidade nasceu justamente dessa ânsia que tinham os estudiosos de disseminar sua ciência e conhecimentos aos interessados.

Em resumo, ao ingressar numa universidade você não vai se tornando apenas um futuro profissional especializado em determinadas linhas de atividade, mas, sobretudo, um comunicador, um disseminador de conhecimentos e práticas, membro ativo de uma sociedade que precisa, cada vez mais urgentemente, do processo da mútua colaboração entre as pessoas, com vistas à edificação de um mundo cada vez melhor, com seus habitantes cada vez mais dotados de pensamento humanitário e desejo de que a ignorância seja substituída pela ciência e todas as práticas ruins, condenáveis, sejam de uma vez banidas do planeta. Os indivíduos formados por universidades têm uma responsabilidade cada vez maior nessa busca. E você, com os resultados positivos que com certeza terá, assumirá também a sua parte no processo.

Só assim o planeta poderá encontrar o futuro que todos desejamos.

 

Unesp edita terceiro livro do BlogUnesp

January 4th, 2017

Acaba de ser publicado o terceiro livro do BlogUnesp, coletânea dos artigos publicados neste Blogue de 2013 a 2015. Trata-se do livro mais extenso dos três, o que nos deixa felizes e orgulhosos do trabalho que vem sendo realizado em prol dos candidatos a exames vestibulares da Unesp.

Você, que é leitor habitual desses artigos, sabe muito bem que todos têm como objetivo fornecer aos candidatos informações que os auxiliem a melhorar seus desempenhos nas provas: tópicos sobre redação, gramática, interpretação de textos, modos de ler e de responder questões objetivas e discursivas, técnicas de preparação para as provas, etc., etc., diferentes formas de abordagem, enfim, que possam trazer benefícios a quem se submete aos exames vestibulares. Não se trata, por isso, de um blogue que visa ao bate-papo, frequentemente brincalhão e hilário, mas sem muito efeito prático. Pelo contrário, é um blogue sério, crítico, responsável, didático, que tem como meta ensinar a estudar, a preparar-se, a responder com sucesso às questões propostas, bem como aperfeiçoar a capacidade de redação, já que esta tem grande peso na média final.

O Blogueiro conhece muito bem, pela sua longa experiência, os vários e diferentes deslizes que os candidatos, muitas vezes por falta de preparo adequado, outras por tensão e nervosismo, podem cometer durante a leitura e a interpretação das questões objetivas e discursivas das diferentes provas, e por isso mesmo chega a ser insistente em apontar modos e técnicas para evitá-los. E fica extremamente feliz quando percebe que seus artigos conseguem atingir o objetivo desejado, fornecendo os recursos e técnicas de preparação e estudo para que as respostas surjam limpas, sem ambiguidades, absolutamente claras.

A filosofia da Vunesp com o Blogue, porém, ultrapassa esses limites e busca fazer com que os candidatos percebam que ler, interpretar, responder e criar textos não é algo específico dos exames vestibulares, mas acompanhará os estudantes por toda a sua vida, ao longo das atividades profissionais que assumirá. Profissionais de sucesso têm de ser capazes de ler e interpretar um texto em seus trabalhos, bem como redigir adequadamente relatórios e, mesmo, artigos focalizando atividades de suas respectivas áreas. Longas experiências requererão a criação de livros. Não se pode admitir, desta sorte, que um profissional competente seja incapaz de produzir textos para partilhar com a comunidade todas as atitivades e descobertas que realizou ao longo de uma carreira vitoriosa.

É tudo isso que pretende o Blogue com seus artigos, muitas vezes intencionalmente repetitivos, para garantir o entendimento dos candidatos. A capacidade de discurso, que implica o ler, interpretar, compreender, produzir textos, é uma habilidade muito mais que necessária ao profissional formado por universidade, qualquer que seja a área envolvida. Com o vertiginoso desenvolvimento tecnológico experimentado pela comunicação nos dias atuais, não se pode imaginar um desses profissionais incapaz de relacionar-se com outros, via rede, tanto para partilhar suas técnicas e experiências, quanto para receber, do mesmo modo, a colaboração desses outros.

A chamada globalização, como alguns consideram, não é apenas um fenômeno que envolve o comércio, a indústria, a política, mas um processo que aglutina todas as áreas da atividade humana, particularmente a educação. Prestar um vestibular, deste modo, é ingressar num universo totalmente novo, é tornar-se partícipe de novas formas de viver e realizar-se.

Pense muito nisso e inclua também este objetivo em sua formação no curso superior.  E que um um feliz 2017 marque o início dessa sua caminhada vitoriosa em direção a um futuro exemplar.

 

 

Você foi bem. Agora é aproveitar as festas

December 21st, 2016

Como de costume, a segunda fase do Vestibular Unesp foi bastante equilibrada, rica em textos e conteúdos, tendo exigido de você um bom desempenho, tanto nas questões, quanto na proposta de redação. Não foram cobradas questões com dificuldade acima da média, nem houve enigmas a resolver, mas tão somente aquilo que um estudante egresso do ensino médio deve ser capaz de encarar com sua inteligência, formação e reflexão.

Agora há um período a aguardar, correspondente à correção e a confecção das listas de classificados. Você por certo estará numa delas e poderá iniciar seu curso, com vistas a uma formação bastante promissora.

A Unesp, de fato, está tão feliz quanto você, por ter sido capaz de levar todo o processo das provas com a máxima eficiência e sem deslizes. A responsabilidade de organizar e aplicar exames vestibulares é, de fato, algo verdadeiramente desafiador, que implica estratégias muitas vezes inovadoras, pois, à medida que o tempo vai passando e a globalização no ensino aumentando cada vez mais, o próprio processo de admissão de novos estudantes passa por fases e mais fases de aperfeiçoamento e sofisticação. O importante, porém, é sempre manter os exames adequados a selecionar os melhores candidatos para os cursos, vale dizer: fazer justiça, premiando aqueles que revelem ter feito o máximo esforço e o máximo sacrifício para ingressar na Universidade. Se você, deste modo, sentiu um grande alívio ao encerrar seus exames e verificar que fez o suficiente para passar, não tenha dúvidas de que a própria Universidade sentiu uma satisfação imensa de, mais uma vez, ter levado o processo do começo ao fim sem o menor deslize e com alta potencialidade de avaliação dos candidatos.

Quanto ao mais, aproveite as festas de fim de ano, relaxe e respire feliz: o caminho das pedras já passou, mas há ainda pela frente muitos caminhos, alguns mais tranquilos, outros muitíssimo difíceis, até você atingir sua completa e definitiva realização profissional. Boas festas e um excelente futuro. É o que a Unesp lhe deseja.

 

Três escorregadelas perfeitamente evitáveis

December 13th, 2016

Em suas respostas discursivas, bem como em sua redação, tome muito cuidado com certos lapsos que podem custar caro. Trata-se de exemplos que abundam na internet, pois o cuidado com o idioma parece não ter valor para muita gente que tem de fazer textos todos os dias e, ante o desmazelo geral dos informativos que surgem nos diferentes sites de notícias, imagina que a correção gramatical não é algo que se deva levar em conta.

Se você acredita nisso, por favor, mude de ótica. Em vestibulares, como você já verificou na leitura deste Blogue, há muita coisa que não se perdoa, tais como impropriedades no emprego de vocábulos, equívocos de concordância nominal e verbal, inconsistências ortográficas, etc., etc. O Blogueiro selecionou três casos que, ainda na semana corrente, detectou em textos de notícias na internet:

 

Paulo achava que a irmã deveria emprestar a quantia a ele e ficou zangado por ela não ter o feito.

O juiz declarou que, se o promotor trazer as provas, dará início ao julgamento.

A necessidade da administradora falar a verdade é inquestionável.

 

O primeiro exemplo é relativamente comum, pelo fato de muitos estudantes desconhecerem o emprego dos pronomes oblíquos átonos e suas variantes. Exemplo semelhante foi captado esta semana num site de notícias. Quem o escreveu, não está lá muito familiarizado com tais variantes, pois deveria ter observado a relação entre o verbo “ter” e o pronome átono “o”. A forma adequada, deste modo, seria:

Paulo achava que a irmã deveria emprestar a quantia a ele e ficou zangado por ela não tê-lo feito.

 

Está na hora de fazer uma revisão do emprego dos pronomes oblíquos átonos, não está?

Já o segundo exemplo, também comum na internet, é de ignorância da conjugação do verbo “trazer”. O modo em que está empregado o verbo é o subjuntivo no tempo futuro. Assim, em vez de empregar “trazer”, forma do infinitivo, deveria ter usado “trouxer”:

 

O juiz declarou que, se o promotor trouxer as provas, dará início ao julgamento.

Dicionários eletrônicos como o Aurélio e o Houaiss apresentam a conjugação completa de todos os verbos do idioma, sendo, portanto, imperdoável cometer um cochilo dessa monta, que fatalmente será penalizado.

Já o terceiro exemplo é um pouco mais problemático. De modo geral, as gramáticas ensinam que o sujeito não pode ser preposicionado, sendo, assim, errado falar ou escrever “o fato dela chegar”, “apesar da carta não ter chegado”,  “chegou o momento do lutador mostrar que é bom”, etc., etc.  Segundo esta perspectiva da tradição gramatical, tais exemplos deveriam ser alterados para: “o fato de ela chegar”, “apesar de a carta não ter chegado”, “chegou o momento de o lutador mostrar que é bom”. Deste modo, o exemplo encontrado pelo Blogueiro na rede deveria ser corrigido para:

 

A necessidade de a administradora falar a verdade é inquestionável.

 

Há aqui, porém, um probleminha: alguns estudiosos afirmam que não há erro no preposicionamento do sujeito em tais exemplos, já que muitos escritores fazem o mesmo. Seria, assim, um excesso de zelo baseado numa tradição que já está sendo ultrapassada. Neste caso, perguntaria você, Que fazer? Que forma empregar? Para o Blogueiro, como para o povo de modo geral, “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.” Que quer dizer com isso? Simples: se você empregar a forma que evita o preposicionamento do sujeito, nenhum corretor de redação poderá apontá-la como “errada”. Você estará ancorado na tradição. Se empregar a outra forma, vai que o corretor seja um purista e não a aceite? É melhor não arriscar.

Dá para concluir assim, plagiando o provérbio muito sutilmente criado pelo povo: Não arrisque! Petisque!

 

Segunda fase: o fantasma da redação

November 30th, 2016

O Blogueiro focalizou, no artigo anterior, o fato de que as questões da segunda fase e a redação constituem desempenhos discursivos. Isso quer dizer que tanto a resposta a uma questão, quanto a redação são textos fechados, portadores de um só sentido, para o qual convergem todos os elementos enunciados. Se a resposta a uma questão se dispersa, perdendo a unidade, sua nota está em perigo, pode até deixar de existir. O mesmo ocorre com uma redação: tem de estar com todos os seus elementos unidos, concentrados para um sentido final único. Se o autor da redação deixa que algumas partes surjam um tanto dispersas, sem maior relação com o conjunto, está colocando em perigo sua nota. Estas observações são muito úteis para apontar a forma de sua preparação. Isso foi bem colocado no artigo anterior. Você tem de sentir cada resposta como um todo, como uma redação completa e fechada em si mesma, livre de fantasmas gramaticais e textuais que possam assustar seu leitor.

Escreveu sua redação? Ótimo. Então leia em voz alta o que fez, para eliminar rebarbas, frases que pouco ou nada apresentem em relação ao conjunto, ou seja, em relação àquilo que você quer expressar por meio de sua argumentação. Esse é o caminho para seu estudo. Cada vez que fechar uma redação, releia-a com cuidado para verificar se tudo se harmoniza para alimentar sua linha argumentativa, de modo a tornar o final uma espécie de CQD, uma conclusão forte e convincente, que conquiste a adesão do seu leitor. Vale aqui observar que, diferentemente de outros vestibulares, a proposta de redação da Unesp não exige que você apresente um projeto de solução para o problema focalizado. Os problemas-temas são muitas vezes tão complexos, que nem mesmo especialistas conseguem apresentar soluções plenamente convincentes. Essa exigência, portanto, pode até prejudicar o candidato.

Os exames vestibulares da Unesp apresentam um problema-tema para que o candidato manifeste sua opinião a respeito, por meio de uma exposição argumentativa. Sendo isso bem feito, a nota será alta. Conhecer e apresentar opinião, este é o caminho. Quanto ao mais, nunca esquecer de respeitar a norma-padrão, as regras de acentuação e pontuação, tomando o maior cuidado para não empregar vocábulos impropriamente, vale dizer, com significado que não possuem, como é o caso clássico do uso de diuturno, que nada tem a ver com diurno. Consulte o dicionário hoje mesmo sobre o verdadeiro significado desta palavra. E verifique outras, sempre que tiver dúvida. Dúvidas funcionam como sinais de alerta, de perigo.

Um bom texto, assim, seja de questão discursiva, seja de redação argumentativa, não deve apresentar nenhum lapso dessa ordem. Isso tudo eu já estou careca de saber! poderá dizer você. Na verdade, é apenas força de expressão, não é? Você não está careca (ainda), mas poderá ficar, se continuar não considerando a redação como um conjunto que precisa ser vigiado o tempo todo, em seus mínimos detalhes, para evitar que deslizes menores constituam fatores de empobrecimento de sua argumentação.

Escreva bem e bem vigie, portanto, e se livre desses fantasminhas em sua redação.

 

Na segunda fase, tudo é discurso

November 23rd, 2016

Terminada a primeira fase do Vestibular Unesp 2017, você agora pensa seriamente na segunda. Que fazer? Como estudar?

Na verdade, você já estudou bastante e, em termos de conteúdos, está muito bem preparado. A principal preocupação, deste modo, deve ser o como preparar-se para uma prova que, formalmente, é bem distinta da primeira. Conscientize-se, portanto. A segunda fase é discursiva, tanto na redação, quanto nas respostas às diferentes questões.

Que significa isso? Em primeiro lugar, que a resposta correta não está à vista numa das alternativas. Não há alternativas. Você tem de extrair a resposta adequada do enunciado da questão e dos textos que eventualmente servem de base. Na questão objetiva, o elaborador faz a interpretação e aponta como resultado uma resposta correta entre quatro respostas erradas. Na questão discursiva, a interpretação é sua tarefa e você tem de expressá-la em resposta também discursiva,  correspondente ao próprio enunciado da questão.

Fica assim mais difícil? Não necessariamente. Na prova objetiva você pode até confundir-se, influenciado por uma das alternativas incorretas. Já na prova discursiva, correndo a interpretação por sua conta, a possibilidade de confundir-se é bem menor, ainda mais porque o elaborador tem de fornecer mais pistas no enunciado de cada questão. É preciso, porém, alguma cautela em escrever as respostas, pois você pode ter feito a interpretação adequada, mas falhar em sua expressão, vale dizer: descobrir o que pede uma questão, mas acabar criando uma resposta inadequada. Leia e releia, portanto, para verificar se conseguiu expressar-se com 100% de certeza em cada uma de suas respostas.

O que ficou dito nos parágrafos acima pode ser explicado pelo fato genérico de que escrever, como dizem muitos poetas, encerra várias armadilhas. Os autores de livros e outras publicações volta e meia têm de operar correções em segundas edições de seus próprios textos, por perceberem que acabaram, aqui e ali, não conseguindo dizer o que realmente pretendiam. O problema é que você não terá uma segunda edição: o que escrever será considerado pela banca a sua resposta. Isso deixa ainda mais clara a necessidade de revisar, para evitar que uma vírgula aqui ou uma palavra inadequada ali possam prejudicá-la ou torná-la improcedente. É, mas assim eu perderei muito tempo! poderá dizer você. Ora, trate por isso de treinar bastante para adquirir a velocidade necessária. Quando você cria uma resposta discursiva, é ao mesmo tempo escritor e intérprete.

Valeram estas observações? Então trate de preparar-se, criando uma técnica de revisão que lhe permita detectar sem maior perda de tempo lapsos e cochilos. Muitos profissionais da palavra costumam dizer que escrever é uma verdadeira luta por expressar-se a contento. Prepare-se, e vencerá essa luta, com toda a certeza.

 

Um belo casamento: raiz e alternativa

November 16th, 2016

Você por certo acredita que, conhecendo bem o conteúdo, não terá problemas numa prova objetiva para acertar todas as questões. Na verdade, não é bem assim. Pode haver uma pedra no meio do caminho, como diria o poeta Drummond de Andrade. E essa pedra, de fato, está na própria natureza e intenções das questões objetivas.

Ora, se resolver corretamente as questões se tornou uma verdadeira arte, também acabou se tornando uma verdadeira técnica, até com um pouquinho de arte, a elaboração de questões. Cada uma delas, de fato, tem a meta de avaliar o candidato quanto ao conhecimento de determinado conteúdo e, em certa medida, de conteúdos correlatos, vale dizer, da disciplina como um todo. A ideia é mais ou menos a do provérbio que reza: Por um dedo se conhece o gigante. Por isso mesmo não é tarefa fácil a elaboração de questões, já que o especialista tem de entender muito do conteúdo visado e entender muito mais ainda da forma de construção de cada pergunta. Neste caso, você, que estará prestando o exame, tem de também conhecer o conteúdo, mesmo que nem tanto quanto o especialista, e ter olhos aguçados para a estrutura de cada questão.

Uma questão objetiva é constituída de duas partes: um enunciado, que se costuma denominar raiz, e cinco alternativas, entre as quais uma, e apenas uma, fará casamento perfeito com tal raiz. Parece fácil, é só escolher a alternativa correta, pensam muitos, quando, na verdade, essa escolha se torna difícil, porque as alternativas erradas apresentam graus de proximidade e parecença com a correta, sendo muitas vezes difícil discernir qual  a que satisfaz plenamente ao solicitado na raiz. Aí é que reside o verdadeiro problema: para não produzir alternativas erradas que se denunciem facilmente como erradas, o que faria da questão uma brincadeira, os elaboradores criam alternativas destinadas, pela semelhança, a testar se o candidato realmente conhece o conteúdo. Justamente por isso, não se resolvem questões objetivas atropeladamente, mas depois de boa reflexão sobre o que poderia ser correto, mas não é, e o que é realmente, por preencher todas as aberturas fornecidas pela raiz.

Fugindo um pouco do tema das questões objetivas, o Blogueiro pode apresentar um exemplo singelo da própria gramática. Os chamados períodos interrogativos podem servir para uma compreensão fundamental. Em português, existem dois tipos de período interrogativo: o total e o parcial. O período interrogativo total é o que usamos para indagar sobre a totalidade de um fato, como, por exemplo: O Brasil é uma nação democrática? Há apenas duas possibilidades de resposta a esse período: afirmativa ou negativa, singelamente, sim ou não. Já o período interrogativo parcial implica a afirmação de um fato e o questionamento sobre uma parte desse fato: Quem abriu a porta? Observe que este período contém uma afirmação de um fato, ou seja, alguém abriu a porta, e a indagação sobre um dado desse fato, expresso pelo interrogativo quem.

Ora, basicamente, as questões objetivas são semelhantes em estrutura ao período interrogativo parcial: a raiz, ao mesmo tempo em que situa o conteúdo da questão, questiona sobre uma parte desse conteúdo não informada. O candidato, nesse caso, tem de ler com muita atenção tal enunciado e refletir sobre as possibilidades de completá-lo corretamente. A técnica de elaboração faz com que pelo menos três alternativas sejam muito próximas à correta, o que implica um esforço mental muito grande, além, é claro, do conhecimento do conteúdo, para distingui-las.

Percebeu? Ao resolver uma questão objetiva, não pense apenas nas suas intenções, mas nas intenções que a questão carrega. Não vá fazer um falso casamento, certo?

Boas provas! 

 

Troque a letra, mas troque bem!

November 16th, 2016

O Blogueiro já escreveu muitas vezes sobre ortografia. Não custa, porém, focalizar o tema sob outro ângulo.

O vestibular está próximo, é bom caprichar na colocação de acentos gráficos e de empregar as letras corretas em muitas palavras. Apesar de todo o esforço dos professores, desde as primeiras séries do ensino fundamental, muitos estudantes parecem não dar a mínima para a ortografia. Julgam que um s ou um ch em lugar de x ou a ausência de um acento gráfico necessário não têm a menor importância na escrita. Enganam-se redondamente! Uma trocazinha de nada, como costumam dizer, não fará grande diferença numa redação. Errado! Poderá fazer muita diferença. Vestibular é um fenômeno que se decide às vezes por centésimos ou milésimos.

Se você é desses que assim pensam, muita atenção e cuidado! Há certos equívocos de ortografia que podem perfeitamente ser sanados. Um exemplo: você sabe que sério assim se escreve; mas mutuo é sem acento ou com acento: mútuo? Claro que é com acento. E devemos escrever homogênio ou homogêneo? Se não sabe, verifique e descobrirá que se escreve com e. Muito cuidado também em escrever estas duas palavras e todas as demais terminadas em ps: bíceps, tríceps, fórceps, Quéops.

Ora, o povo costuma dizer crisantemo como palavra paroxítona, mas você sabe que deve escrever crisântemo, proparoxítona. Algumas pessoas costumam dizer azalea, mas você sabe que há duas variantes possíveis e corretas: azaleia e azálea. E qual a correta destas duas formas: gérmen ou germe? As duas, é claro. E não esqueça: quíchua se escreve com acento agudo sobre o i tônico. E atente bem para estas outras: clímax, cóccix, éden, flúor, íon, látex, ônix, ravióli, sílex, sótão.

Tome também cuidado com a ortografia de alguns singulares e seus respectivos plurais: pênsil (pênseis), pólen (pólens), têxtil (têxteis), túnel (túneis), rês (reses).

Você deve estar lembrado também que,. com a reforma ortográfica: escrevemos sem acento os paroxítonos: aleia, apoia, apoio, assembleia, epopeia, esferoide, estoico, geleia, heroico, odisseia, onomatopeico, ovoide, paranoico, sequoia, tipoia, tramoia, ureia, etc. E com acento os oxítonos ou monossílabos tônicos: aluguéis, anéis, anzóis, bacharéis, caracóis, carretéis, constrói, constróis, chapéu, cruéis, dói, escarcéu, faróis, girassóis, hotéis, lençóis, mói, móis, papéis, pincéis,  povaréu, réu, sóis, troféu, véu, etc.

Percebeu que nem é preciso decorar as regrinhas de acentuação, mas tão somente tomar por base os exemplos?

Para encerrar, tampouco esqueça: o acento circunflexo foi banido de palavras como: creem, deem, descreem, leem, preveem, releem, reveem, veem, abençoo, atotoo, coo, doo, enjoo, magoo, perdooo, reboo, revoo, voo, etc.

E, pelo amor de Deus! não vá brindar a banca de correção com um quizesse em vez de quisesse ou um análize em vez de análise ou, pior dos piores, um seje em vez de seja. Seria “tloca-letla” demais até para um leão ortográfico! Valeu? Então boa ortografia para você!

 

Cursos: entre o sonho e a realidade

November 16th, 2016

Um dos pontos que o Blogueiro gosta de ressaltar como conselho aos vestibulandos é o referente à escolha do curso. É comum, natural até, que a escolha do curso ocorra com base no que o estudante considera “sua” vocação. Este conceito de vocação, porém, é muito relativo. Não se pode dizer, exatamente, que uma pessoa tenha uma só vocação e, sem ela, seja como peixe fora d’água. Na verdade, todos temos tendências genéricas que apontam para mais de uma direção, vale dizer, para mais de uma vocação. E poderemos nos realizar com sucesso em todas elas, bastando para tanto a escolha, o empenho, a fixação de objetivos profissionais e a extrema dedicação. Você por certo estará pensando neste momento: É, mas meu sonho sempre foi escolher este curso. E não deixa de ter suas razões, mas é preciso refletir que as escolhas que fazemos na vida, em todas as oportunidades, nem sempre dependem apenas de nós, isto é, nem sempre são subjetivas, mas devem ser objetivas, levando-se em conta as circunstâncias da realidade. Em resumo, não somos apenas indivíduos, mas indivíduos no mundo, e nossas decisões serão sempre ponderadas em função de nossos desejos e do mundo que nos cerca.

Ora, o parágrafo acima é um lembrete do Blogueiro para o fato de que, sobretudo nos dias atuais e sobretudo no país em que vivemos, temos de ser um pouco menos sonhadores e um pouco mais lúcidos quando olhamos para a realidade. Se quisermos ter sucesso nessa mesma realidade, temos de levar em consideração suas características e condições atuais. Nosso país, você sabe,  — e se não sabe deveria saber — enfrenta sua pior crise econômica e de desenvolvimento. O Blogueiro comentou esse fato em um dos artigos anteriores. Há milhões de pessoas desempregadas, entre as quais muitos profissionais formados por universidades, muitas empresas fecharam as portas, hospitais deixam de atender pacientes por falta de verbas, os governos federal e estaduais se vêm às voltas com carência de recursos financeiros, etc.,  etc.  Isso se deve a administradores não muito eficientes e a reflexos de crises econômicas mundiais. Como escolher nosso futuro profissional em meio a tal panorama confuso e até mesmo assustador?

Este é o ponto. Para o Blogueiro, todas as opções de estudo e de trabalho futuro têm de levar em consideração esse panorama, sob risco de incidir em escolhas erradas. Traduzindo: quando você escolher o curso universitário que quer fazer, tem de se perguntar sobre a realidade atual, verificar o que dizem os profissionais a respeito do que estão passando e inclusive quais as perspectivas de uma boa remuneração quando chegar a sua vez. É preciso analisar também quais estão empregados e quais não estão. Se verificar que aquela atividade não oferece, no momento, as condições com que sonha e com que constrói, em seus sonhos, o seu futuro, talvez seja o caso de pensar uma, duas, três e até mais vezes a respeito e examinar outras possibilidades profissionais com as quais tenha empatia.

Percebeu? É possível unir o sonho à realidade para fazer escolhas sensatas, promissoras, que poderão lhe garantir o que mais deseja na vida: sucesso profissional, tranquilidade pessoal, além da possibilidade de, com o seu trabalho, auxiliar o seu país a suportar as repercussões das crises mundiais que, a julgar pelo que ocorre hoje, irão surgir com muito mais frequência do que ocorriam no passado.

Esta é a verdadeira opção entre sonho e realidade, e não se refere apenas a vestibulares, mas a todo tipo de ocupação profissional que uma pessoa pretende planejar hoje, do trabalho autônomo ao estabelecimento de uma pequena empresa.

Para encerrar: sonhe, sonhe muito, mas também muito pense e analise. O risco de enganar-se, assim, ficará bem menor. Valeu?

 

Cuidado com o que contém o conteúdo

November 16th, 2016

Você por certo já deve ter lido em jornais e na internet a questão da manifestação de opinião própria em redações de vestibulares e de concursos. Já leu? Então, sabe que deve tomar bastante cuidado para não estragar todo o seu esforço de anos de estudo, apenas por teimar em manifestar certo tipo de opinião. Ultimamente alguns artigos focalizaram esse problema, que por si só é capaz de anular uma redação. Se não atinou com o que está o Blogueiro comentando, preste bem atenção. No conturbado planeta em que vivemos hoje ocorre de tudo: dissensões religiosas, políticas, exploração, conflitos, guerras, corrupção, terrorismo, etc., etc. Para adquirir opinião própria sobre esses assuntos é preciso muita leitura, muito estudo, muita reflexão. Não é sair por aí dizendo coisas que não foram muito bem aprendidas, pensadas e ponderadas.

Certo vestibular, por exemplo, não considera aceitáveis opiniões que atentem contra a liberdade dos indivíduos e a democracia,  ou façam apologia dos regimes totalitários, do terrorismo, da desvalorização da vida humana. “Isso é um abuso!” você poderá dizer, e completar: “Tenho direito de manifestar minha opinião, qualquer que seja! Basta escrever bem essa opinião para merecer nota.”

Não é bem assim. Você talvez tenha até um pinguinho de motivo para sua reclamação. A questão, porém, neste ponto, passa do plano teórico para o plano prático: se alguns vestibulares anulam e zeram redações que defendam, por exemplo, o terrorismo, a questão não é reclamar, mas simplesmente entender que não se pode arriscar ter a redação zerada devido à teimosia em negar os valores da ética, da democracia, da liberdade de todos os seres humanos na face da terra. Há outros lugares, atividades e circunstâncias para você discutir suas opiniões mais radicais.

À margem de tudo o que disse o Blogueiro, entenda que a História da Humanidade é a história da cooperação, da busca dos valores éticos, da compreensão entre as pessoas, os grupos humanos, os povos e as nações em geral. Alguns indivíduos, ao longo da História, ignoraram tais valores e cometeram crimes em massa, genocídios, atentados contra a própria humanidade, mas não conseguiram mudar o rumo com que os homens continuam buscando o estado de convivência ideal, que tem por base a colaboração, a amizade e o próprio sentimento do amor entre as pessoas e os povos. É o que vale. Todos sonham com uma sociedade sem ódios, sem perseguições, sem crimes.

Seja, portanto, muito cuidadoso ao pensar, refletir e escrever. E nunca negue que o verdadeiro norte da humanidade é o da compreensão e do amor. Você nasceu e cresceu alimentado por esses valores, numa sociedade pacífica, ordeira, que busca ser cada vez melhor para todos os indivíduos.