Sinônimos: use e abuse!

September 28th, 2017

Você por certo já fez muitos exercícios com sinônimos, desde o ensino fundamental. Os professores, acertadamente, o levaram a ver que, em vez de repetir desnecessariamente uma mesma palavra, podemos empregar outras que apresentam o mesmo ou quase o mesmo valor no contexto.

Esta é a questão: o mesmo ou quase o mesmo? Uma professora de linguística muito radical ralhou certa vez com o Blogueiro, que havia falado em sinônimos: Sinônimos não existem! disse ela, como quem encontra um menino roubando biscoitos da lata. O Blogueiro ficou ofendido pelo modo da repreensão e, para não deixar por menos, retrucou: Sim, mas nós os empregamos diariamente!

É claro que a professora tinha certa razão: não existem duas palavras com exatamente, 100%, o mesmo significado. Mas o Blogueiro também tinha parte da sua: em nosso uso tanto oral quanto escrito da língua, vivemos substituindo umas palavras por outras, sem que isso cause grandes males à nossa comunicação. Ao contrário, o emprego da sinonímia serve para evitar repetições que, ao fim e ao cabo, tornariam um texto muito fastidioso, de cansativa leitura.

O estudioso luso Rodrigues Lapa, em seu manual de Estilística Portuguesa, chama atenção para o fato de que há, entre os vocábulos que consideramos sinônimos, diferenças de sentido maiores ou menores. Exemplifica ele com a série: belo, lindo, formoso, bonito em exemplos como:

 

O lutador ergueu-se, belo como uma estátua.

Eram duas raparigas, qual delas a mais formosa.

Simples e linda, a noiva saía da igreja.

Laura trazia um bonito vestido de seda azul.

 

Evidentemente, examinando à primeira vista, notamos que entre estas quatro palavras as diferenças de significação podem ser maiores ou menores, particularmente nas frases dadas. Isso significaria que não podem ser usadas como sinônimas? Nada disso. Significa apenas que em determinadas frases ou contextos, podemos usar umas pelas outras, sem grande prejuízo de significação, mas até com ganhos expressivos. O mesmo se pode dizer para outra série, como casa, residência, lar, domicílio, morada, moradia. Cada uma delas tem sua própria característica e até domínio de uso, mas a grande semelhança de sentido permite alterná-las em muitos contextos. Se queremos ressaltar o aspecto afetivo, dizemos: meu lar; se o aspecto particular: minha casa; se o aspecto jurídico: meu domicílio. Essa possibilidade de alternância é provocada por outro aspecto importante da língua: o acúmulo de usos e significados por uma palavra. Observe o exemplo fornecido por Lapa:

 

A cabeça é a parte superior do corpo.

Toda gente o louva: é uma grande cabeça.

Sabia de cabeça todos os versos do poema.

Ele vinha à cabeça de todos os concorrentes.

Essa vila é a cabeça da comarca.

Pagaram dez tostões por cabeça.

Feriu-se na cabeça do dedo.

O cabeça da conspiração foi aprisionado.

Isso não tem pés nem cabeça.

Deu-lhe agora na cabeça fazer versos.

Cada cabeça, cada sentença.

Então perdeu por completo a cabeça.

 

Deu para notar? Em cada frase, a palavra cabeça assume um sentido diferente, demonstrando a riqueza semântica da palavra. Isso ocorre com muitíssimas outras palavras do idioma, o que abre campo imenso para a conquista de expressividade, tal como ocorre com o emprego dos sinônimos.

Os grandes escritores são muito hábeis, de fato, no emprego dos sinônimos, sabendo o que extrair, em  termos expressivos, de cada exemplo. Mire-se no exemplo deles e passe a observar melhor seu texto, evitando repetições desnecessárias, buscando palavras mais adequadas ao contexto de cada frase que usa. Isso ajudará em muito a tornar-se mais que um mero redator, mas o tornará um escritor capaz de produzir soluções criativas. Para começar, em cada um dos doze exemplos de emprego de cabeça, acima fornecidos, busque substituir esta palavra por outra ou por expressão equivalente. Experimente.   

 

 

Vestibular é uma tarefa normal

September 22nd, 2017

Muito se fala sobre o que significa o vestibular em termos pessoais? Para alguns, é um momento ímpar, é o momento de suas vidas. Para outros, é apenas uma tarefa a mais ao longo das muitas que teve e ainda terá. A primeira atitude é bastante emotiva; a segunda, bastante ponderada. Com qual você ficará? É melhor assumir a segunda hipótese, menos dramática que a primeira.

É claro que isso tem muito a ver com sua personalidade, vale dizer, sua maior ou menor propensão a observar os fatos por meio dos filtros da emoção ou da razão. O Blogueiro decidiu focalizar este tema hoje, pelo fato de ter verificado, nas referências que se fazem na rede sobre vestibulares, haver um certo exagero, que pode até ser prejudicial aos vestibulandos.

É claro que cada candidato observa e sente os vestibulares de um modo distinto. O problema é saber se, bem colocado e orientado, pode alterar esse modo de observar e sentir para um nível em que não possa haver prejuízo em seu desempenho. Isso equivale a dizer que todas as atitudes que assumimos sobre os vestibulares têm de fazer também parte de nosso método de estudar e de prestar as provas. Ora, se você é muito emotivo, não pode deixar de preparar-se antecipadamente para assumir o controle, procurando reduzir ao máximo a possibilidade de a emoção atrapalhá-lo no decorrer dos exames. Não deve atrapalhá-lo, aliás, no decorrer de seus próprios estudos. Mude sua visão, passe a considerar os exames como um fato normal, que poderá até se repetir, caso não seja aprovado na primeira vez. Não deve ser considerada anormal a reprovação numa primeira vez. Trata-se de uma ocorrência corriqueira. Claro que é desagradável não ser aprovado, mas a consideração dessa possibilidade não deve ser motivo de qualquer reação emocional antecipada.

O contrário também é verdadeiro: ausência total de emoções pode ser também fator prejudicial, já que implica excessivo desprezo pelos riscos e pelas possibilidades de erro. Prestar vestibulares como quem apenas está se divertindo, fazendo por fazer, levará fatalmente a aumentar os riscos.

O ideal, portanto, é saber equilibrar-se entre a razão e a emoção, de modo a assumir uma atitude tranquila, calma, ponderada. Estar ciente de que vai resolver uma tarefa normal, uma das muitas tarefas que ainda terá de resolver ao longo da vida.

 

 

 

Rimas e repetições: um horror!

September 15th, 2017

O Blogueiro vem insistindo, nos artigos que posta, em aspectos estilísticos da redação. Observa sempre que não basta escrever de acordo com a norma-padrão, nem tampouco conforme as regras de ortografia e de gramática. Escrever vai muito além dessa base, requer cuidados com o estilo de quem cria o texto. Os grandes escritores são justamente aqueles que se distinguem por dominarem um estilo, um modo muito particular e pessoal de elaboração do texto, quer na criação dos períodos, quer na organização destes em parágrafos, quer nas escolhas vocabulares que faz.

Pois você tem também seu modo próprio de escrever, ou seja, seu estilo, que requer cuidados muito especiais e se vai elaborando e enriquecendo ao longo do tempo e de seu hábito de criar textos.

Que quer dizer, afinal, o Blogueiro? Muito simples: que um texto pode estar correto sob diferentes aspectos gramaticais e de coesão textual, mas ainda pode não estar satisfatório sob o ponto de vista estilístico. Observe, abaixo, um exemplo que um velho professor sempre apresentava, ao manifestar-se a seus alunos sobre o assunto:

 

Cruz! Faltou a luz quando eu propus a solução que não reduz a produção.

 

É claro que todos os alunos (o Blogueiro entre eles) riam bastante, em função do exagero da frase apresentada, que está cheia de rimas. Alguns alunos diziam que jamais diriam ou escreveriam uma frase como aquela. Será? Na verdade, o que o velho professor queria alertar era simples: o perigo que a língua portuguesa apresenta em função do grande número de palavras terminadas em –uz, -us e em -ão. Essa profusão de vocábulos nos faz cair muitas vezes em armadilhas como a que gerou o exemplo apresentado. O português, além disso, possui também numerosas palavras terminadas em –ente, -ida, -ido, -indo, -ando, -endo, etc., etc. Cair na armadilha dos ecos e das rimas, por isso, é muito fácil. Todo o cuidado é pouco para evitar essas repetições que empobrecem estilisticamente nosso texto.

Você poderá dizer que isso não acontece mais hoje. Claríssimo que acontece. O Blogueiro escreveu este artigo exatamente por ter sido provocado pela leitura de notícias de jornais publicadas na rede. Observe os dois exemplos abaixo, encontrados nos últimos dias (algumas palavras foram mudadas, para evitar reclamações):

 

Acompanhou, par e passo, cada passo do andamento dessa operação.

De propriedade do empresário, que também foi denunciado, a indústria foi, segundo o promotor, o canal utilizado para receber e distribuir a propina.

 

Notou? Na primeira frase, o jornalista, para mostrar competência no escrever, se deu ao luxo de empregar a locução par e passo, quando deveria empregar pari passu, expressão latina que significa simultaneamente, a passo igual. E escorregou também ao empregar novamente a palavra passo na sequência, o que criou um eco indesejável. Com um pouco mais de cuidado, perceberia que poderia substituir pari passu por a passo igual ou por simultaneamente, ao mesmo tempo. Ou então deixar pari passu e substituir cada passo por cada fase.

Já na segunda frase, temos a repetição indesejável e desnecessária da forma verbal foi, quando seria muito fácil substituir que também foi denunciado por também denunciado, o que deixaria até mais leve a sequência. E assim poderiam ser feitas outras modificações para evitar o eco entre as duas formas verbais. Note também a rima entre denunciado e utilizado, que poderia ser evitada com a substituição de uma dessas duas formas por outra com diferente terminação.

Pois é. O Blogueiro tem certeza de que você entendeu direitinho os recados: primeiro, evitar repetições desnecessárias, que geram ecos e rimas em seu texto; segundo, não tentar demonstrar competência no emprego de certas expressões, particularmente de origem latina, se não tem plena certeza do que está fazendo.

Conclusão: ter estilo não significa exibir-se, mas ser autêntico, fazer com que seu texto reflita exatamente quem você é. Valeu?

 

Pontuação: não invente problemas

September 11th, 2017

Vocêjáteveproblemascomossinaisdepontuaçãoporcertotrata-sedeumaspecto importanteparaaclarezadodiscursovaledizerparaqueosleitoresdenossostextosnãotenham dificuldadedeentendernossamensagem.

O parágrafo acima parece um pouco confuso, não parece? Claro que sim. O Blogueiro o fez assim, retirando os espaços entre os vocábulos, as maiúsculas que marcam início de período e os sinais de pontuação, para que você perceba, de um modo brincalhão, mas didático, como são necessários tais expedientes para a compreensão dos textos escritos. Então observe como deveria ter sido escrito o parágrafo:

Você já teve problemas com os sinais de pontuação? Por certo. Trata-se de um aspecto importante para a clareza do discurso, vale dizer, para que os leitores de nossos textos não tenham dificuldade de entender nossa mensagem.

Percebeu? Pois é. Então não duvide de que tal forma de sinalização foi criada com objetivos bastante lógicos. Em primeiro lugar, os espaços servem para distinguir entre si os vocábulos, o que facilita tremendamente a compreensão ao longo da leitura. Em segundo lugar, os sinais de pontuação identificam orações (por meio da vírgula ou do ponto-e-vírgula) e períodos (por meio do ponto). As iniciais maiúsculas, neste segundo caso, auxiliam a pontuação, marcando inícios de períodos. Resultado: nosso leitor tem seu trabalho de leitura e interpretação de nosso texto bastante facilitado, evitando-se a dificuldade e a confusão do exemplo inicial deste artigo.

Claro que você entendeu. Então note que, mesmo aparentemente desprezíveis, os espaços entre palavras são absolutamente necessários. Mais ainda quando você redige com uma caneta. Aceite, deste modo, um conselho: procure deixar os espaços bastante claros; não caia na armadilha de escrever as palavras juntinhas, com um mínimo de espaço, porque a tensão de uma prova pode fazer você unir sem querer duas palavras e gerar uma terceira que nada tem a ver com o seu texto. Um exemplo forjado com base no quarto parágrafo deste artigo, suprimindo-se um dos espaços entre vocábulos e, sem querer, gerando um inexistente: Então não duvide de quetal forma de sinalização. Sem querer (por hipótese), o Blogueiro, ao suprimir o espaço, criou o vocábulo quetal. Imagine o que poderia acontecer em qualquer outro caso, até mesmo a produção de um vocábulo vulgar ou uma palavra de baixo calão. Perigoso, não?

Outro problema é usar sem muito controle o ponto-de-exclamação. Alguns estudantes apanham a mania de terminar períodos com esse sinal, o que tumultua seu discurso. Não esqueça: o ponto-de-exclamação serve para sinalizar emoção, sentimento, na expressão do período. Então, use-o com moderação, sobretudo em um texto dissertativo, em que se requer lógica, raciocínio, argumentação. Isto vale também para o emprego de reticências: cuidado com elas. Melhor até não empregar em texto dissertativo.

Finalmente, não descuide de marcar os inícios de período com inicial maiúscula da primeira palavra. Trata-se de um erro reprovável, porque perturba o fluxo da leitura, fazendo o leitor parar, em dúvida.

Valeram os alertas? O Blogueiro acha que sim. O principal objetivo dessas formas sinalizadoras é a facilidade e clareza da leitura. E é exatamente isso que você pretende da banca de correção.

 

Livre-se dos coloquialismos

September 1st, 2017

Um dos problemas que mais incomodam quem escreve é a presença indevida de coloquialismos. Você sabe que deve seguir, em suas respostas a questões discursivas e na redação, a norma-padrão da língua portuguesa, vale dizer, o modelo de discurso, também chamado formal, que é utilizado nas escolas, na universidade, nas comunicações pela mídia, etc., etc., em todo o território nacional. Seus professores, desde o ensino fundamental, utilizaram a norma-padrão para que você, com o tempo, também se acostumasse a utilizá-la. Já a utilização coloquial da língua ocorre nas conversas informais, em casa, com os amigos, em todas as situações de utilização do discurso em que a formalidade seja desnecessária. O discurso coloquial, assim, não tem compromisso com a norma-padrão. Está errado, então? Claro que não. É apenas uma outra forma de utilização da língua, uma utilização informal, descompromissada. Erro, sim, será empregar termos e soluções do discurso coloquial no discurso formal, regido pela norma-padrão. Não é, portanto, um erro gramatical, mas um lapso de utilização indevida de um elemento lá onde deveria ser utilizado outro.  Algo como um jogador do São Paulo voltar para o segundo tempo com a camisa do Palmeiras.

Você sabe disso, pois seus professores do ensino médio e dos cursos preparatórios fizeram muitas exposições a respeito, sobretudo no ensino e na prática de redação. Devem ter-lhe dito também que os coloquialismos são bastante insidiosos, razão por que volta e meia se insinuam em suas redações e respostas discursivas. É preciso, deste modo, ter bastante cuidado com eles, para evitar que uma penalização possa por em perigo sua aprovação no vestibular.

Coloquialismo com que devemos tomar muito cuidado, por exemplo, é o do emprego do verbo ter com o sentido de existir. Os professores gostam de citar a frase Felicidade é algo que não tem como um desses exemplos insidiosos. A norma-padrão impõe, nessa frase, o emprego do verbo haver: Felicidade é algo que não há. Você poderá até gostar mais, como gosta o Blogueiro, da primeira frase, mais ainda inserindo a palavra coisa: Felicidade é coisa que não tem. Bonitinho, não é? Claro que é, mas no seu devido lugar, na comunicação ordinária, familiar, popular. Não numa redação de vestibular.

Outro coloquialismo perigoso é a gente. Utilizamos muitíssimo essa expressão de valor pronominal em nossas conversas diárias, descompromissadas: a gente vai, a gente quer, a gente não entende o que aconteceu, etc., etc. De tão empregada, nem mesmo a pronunciamos de um só modo: dizemos a gente, a genti, a enti, enti. Não acredita? Então comece a reparar como seus familiares, amigos e o povo em geral a pronunciam. Perceberá que o Blogueiro sabe das coisas. Pois bem, em suas redações e respostas discursivas, basta empregar o pronome nós: nós vamos, nós queremos, nós não entendemos o que aconteceu, etc., etc.

Tão enganador quanto os dois exemplos dados é o de uso da palavra tipo para expressar comparação: Essa sensação é tipo uma dor de estômago. Era um aparelho tipo celular. Era um animalzinho tipo um ratinho. Observou bem? O uso de tipo em todos esses exemplos é para expressar uma semelhança ou parecença. Seu emprego já está muito disseminado coloquialmente em nosso país, o que não o torna adequado à norma-padrão. Deve ser evitado inclusive numa entrevista para obtenção de estágio ou emprego, pois será fatalmente considerado indicador de pobreza de vocabulário e discurso. A língua portuguesa nos fornece muitos recursos para eliminar tal uso impróprio e empobrecedor: É uma sensação semelhante à dor de estômago, Era um aparelho parecido com um celular, Era um animal muito semelhante a um ratinho.

Percebeu? Então trate de fazer uma visita a sites que focalizam as diferenças entre o discurso coloquial e o discurso formal. Você irá aperfeiçoar mais ainda sua capacidade de expressão e evitará que estes e outros traiçoeiros usos coloquiais prejudiquem suas provas.

 

Redações pré-fabricadas

August 30th, 2017

Desde que as redações voltaram aos vestibulares, na década de oitenta, alguns cursos preparatórios passaram a dedicar-se a ensinar certos lugares-comuns ou chavões de início ou de final. Os candidatos recebiam informações sobre como começar um texto com tais chavões: desde a mais remota antiguidade, desde o princípio dos tempos, desde tempos imemoriais, desde que o homem é homem, etc., etc. Assim também para os parágrafos finais: como esperamos ter demonstrado, como ficou claro com a argumentação apresentada, como se pode concluir, como consequência dos argumentos aqui apresentados, etc., etc. E assim por diante.

Ensinamentos válidos? Nem um pouco. As bancas corretoras, formadas por especialistas e bem treinadas, logo detectaram tais subterfúgios, penalizando seu emprego. E os candidatos foram percebendo que até mesmo expressões como as exemplificadas têm de surgir por justificativa dos próprios textos, e não como ornamentos inúteis e, de certo modo, até ingênuos.

Ora, na atualidade, artificialismos como esses voltaram a ser ensinados. Alguns sites de vestibulares vêm focalizando uma questão bastante interessante com respeito aos vestibulares: o das chamadas redações pré-fabricadas, ou seja, redações que o candidato traz com a estrutura quase pronta, devendo apenas preencher com a abordagem do tema solicitado no vestibular que está prestando.  É uma questão de vivacidade do candidato inserir no esquema pré-fabricado o desenvolvimento do tema proposto. Segundo se comenta, alguns candidatos se vangloriam por haver “dado certo” a estratégia.

A pergunta que se impõe, nesse caso, é o que permite que o sistema de redações pré-fabricadas esteja dando certo? Muito simples a resposta: não está dando certo nos vestibulares que têm por princípio variar não apenas as propostas, mas as áreas de conhecimento ou de experiência donde são extraídos os temas. Nestes, não há como prever esquemas para as redações: os candidatos têm de criar um desenvolvimento de texto original. Todavia, naqueles vestibulares que extraem seus temas anualmente de uma mesma área de conhecimento ou de experiência, a pré-fabricação pode render muito. Por quê? Porque, quando os temas apresentam ano a ano tal parentesco, podem ser submetidos a um esboço de desenvolvimento antecipadamente preparado. Assim, por exemplo, vestibulares que todos os anos abordam problemas sociais, naturalmente solicitando dos candidatos uma proposta de solução, anunciam por si mesmos uma linha de desenvolvimento do texto, facilitando a utilização de um esquema, algo como um instrumento de mil e uma utilidades.

Muita atenção, porém, porque, ao perceberem o novo truque, a partir de agora as universidades tomarão ainda mais cuidado não apenas com a correção, mas também com as propostas de redação,  justamente para evitar o uso desses suspeitos recursos.

O melhor caminho é e sempre foi aprender a redigir adequadamente, Quem o segue, nunca vai precisar de se socorrer a artimanhas. E levará a capacidade de bem redigir por toda a sua vida. Pense bem nisso!

 

Sou bom pra burro!

August 21st, 2017

Pesquisas realizadas em todos os continentes e constantemente repetidas mostram que, mesmo em países muito desenvolvidos, nem sempre boa parte dos habitantes demonstram formação suficiente para apresentar cultura superior. Ao contrário, muitas vezes revelam que pouco sabem do próprio país em que vivem, e mais ainda das demais regiões da Terra e do próprio universo. Muitas pessoas, nesses lugares, quando alguém lhes pergunta sobre o que sabem a respeito do Brasil, por exemplo, só respondem com noções vagas e grosseiras, tais como futebol, carnaval e mulheres bonitas. Por vezes, nem imaginam em que regiões do globo ficam o nosso e outros países. A formação escolar, nesse caso, não lhes deu mais que um precário verniz, uma verdadeira ilusão de cultura.

Essa forma de ignorância cultural, todavia, não é privilégio dessas nações, mas também nos atinge. Em programas de televisão, sempre que se fazem enquetes sobre determinados assuntos, verificamos que boa parte das pessoas não denotam adequado conhecimento do mundo nem tampouco noções elementares sobre arte, literatura, ciência, filosofia, geografia, história, biologia, física, química, etc., etc. Todas estas disciplinas, porém, são focalizadas nos ensinos fundamental e médio, obrigatórios para os jovens brasileiros.

Esta é a introdução necessária do artigo aqui postado: Sou bom pra burro. Trata-se de uma expressão popular que é usada figuradamente por alguém que quer revelar grande qualidade ou capacidade em uma profissão ou área de conhecimento ou atividade. Dizer Fulano de Tal é bom pra burro é reconhecer tal qualidade. Uma das publicidades do dicionário Aurélio, aliás, serviu-se dessa expressão como slogan, fazendo trocadilho com o duplo sentido, literal e figurado: Bom pra burro.

Ora, afinal, que têm a ver o vestibular e o vestibulando com isso? Muito. Muitíssimo. Qualquer pessoa reconhece que, para alguém ser aprovado em vestibular de universidade pública, tem de ser bom pra burro, vale dizer, dominar conteúdos que fazem parte do programa e demonstrar nas provas alto índice de rendimento. Mas para que tanta prova? pergunta-se muitas vezes o próprio vestibulando, e completa: Não seria mais lógico fazer as provas sobre conteúdos que envolvam o curso que pretendo fazer, e apenas ele?

Não. Não seria, mesmo que o candidato fosse bom pra burro em tais conteúdos. As questões exigidas em exames vestibulares pretendem saber se assimilou adequadamente o que lhe foi ensinado ao longo dos ensinos fundamental e médio, seja em termos cienfícos, seja em termos culturais. Não se avaliam particularidades, mas formação integral. Já por isso são exigidos, por exemplo, conteúdos de Filosofia. É impensável que um formando do ensino médio não domine noções básicas de Filosofia e não tenha aprendido a examinar problemas que exigem reflexões de ordem filosófica.

E aqui se revela a conclusão: se o candidato tem de se mostrar bom pra burro para ser aprovado em vestibular, tem também a obrigação de continuar sendo bom pra burro ao logo do curso superior e, mais ainda, de sua trajetória profissional depois de formado. Um engenheiro não pode ser apenas um engenheiro, tem de ser um cidadão culto, conhecedor dos problemas de toda ordem que envolvem o Brasil e o mundo; tem de saber apreciar uma obra de arte (pintura, escultura, música, literatura, etc.), tem de assumir opiniões políticas, filosóficas, estéticas, científicas; tem de acompanhar os desenvolvimentos e inovações da tecnologia, com perfeita noção sobre o seu alcance para o presente e para o futuro; tem de saber olhar a seu redor a própria sociedade e compreender suas carências; tem, enfim, de contribuir na sua medida para que a humanidade encontre o caminho da paz, da justiça, da igualdade e da fraternidade entre as pessoas e os povos. É desse homem que o século XXI necessita.

Tarefa impossível? Grande demais para uma só pessoa? Sim, mas possível desde que cada pessoa dê sua contribuição, por pequena que seja, para tal. Um indivíduo que vive voltado apenas a seus próprios objetivos e interesses, divorciado de preocupações com a comunidade que o cerca e lhe dá respaldo, não vive realmente em sociedade. Vive numa ilha de egoísmo e isolamento.

É isso aí. Ser apenas um profissional bom pra burro, mas destituído de maior formação cultural e apagado como cidadão não é suficiente. O mundo atual precisa, como jamais precisou, de indivíduos bons para toda a humanidade e a civilização.

 

 

 

Estudo e tecnologia: computadores, tablets, celulares

August 11th, 2017

Evidentemente, você tem hoje ferramentas eletrônicas que os vestibulandos do passado não possuíam: seja com um computador, um laptop, um tablet ou um celular, você pode ter acesso a sites e mais sites sobre disciplinas, conteúdos, simulados, etc., etc. Os estudantes antigos só contavam com apostilas, livros e aulas. Embora isso pareça uma desvantagem dos antigos, na realidade, dependendo dos métodos de estudo por eles utilizados, poderia ser vantagem. A questão se resumia, deste modo, a utilizarem da melhor forma possível os instrumentos que possuíam. O povo tem um provérbio para isso: Quem não tem cão, caça com gato.

Esse provérbio serve também para extrair uma boa lição no presente: mesmo com todos os recursos modernos, muitos estudantes não conseguem atingir o índice necessário de conhecimentos para passar no vestibular. Conclusão lógica: não adianta ter melhores ferramentas, se não souber utilizá-las, ou se não quiser utilizá-las em toda a sua potencialidade, ou, ainda, se os concorrentes as utilizarem com mais eficácia do que você. O aparato eletrônico, portanto, não funciona por si mesmo como um salvador da pátria. É preciso elaborar um método de estudo que o torne utilizável para o aumento e domínio dos conhecimentos. E esse método pode ser diferente para cada estudante, conforme suas características pessoais e, por assim dizer, sua personalidade.

O que é preciso ter em mente, logo de início, é que tudo o que se pretende saber de qualquer área de conhecimento pode ser encontrado hoje na internet e acessado até pelo seu celular. O conhecimento está lá, portanto, como o ouro em uma jazida. A questão é saber como extrair o metal precioso. Se você verificar os sistemas de extração de minérios preciosos, constatará que são variáveis, de acordo com a natureza da jazida e também da tecnologia utilizada para explorá-la. O conhecimento, na rede, é bastante semelhante: você precisa descobrir o melhor sistema para explorá-lo com rapidez e produtividade. Como fazer isso?

A resposta é inteiramente sua. Você completou o ensino médio, em que adquiriu e consolidou conhecimentos. Mas sabe que só isso não será suficiente. Mesmo que frequente curso pré-vestibular, nem todo o conhecimento faltante lhe será propiciado. Aí é que entram os recursos da internet.  Que fazer para melhor utilizá-los? Reflita sobre seu modo de ser, sua maneira de estudar e sobre suas principais dificuldades antes de procurar tais recursos. Se está na terceira série do ensino médio ou já formado frequentando um cursinho, estabeleça a melhor maneira de entrosar os conhecimentos via rede com os que você recebe em aula. É o que se denomina racionalização do trabalho, ou seja, o estabelecimento de um plano de uso das informações que recebe em aulas, lê em apostilas e livros e encontra em sites de estudos e de vestibulares na rede.

Estas atitudes preliminares evitarão que seu estudo se torne um tanto caótico, apontarão o melhor caminho para fixar seu próprio método de abordagem  e farão com que se direcione de modo mais tranquilo e descontraído para os exames.

E nunca se esqueça de que o mais importante, quando se estuda, não é a quantidade, é a qualidade. Estudar com qualidade significa fixar os conhecimentos obtidos e dominá-los de tal modo, que possa resolver grande número de questões a respeito. Nesse rumo, você conseguirá fixar também seu próprio método de utilização das ferramentas eletrônicas.

É isso aí. A tecnologia não surgiu para para fazer milagres, nem tampouco para criar dificuldades, mas para facilitar as ações em nossa vida. Extraia dela, com jeitinho, tudo que lhe for necessário para atingir seus objetivos.

 

Seu fraco, seu forte

August 3rd, 2017

O homem é marcado por suas preferências. Uns gostam mais de doces, outros mais de salgados; uns adoram esportes, outros odeiam; uns são “vidrados” em viajar, outros preferem o sossego de seus lares. Diz-se comumente que as preferências de uma pessoa revelam a sua personalidade, o seu temperamento. Seria verdadeiro?

Talvez até seja. As preferências marcam até mesmo os nossos estudos. Dificilmente gostamos do mesmo modo e com a mesma intensidade de todas as disciplinas ou, mesmo, de todos os conteúdos de uma disciplina. Há quem prefira a Matemática ao Português, a Geografia à História, a Álgebra à Geometria, ou vice-versa. Tais preferências podem resultar de nossos talentos naturais, ou até mesmo da influência de professores ao longo dos ensinos fundamental e médio. O Blogueiro costumava ter dificuldades com a Álgebra, mas ia muito bem na Geometria. A explicação que sempre dava era de que a Geometria lhe parecia fácil e atraente porque lhe permitia “ver” o que estudava, ao passo que a Álgebra, com todas aquelas letras, parênteses, chaves e trocas de sinais lhe causava confusão permanente, era uma persistente pedra em seu sapato. Só aprendeu a gostar de Álgebra em anos mais avançados, na universidade, quando teve de lidar com problemas que a exigiam. Aí, passou a entender melhor e até a gostar.

E você? Se gosta de todas as disciplinas sem restrições, está de parabéns. Foi aquinhoado com um belo dom da natureza. Mas se tem alguma ojeriza por esta ou aquela disciplina por não conseguir nelas maior rendimento, não se preocupe, não é lá tão grave problema, desde que você saiba equacioná-lo. O primeiro aspecto que deve observar é como encaixar a disciplina em seu plano de estudos. Alguns acreditam que se deve estudar mais as disciplinas de que gostamos, porque assim, obtendo notas muito boas, compensamos as baixas notas das disciplinas que não apreciamos. Certo? Errado. Nada indica que as disciplinas de que não gostamos sejam as mais difíceis de estudar. Você sabe perfeitamente por que não obtém nelas notas equivalentes às demais. Então, é melhor estudar primeiro essas disciplinas que lhe dão maior dificuldade. Com esforço, pedindo inclusive ajuda a professores e a colegas, perceberá que seu rendimento vai aumentar gradativamente. E até poderá mudar de opinião quando verificar, em simulados, que suas notas aumentaram.

Notou a malícia da estratégia? Se você usualmente atinge nota acima de sete em algumas disciplinas, conclui-se que pode atingir também em outras, desde que lhes dedique o tempo necessario de estudo, que será maior que o das demais. Este conselho é válido sobretudo nos tempos atuais, em que o mecanismo da internet coloca em suas mãos centenas, talvez milhares de sites que ensinam a conhecer e dominar os fundamentos de todas as disciplinas focalizadas nos vestibulares e em concursos públicos.

O povo tem um provérbio interessante para entender muitas situações: Quem ama o feio bonito lhe parece. Compreendeu? A partir do momento em que começar a dedicar mais tempo e atenção ao estudo das disciplinas que o incomodam, aprenderá até a gostar delas e, nesse caso, passando a amar o feio, este começa a lhe parecer bonito.

Em outras palavras, é possível transformar seu fraco em seu forte. Basta começar.

Dicionário: um instrumento de trabalho.

July 27th, 2017

Se você é daqueles que consulta o dicionário só de vez em vez, para conhecer o significado de um vocábulo “difícil”, mude seu modo de ver. O dicionário é uma fonte inestimável de conhecimentos que podem fazê-lo evoluir muito mais em seus estudos e em suas próprias concepções. É um exclente instrumento de trabalho. Essa estória de chamá-lo de “pai dos burros” é uma piadinha de mau gosto, empregada por preguiçosos que não querem perder tempo para outros aspectos de seus estudos e julgam desnecessário, no caso de encontrarem palavras desconhecidas, ir além do que o próprio contexto sinaliza.

Isso está muito errado, pois resulta de um desconhecimento das reais utilidades dos dicionários, que são muitas. Quer ver um exemplo? Procure no Aurélio Eletrônico o verbete “democracia”:

[Do gr. demokratía.]

S. f.

1. Governo do povo; soberania popular; democratismo. [Cf. vulgocracia. ]

2. Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição eqüitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, i. e., dos poderes de decisão e de execução; democratismo. [Cf. (nesta acepç.) ditadura (1).]

3. País cujo regime é democrático.

4. As classes populares; povo, proletariado.

  • Democracia autoritária.  Ciênc. Pol.

1. Sistema de governo surgido após a 1ª Guerra Mundial, em geral anticomunista, firmado na supremacia do poder executivo em relação aos demais poderes.

  • Democracia popular.  Ciênc. Pol.

1. Designação comum aos regimes políticos monopartidários dominantes nos países da área socialista. [Cf., nesta acepç., república popular. ]

Notou bem o que o Aurélio diz no verbete? Se notou, percebeu que a palavra democracia não é tão simples como pode parecer à primeira vista. Não basta, portanto, entendê-la ou empregá-la com o sentido de “governo do povo”. É pobre demais tal acepção.

O verbete é, assim, uma verdadeira aula sobre a palavra, inclusive pelas necessárias referências históricas, já que “democracia” tem uma longa história, quer como conceito político, quer como palavra ou expressão empregada para representá-lo. Assim colocadas, essas informações vão auxiliá-lo também no entendimento de questões de história que focalizem as formas e os sistemas de governo ditos ou autodenominados democráticos. Como você por certo deve ter também notado, o verbete do Aurélio ainda manda comparar os sentidos de democracia com os de “vulgocracia” (preponderância das classes populares) e “ditadura” , como se pode verificar no próprio dicionário:

[Do lat. dictatura.]

S. f.

1. Forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, dum grupo, duma assembléia, dum partido, ou duma classe.

[Cf. democracia (2).]

2. Qualquer regime de governo que cerceia ou suprime as liberdades individuais.

3. Fig. Excesso de autoridade; despotismo, tirania.

  • Ditadura do proletariado.

1. Regime político, social e econômico desenvolvido teórica e praticamente por Lenin (v. leninismo), e que se baseia no poder absoluto da classe operária, como primeira etapa na construção do comunismo.

Percebeu como são importantes os dicionários? Claro que percebeu! E quando ouvir de alguém que gosta de ler dicionários, não mais assuma um ar debochado, nem diga que essa pessoa é amiga do “pai dos burros”, já que, bem pensado, muito provavelmente o “burro” não é o que consulta dicionários, mas o que os ignora. Cobre consciência de que os dicionários são fontes de palavras, de conceitos, de cultura, porque apontam caminhos e fazem esclarecimentos por vezes mais eficientes do que os próprios livros que focalizam o tema.

Conclusão: valorize esse instrumento de estudo. Você só terá a ganhar. Já pensou se o tema da redação de algum vestibular que você prestará implicar o domínio do conceito de “democracia”?