Rascunhar é planejar

Muitos estudantes, desde as primeiras séries do ensino fundamental, se revelam avessos ao rascunho. Querem resolver tudo direto. Preferem, nos casos de disciplinas como língua portuguesa, geografia, história, ciências, escrever diretamente as respostas a questões e depois ir apagando o que erraram. E, no caso de matemática, escolhem fazer os cálculos diretamente e resolver os problemas “de cabeça”. O resultado, nos cadernos e provas, é sempre uma borradeira total, com passagens mal apagadas, palavras emendadas, uma bagunça generalizada. Resultado: cadernos em estado lamentável e perda de pontos preciosos em provas pelo fato de os professores não conseguirem entender as respostas assim tão mal escritas, sem falar nos erros cometidos pelo simples fato de não colocar no papel, de modo sistemático, os dados.

Ao longo do ensino médio, os estudantes são permanentemente estimulados a se tornarem objetivos na solução de questões, e parte dessa objetividade consiste exatamente no hábito de rascunhar antes de responder. Muitos estudantes, no entanto, persistem em seus “sistemas” de buscar respostas sem o socorro a anotações, confiando inteiramente em sua capacidade de armazenar dados simultâneos na memória e não economizando bravatas para justificar seu “poder” de memorização. Isso pode dar certo? Pode até dar, mas acaba sendo sempre um desafio aos perigos trazidos pelo acaso, que a chamada Lei de Murphy tão bem estabelece com seu princípio fundamental e possibilidades deste decorrentes.

Talvez uma das razões para essa aversão ao rascunho provenha do modo como considera o estudante o próprio sentido comum da palavra e até mesmo de sua forma sonora. Afinal, não se pode dizer que r-a-s-c-u-n-h-o seja lá um belo vocábulo, nem que seu sentido carregue um conteúdo grandemente animador. Rascunhar, para muitos, é garatujar, rabiscar. Grande engano! O rascunho, na verdade, constitui o primeiro passo para um caminho correto. Famosos projetos de arquitetos ilustres começaram com rascunhos, verdadeiros rabiscos em que os artistas buscaram fixar no papel, para não perder na mente, as ideias e as linhas fundamentais que sua criatividade, funcionando a todo vapor, lhes estava fornecendo naquele mesmo instante. Sabemos, por experiência própria, que muitas vezes deixamos de anotar uma boa ideia e, algum tempo depois, quando vamos desenvolvê-la, já a esquecemos. Em resumo: deixamos de escrever um esboço, quando a ideia nos veio, e depois passamos pelo aborrecimento de tentar lembrá-la, quase sempre sem sucesso.

O rascunho, portanto, não é um apêndice inútil e precário daquilo que pretendemos fazer: é o início necessário da solução de um problema, da elaboração de um projeto, da criação de um texto, uma obra, um empreendimento. É o modo acertado, enfim, de começar algo desde o começo, com segurança e objetividade.

Rascunhar não é perder tempo. É planejar para ganhar eficácia. Pense nisso!

 

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