A, A, À, HÁ, AH!

Um texto de jornal online deixou o Blogueiro, como diz o povo para expressar grande susto, de cabelos em pé! Era uma notícia sobre política, que vai citada aqui com algumas alterações para evitar reclamações dos citados:

 

Não se pode acreditar que, há quatro meses do fim do ano, algum ministro tenha tanta imaginação para afirmar que em dezembro todos os problemas do país estarão resolvidos.

 

Parece uma frase comum, de conteúdo crítico, daquelas que todos os dias lemos nos jornais. Mas espere! Opa! Leia bem a primeira linha e descubra o verdadeiro ataque à Língua Portuguesa que a frase encerra: quatro meses do fim do ano!!

Não é para ficar de cabelos em pé, mesmo?  O verbo haver, quando usado para expressar um fato que já ocorreu, é empregado na terceira pessoa do singular:

 

Há dois anos ocorreu um abalo sísmico no litoral do Chile.

 

No texto do jornal, porém, o redator usou a forma verbal indevidamente, em lugar da preposição a. Deveria ter escrito, portanto,

 

Não se pode acreditar que, a quatro meses do fim do ano, algum ministro tenha tanta imaginação para afirmar que em dezembro todos os problemas do país estarão resolvidos.

A preposição a, nessa frase corrigida, expressa exatamente o que quis dizer o redator, ou seja, a relação entre o tempo atual e um ponto do tempo futuro, como se pode verificar neste exemplo forjado pelo Blogueiro:

 

Estamos a duas semanas das eleições.

 

Entendeu bem o problema? Pois tome bastante cuidado ao responder questões discursivas de qualquer disciplina ou ao escrever suas redações em vestibulares. Uma troca como a comentada acima pode fazer com que uma resposta que você sabe apresente uma redação equivocada, que será considerada errada.

Não custa observar e fazer uma revisãozinha nessa questão da representação do /a/ em Língua Portuguesa: a pode ser artigo definido (a garota), a pode ser preposição (daqui a três dias viajarei para Londres), à é a forma de representar na escrita a crase entre a preposição a e o artigo definido a, é a forma que o verbo haver assume na terceira pessoa do singular do presente do indicativo e, finalmente, ah! é uma interjeição em cuja pronúncia geralmente fazemos um alongamento, o que explica a forma com que é representada com h e ponto de exclamação, já que interjeições desse tipo equivalem a palavras-frase com conteúdo emotivo.

Parece uma charada, não? Claro que parece. Não deixe, porém, que uma inadequada solução dessa pequena charada possa fazer de suas respostas charadas maiores.

 

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