Não fuja da concordância

Você por certo tem muitas dúvidas de concordância. Não se envergonhe disso. Professores, jornalistas, blogueiros e escritores também têm. Quem vive a escrever vive tendo dúvidas. É normalíssimo, portanto. Anormal será não procurar resolver e deixar como está.

Obviamente, você já estudou mais de uma vez na escola os fundamentos da concordância nominal, que implica o acordo entre as flexões do substantivo e seus modificadores, e da concordância verbal, que impõe o acordo entre as flexões do sujeito e do verbo. Não adianta, portanto, chover no molhado e falar sobre isso desde o comecinho. Um artigo de blogue não tem tanto espaço e também não é uma teoria, é um bate-papo construtivo em que o blogueiro procura passar sua experiência aos leitores e fazer alguns alertas. E é geralmente baseado em um tema do dia a dia.

Pois o tema de hoje é justamente uma dúvida de concordância nominal. Observe os exemplos forjados:

 

O governo, ao autorizar o funcionamento daquela indústria, parece não haver pensado nos impactos ambiental e social.

O governo, ao autorizar o funcionamento daquela indústria, parece não haver pensado no impacto ambiental e social.

Qual das duas está certa? você pergunta ao escrever. Resposta: as duas. Os gramáticos defendem ambas as formas, embora reconheçam que a primeira (com o substantivo impactos no plural), é regularmente usada e, de certo modo, bem mais clara (e elegante) que a segunda. Note que a concordância, em cada caso, pode ter uma explicação diferente: no primeiro exemplo, a pluralização do substantivo (impactos) responde antecipadamente à presença dos dois adjetivos que o modificam (ambiental, social). O segundo exemplo pode ser entendido com base numa elipse: impacto ambiental e (impacto) social.

Pois o blogueiro, hoje cedo, deu uma derrapada nesses exemplos e sentiu uma ligeira dúvida. Que fazer? Recorrer aos gramáticos. Uma leitura rápida das gramáticas de Maria Helena de Moura Neves e de Evanildo Bechara revelou que podia usar sem susto qualquer dos dois exemplos. Assim, é válido empregar qualquer das frases abaixo:

 

Apesar de novatos, conseguimos obter o primeiro e o segundo lugar.

Apesar de novatos, conseguimos obter o primeiro e o segundo lugares.

O estudo da literatura portuguesa e brasileira é bastante necessário.

O estudo das literaturas portuguesa e brasileira é bastante necessário.

 

O blogueiro prefere a concordância no plural; outros escritores, no plural. E você?

É isso aí. Não fuja da concordância. Quando tiver uma dúvida, nada de dar de ombros e dizer, como quem não quer nada: Não sei, porque ninguém me ensinou. Errado. Diga sempre: Ninguém me ensinou, mas vou descobrir por mim mesmo. Você se espantaria, aliás, se pudesse fazer uma estatística sobre sua vida e descobrir o quando aprendeu por si mesmo e por sua vontade de aprender!

 

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