O tempo da prova e a prova do tempo

 

Outro dia o blogueiro ouviu um rapaz falar a outros, na praça de alimentação de um shopping, que em certo vestibular o examinador havia recolhido as provas meia hora antes do prazo, e por isso o garoto não pudera resolver as últimas dez questões. É muito difícil que isso tenha acontecido. O tema do tempo, porém, merece uma abordagem mais ampla.

Nem sempre o principal problema encontrado pelos que prestam exames vestibulares e concursos é propriamente o conteúdo. Algumas vezes, como se pode verificar pelo depoimento de muitos vestibulandos e de concurseiros, o grande problema se chama TEMPO. Não deu tempo de resolver todas as questões e as provas foram recolhidas.

Alguns candidatos explicam para seus familiares e colegas que podiam ter ido melhor, se tivessem mais tempo para a resolução. Verdade? Engano? Quem ouve nem sempre acredita e pensa que se trata apenas de uma desculpa. Na maioria das vezes não é. Não é preciso ser psicólogo para descobrir que muitas pessoas fazem suas tarefas, quer físicas, quer intelectuais, de maneira um pouco mais lenta que outras. A experiência dos professores dos ensinos fundamental e médio demonstra isso. E demonstra também que ser mais lento não significa ser menos inteligente. Ao contrário, algumas vezes acaba revelando até mais inteligência. Certas crianças parecem ter nascido com a capacidade de criar para si mesmas métodos de desempenho que demandam um pouco mais de tempo para fazer tarefas, mas, em compensação, implicam quase sempre a obtenção de melhores resultados. Por isso mesmo, sobretudo nos primeiros anos do ensino fundamental, reclamam que as professorinhas não têm paciência com elas na hora das provas, e ficam apressando, por vezes até de maneira não muito polida, para que terminem no mesmo horário em que terminaram as outras. Isso cria uma dúvida: deveriam fazer como outros colegas, que não dão muita bola para maior esforço e respondem tudo rapidamente? Ou mantêm seu método que, mesmo demandando mais tempo, conduz quase sempre às respostas corretas?

Ao longo dos anos, a questão do tempo das provas e de terminar exatamente dentro do horário previsto continua sendo imposta. Muitos conseguem se tornar mais rápidos, outros nem tanto. Quando chegam os vestibulares, mesmo aqueles que nunca tiveram problemas com provas no ensino médio se deparam agora com um problemão: um número enorme de questões e um período de tempo previsto para resolvê-las, pois os examinadores recolhem as provas exatamente quando o último minuto se esgota.

Culpa das provas? Não. As equipes que elaboram exames vestibulares são altamente especializadas e procuram criar questões que possam ser respondidas sem susto dentro do tempo previsto. É claro que trabalham com critérios que levam em consideração uma média de desempenho. Apesar de todo esse cuidado, alguns candidatos, por razões diferentes, têm problemas de tempo. E agora, José? como diria o Drummond. Pedir que as universidades mudem os critérios dos vestibulares? Ou buscar solução própria?

E você? O que poderia fazer para uma rapidez maior na solução das questões? Na verdade, não há solução pré-fabricada, embora seus professores deem muitos conselhos a respeito. A conclusão é que você deve descobrir o que é necessário, no seu caso, para dar conta das respostas dentro do período previsto. A solução pode estar, como aconselham alguns professores, em resolver primeiro as questões fáceis; em seguida, as questões que seriam mais trabalhosas e depois partir para as que considerou, à primeira leitura, muito difíceis. Assim, se não der tempo de resolver algumas difíceis, pelo menos terá respondido as que sabia. Isso, porém, é só uma sugestão. O julgamento é seu e tem de surgir de uma espécie de autoanálise: por que costuma demorar mais? em que tipos de questões perde mais tempo que o necessário? Com base nisso, você criará seu próprio método. Para testá-lo, pode encontrar provas de exames vestibulares de anos passados e cronometrar como se estivesse em situação real.

É possível conseguir? Claro que é. Os seres humanos fomos sempre desafiados nas mais diferentes situações e geralmente conseguimos vencer, porque é sempre possível melhorar aspectos de nossas atividades. Conta-se que certo fabricante de rodas apresentou a uma montadora ao longo de alguns anos, onze protótipos de rodas para automóveis, e todos foram recusados, por apresentarem este ou aquele defeito. No décimo segundo protótipo, porém, a roda foi julgada favoravelmente e aceita pela montadora.

Imagine se o fabricante de rodas houvesse desistido na segunda ou terceira, ou até mesmo na décima?

Não desista. E tenha em consideração que a resolução de exames vestibulares não é questão apenas de conteúdo, mas de método. Aliás, nem só exames vestibulares: tudo na vida é questão de método!

 

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