Errinhos banais

Parece brincadeira, mas muita gente ainda comete equívocos banais em suas redações e provas discursivas, deixando perplexos examinadores de vestibulares e de concursos em geral. Por quê? Porque esses erros são focalizados inúmeras vezes ao longo das aulas do ensino médio e dos cursos preparatórios. Você, que aprendeu a lição e não cochila em suas provas, por certo também ficará surpreso ao verificar que ainda há candidatos que escrevem

 

Houveram muitas espécies de dinossauros em nosso território.

 

Não é possível! exclama você. E é de exclamar mesmo. Pobres professores que gastaram tanto tempo ensinando que o verbo haver, quando significa existir, é impessoal, e por isso se apresenta sempre na terceira pessoa do singular. O adequado, portanto, segundo a norma-padrão, é escrever

 

Houve muitas espécies de dinossauros em nosso território.

 

Por que será que as pessoas colocam o verbo no plural, em casos como esse? A primeira hipótese é que o candidato nunca ouviu falar na impessoalidade do verbo haver. Hipótese fraca. Dificilmente os professores de português deixariam de focalizar esse tema em suas aulas. Sem falar nas apostilas de português dos cursos e dos cursinhos. Outra hipótese, um pouco mais forte, é que o candidato ouviu, sim, muitas vezes a lição sobre a impessoalidade de haver no sentido de existir, mas nunca deu “muita bola” para isso, julgando que é um errinho banal, nada grave. Considerando, porém, como terceira hipótese, que o candidato sabe, mas se enganou nesse caso e nesse exemplo, pode-se imaginar uma possível causa: iludido pelo sintagma muitas espécies de dinossauros, que julgou ser o sujeito da oração, colocou o verbo no plural. O problema é que muitas espécies de dinossauros não é sujeito da oração, mas objeto direto solicitado pelo verbo haver, o que se comprova pelo próprio fato de o verbo haver ser empregado no singular e seu objeto no plural. Uma quarta causa pode ser a confusão entre os verbos haver e existir. Se o verbo empregado fosse existir, a oração ficaria

 

Existiram muitas espécies de dinossauros em nosso território.

 

Nesse contexto, existir surge como intransitivo e o termo muitas espécies de dinossauros funciona como sujeito da oração, levando por isso o verbo para a terceira pessoa do plural.

Talvez por esse motivo não é incomum encontrarmos na mídia pessoas, por vezes ilustres, deixando escapar um “houveram” em seus discursos, e também não é nada incomum a ocorrência desse equívoco em numerosos textos que circulam na web. Isso, é claro, não justifica o emprego em redações de concursos e de vestibulares. Os corretores penalizam mesmo tais enganos, que, isoladamente, não representam muito, mas, ao lado de outros, podem fazer a nota final perder pontinhos preciosos. E note que, por vezes, o verbo haver pode significar ocorrer, acontecer, sendo o resultado sempre o mesmo:

 

Houve muitos debates ontem em plenário.

Houve problemas no funcionamento da máquina.

 

Caso o redator resolva empregar ocorrer ou acontecer em lugar de haver, nesses casos, terá de empregar o plural, pois estes dois, como existir, não são verbos impessoais, precisam de sujeito: muitos debates, no primeiro exemplo; problemas, no segundo:

 

Ocorreram muitos debates ontem em plenário.

Aconteceram problemas no funcionamento da máquina.

Percebeu? Se você é um dos que têm dúvidas sobre o emprego de haver como impessoal, trate de procurar e estudar todos os exemplos que encontrar em suas gramáticas e apostilas. Um pouco mais de prática e, por certo, não esquecerá. E não correrá o risco, em provas de redação, de perder aqueles centésimos ou milésimos preciosos, que podem significar também a perda da vaga.

Por tudo isso, como dissemos noutro artigo postado no Blogue, cuidado com os erros banais! Podem ser fatais!

 

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