O choque do seu futuro

Alvin Toffler, em seu livro O choque do futuro, publicado na década de 1970, colocava muitas questões que, vislumbradas naquele tempo, se tornaram atualíssimas nesta segunda década do século XXI. Como anunciava o mencionado autor, o mundo superindustrial e repleto de inovações tecnológicas em que vivemos hoje afeta o comportamento das pessoas, das famílias, dos grupos, das comunidades, de toda a sociedade, enfim, colocando em choque e em xeque todas as formas de relacionamento, do pessoal ao profissional.

Sentimo-nos hoje, muitas vezes, atarantados com a extrema complexidade que nos cerca. E, quando começamos a entender determinados aspectos, surgem rapidamente novas mudanças que nos deixam ainda mais perplexos. Viver no século XXI, altissimamente tecnológico, tornou-se um permanente processo de adaptação às novas formas de organização social, incluídas as alterações por que passam até mesmo os modos de afetividade e de amor. Tudo ocorre em grande velocidade e tudo nos obriga a seguir também velozes, para não perder o trem dessa modernidade em mutação contínua. Ser moderno, hoje, não é apenas contar com tecnologia e adquirir padrões de modernidade, mas é saber aferir os momentos de avaliar as mudanças e acompanhá-las.

O que vai dito nos dois parágrafos anteriores tem muitas implicações com respeito a você, estudante, quer seja ainda candidato, quer já tenha sido aprovado, quer esteja na metade de seu curso universitário. Você vem experimentando há um bom tempo essa perplexidade ante os fatos. Algumas dezenas de anos atrás, um estudante egresso do ensino médio inscrevia-se numa universidade para fazer o vestibular e ser aprovado ou reprovado. Em alguns cursos, o número de candidatos era menor que o de vagas. Hoje, um candidato faz três ou mais vestibulares em seu estado ou em estados diferentes, podendo até candidatar-se a uma vaga em universidade estrangeira. Ao mesmo tempo, pode também fazer a prova do Enem, abrindo assim um pouco mais o leque de possibilidades de obtenção de vaga em universidades espalhadas por todo o país. E pode dar-se até à satisfação de escolher a universidade, caso seja aprovado em duas ou mais de duas.

Obter uma vaga, ingressar num curso superior e inserir-se no mercado de trabalho, todavia, é apenas uma parte do seu projeto de futuro. A outra é pensar permanentemente esse futuro, acompanhar e avaliar passo a passo as mudanças que a sociedade apresenta e relacionar sua formação e suas expectativas com o veloz processo de mutação constante por que todas as atividades humanas passam. O seguinte parágrafo do livro de Toffler parecem um recado a você e a todos que, como você, vivem essa expectativa do futuro:

 

Num mundo assim, os atributos mais valiosos da era industrial se tornam prejuízo. A tecnologia do amanhã requer não milhões de homens levemente alfabetizados, prontos para trabalhar em uníssono em tarefas infinitamente repetitivas, nem homens que recebem ordens sem piscar, conscientes de que o pão se consegue com a submissão mecânica à autoridade, mas sim de homens que possam fazer julgamentos críticos, que possam abrir caminho através dos ambientes novos, que sejam rápidos na identificação de novos relacionamentos numa sociedade em rápida mutação. Requer homens que, na terminologia sugestiva de C. P. Snow, “têm o futuro no tutano de seus ossos”. (Alvin Toffler. O choque do futuro. Trad. Eduardo F. Alves. Rio de Janeiro. Editora Record, 1970. p. 323-324)

Olhe para seu futuro e pense nisso.

 

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