Passando o pente-fino

Você, por certo, ao comprar um objeto, seja para uso pessoal, seja para dar como presente, passa às vezes por decepções: o objeto está lindo, é exatamente aquilo que você queria encontrar. De repente, quando já está pondo a mão no bolso, observa um arranhãozinho aqui, uma manchinha ali, pequenos defeitos que não estragam o objeto, mas, infelizmente, tiram um pouco de sua satisfação ao pensar em adquiri-lo. Se for apenas para uso pessoal, algo que você não mostrará a mais ninguém, talvez ignore os defeitos e faça a compra. Porém, se for algo que seus amigos ou amigas vão também ver, a coisa muda de figura, você sabe que sempre haverá alguém para notar e anotar: Opa! mas há um arranhãozinho aqui! e uma manchinha ali! Claro que não quer passar por esse vexame, e muito menos pelo de escolher o objeto para presente, sabendo que o presenteado acabará percebendo os defeitos e não ficará muito feliz com isso.

Considere, agora, que tudo o que se disse no parágrafo anterior é uma alegoria de sua prova discursiva e de sua prova de redação. Neste caso, você é o produtor dos objetos e quer fazer o melhor possível para que não apresentem o menor defeito. Do outro lado, não haverá um “comprador” de sua prova, mas um profissional especializado em fazer uma leitura crítica ampla e justa. Todas as virtudes do objeto “prova” serão consideradas, assim como os defeitos maiores ou menores, para que, ao final, seja levada a efeito uma avaliação da qualidade que apresenta.

Você já ouviu alguns colegas dizerem que um errinho aqui ou ali não faz muita diferença, que o importante é o todo da resposta discursiva e o todo da redação. Há alguma verdade nessa afirmação, mas não toda a verdade. O objetivo dominante de uma prova é buscar não cometer erros de nenhuma espécie. Além do mais, a avaliação do que seja um pequeno ou grande erro, dentro do contexto da prova, não é de quem a presta, mas de quem a corrige. Por isso, todo cuidado será necessário para não ficar a reboque do julgamento do corretor.

Tudo o que ficou dito nos parágrafos anteriores tem como objetivo alertá-lo para não deixar, em seus exames discursivos, aqueles erros que se cometem por pura distração e aos quais não se costuma dar muita importância. Os professores, por exemplo, ao longo dos ensinos fundamental e médio, insistem incansavelmente em corrigir as distrações de alguns estudantes quando escrevem, por exemplo, “análize”, “analizar” com “z”, em vez das formas corretas com “s”: análise e analisar. É curioso, a este respeito, que, quanto mais determinados se tornam os professores em corrigir tais erros de ortografia, mais teimosos parecem certos alunos em cometê-los. E o pior é que os cochilos não se limitam a esses dois vocábulos, pois sempre há quem escreva “catálize, eletrólize, fraze, faze” em lugar das formas corretas com “s”: catálise, eletrólise, frase, fase. Evidentemente, estes são apenas poucos exemplos entre os muitos que deixam os professores preocupados, ainda mais porque certos alunos parecem ter consciência de estar escrevendo com erros e não tomam a iniciativa de mudar.

Você talvez não costuma cometer lapsos como os exemplificados. Mesmo assim, este artigo representa um alerta para que faça uma observação meticulosa das suas redações e das respostas discursivas que seus professores corrigiram, para verificar se não se repetem outros cochilos ortográficos, como também empregos impróprios de vocábulos, de conectivos, de vírgulas (as vírgulas são um perigo, não é!), de paragrafação, etc.

Percebeu? Como costuma dizer o povo, em sua grande sabedoria acumulada ao longo dos séculos, é bom passar o pente-fino em sua habilidade de escrever, para tornar aquilo que já é bom em algo ainda melhor. É mais um passo para a aprovação final.

 

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