Não sei como terminar! Sabe, sim!

Como encerrar minha redação? Existe alguma fórmula que se aplique a todos os casos?

Você por certo já ouviu ao longo do ensino médio essas perguntas, ou até já manifestou a professores tais dúvidas, nem sempre recebendo soluções satisfatórias. E obteve as mesmas respostas ao visitar blogues e sites sobre vestibulares: é preciso fazer uma ótima conclusão de sua dissertação, é preciso fazer uma proposta de intervenção no problema focalizado, é preciso apresentar solução coerente para a questão abordada, é preciso demonstrar que sua argumentção chegou a bom termo, etc., etc.

Se as redações fossem de gênero narrativo, chegar a um fecho coerente seria quase automático, pois uma história deve terminar com a solução final do conflito entre protagonista e antagonista. Nas redações de gênero dissertativo, todavia, os modos de encerrar são mais variados e, algumas vezes, difíceis, porque têm de estar conformes ao próprio desenvolvimento argumentativo e ao ponto de vista assumido pelo candidato com relação ao tema proposto. Neste sentido, dizer que a redação deve apresentar o fecho da argumentação é óbvio demais e não informa ao candidato mais do que este já sabe.

Então, como ficamos? Como resolvemos o problema? Não ficamos. Não existe problema. O primeiro fato que você deve ter em mente é que não se deve importar demasiadamente com expressões como fechar a argumentação, apresentar proposta de intervenção, apresentar projeto de solução para o problema focalizado. Elas podem atrapalhá-lo e induzi-lo a equívocos. O segundo fato é que você encerrará a redação de acordo com a opinião que manifestou desde o início. Você sabe o que é opinião e sabe muito bem qual a sua opinião sobre o tema abordado. É essa opinião que retomará no final de seu texto, como confirmação do que explicou ao longo deste ou como uma sugestão pessoal de resolver a questão, se se tratar, por exemplo, de um problema social ou político ou de relações humanas de modo geral. Expresse o que acha e não se preocupe em demasia se sua proposta é boa ou má, procure apenas torná-la autêntica e coerente com o que opinou nas linhas anteriores. Não se trata também de julgar se sua conclusão contraria ou acompanha a da maioria das pessoas, mas se está claramente estabelecida. E só.

A única coisa que não pode fazer é deixar de concluir. Suponha, por exemplo, que o tema abordado seja A poluição ambiental e o futuro do planeta. Suponha também que sua opinião seja a seguinte: Acho que há muito exagero nessa questão da poluição ambiental e o futuro do planeta não está em risco tão grande quanto afirmam. Ora, você escreverá sua dissertação situando o problema e os aspectos que, a seu ver, fazem com que a poluição, embora prejudicial, não implique ainda sério risco para o planeta e para a sobrevivência das espécies. Deverá fundamentar o que afirma, adotar opiniões, citar exemplos, tudo para ir demonstrando seu ponto de vista. Nos parágrafos finais, poderá retomá-lo e até mesmo fazer sugestões, como também mencionar as propostas feitas por especialistas na questão. CQD, como se fala na matemática.

E se sua opinião for oposta, se você julgar que, de fato, a poluição ambiental está levando o planeta para um caminho sem volta, uma rota de destruição? Nada a temer. A estratégia dissertativa será a mesma: situar os aspectos mais relevantes do tema e assumir ponto de vista para atingir uma conclusão. Neste caso, terá dois caminhos distintos a escolher: um, em que verá ainda possibilidade de solução, caso sejam tomadas certas providências agora; outro, em que afirmará ser hoje impossível deter ou consertar o processo destrutivo.

Percebeu? Conforme a opinião assumida, o tema será abordado de modo diferente para atingir um parecer final, que, no fundo, reafirma sua opinião.

É, poderia perguntar alguém, mas a banca de correção vai aceitar uma opinião muito radical? Não se preocupe com isso. A banca não estará lá para julgar opiniões, mas redações bem planejadas e executadas.

 

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