Chato? Talvez, mas necessário!

Em nossa comunicação corriqueira, empregamos formas e fórmulas que, quando passam pelo filtro da norma-padrão, têm de ser alteradas. Algumas pessoas até consideram chatice fazer essa filtragem. No entanto, com desconforto ou não, é necessário.

O emprego dos pronomes oblíquos átonos de terceira pessoa se enquadra na observação acima. Na comunicação descontraída, dizemos, por exemplo, Encontrei ele, Espero eles, Mandaram elas embora. Ninguém repara muito, dada a maior liberdade que caracteriza o discurso coloquial. Todavia, se vamos fazer uma palestra a um grupo de pessoas, se vamos escrever uma redação de vestibular ou um artigo acadêmico, tudo muda de figura e a norma-padrão se impõe: Encontrei-o, Espero-os, Mandaram-nas embora. Nestes casos, não adianta discutir se é incômodo ou não seguir a norma-padrão. O melhor e mais produtivo é fixar bem a regra e praticar bastante, para não errar.

Na verdade, trata-se de algo bem simples. Os pronomes átonos de terceira pessoa apresentam variantes conforme a terminação da forma verbal que os precede. Se for vogal ou ditongo, as variantes a empregar no discurso em norma culta (em lugar do ele, ela, eles, elas do discurso coloquial) serão: o, a, os, as. Exemplos:

 

Comprei o livro – Comprei-o.

Espero minha irmã – Espero-a.

Desprezo os inimigos – Desprezo-os.

Recuperou as economias – Recuperou-as.

 

Se a forma verbal termina em -r, -s ou -z, empregam-se as variantes lo, la, los, las. Neste caso,  -r, -s ou -z desaparecem:

 

Vou vender a casa – Vou vendê-la .

Procuramos o rapaz – Procuramo-lo.

Fez a lição – Fê-la.

Quer encontrar o tesouro – Quer encontrá-lo.

Note também, em exemplos como vendê-la, encontrá-lo, fê-la, que a forma verbal, ao apresentar-se sem o -r  ou o -z,  passa a seguir outra regra de acentuação: vender e encontrar são oxítonos terminados em -r e não recebem acento gráfico; mas, ao se apresentarem sem -r, tornam-se oxítonos terminados em -e e em -a, devendo, portanto, receber o acento gráfico: vendê-, encontrá-. O mesmo ocorre com fez, que, ao perder o -z ,  torna-se monossílabo tônico terminado em -e: fê-.

Se a forma verbal, porém, terminar em fonema nasal, as variantes empregadas serão no, na, nos, nas:

 

Encontraram o fugitivo – Encontraram-no.

Dão o bandido por morto – Dão-no por morto.

 

Difícil? Nem tanto. Chato? Necessário. É preciso compreender que, além de uma questão gramatical de língua portuguesa, você está diante de uma questão prática, que abrange comportamentos comuns em todos os aspectos de nossa vida e pode ser assim enunciada: se não posso mudar uma regra, sigo-a. Valeu?

 

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