Nervoso, por quê?

Agora que se aproxima o vestibular de 2014, você por certo está cheio de objetivos: aumentar a intensidade do estudo, recapitular os pontos em que se sente ainda fraco, consultar colegas e professores para ver se aprende certos conteúdos que nunca chegou a entender direito, exercitar-se em simulados na escola e na rede, etc., etc. Um dos aspectos que pode preocupá-lo, sobretudo se está em seu primeiro vestibular, é o do chamado “nervosismo”: você tem receio de que o atrapalhe na hora dos exames. Aquela velha história de que “deu um branco, porque eu estava nervoso.”

É muito interessante focalizar esse aspecto num blogue sobre vestibular. Parece que em nossa cultura o nervosismo foi colocado como uma espécie de demônio sempre alerta para atrapalhar as pessoas em momentos decisivos. Verdade? Nem tanto assim. Trata-se apenas de um estado de tensão bastante natural, que todos experimentamos em situações de decisão ou de demonstração de competência para determinada tarefa ou emprego. A mania que temos de exagerar as coisas, porém, muitas vezes, nos leva a fazer do estar nervoso ao mesmo tempo um perigo e uma desculpa, atribuindo-lhe influência em erros e equívocos que nem sempre tem. Essa atitude não é exclusiva dos vestibulandos, está em todas as camadas sociais e em todas as atividades. Os atletas frequentemente justificam suas derrotas como resultados de excesso de nervosismo; os jogadores de futebol não raro explicam um desempenho ruim na partida toda como consequência do mesmo estado de espírito; os namorados, ao fazer as pazes, consideram as palavras descorteses que disseram um ao outro como produtos de nervos abalados. De monstro assustador, assim, o nervosismo se transforma em verdadeiro saco de pancadas, o culpado predileto de todas as nossas más ações, enganos, erros e reveses. Muito confortável, não?

No caso dos exames vestibulares, é preciso tomar cuidado em dobro com esse componente. Em vez de temê-lo, você deve dominá-lo, o que não é muito difícil a partir de uma avaliação bastante realista de suas possibilidades: você sabe o quanto estudou, o quanto está preparado; e conhece também seus pontos fracos nesta ou naquela disciplina. Torce para que caiam mais questões sobre o que sabe, e isso provavelmente irá acontecer, porque as provas de vestibulares buscam ser bastante abrangentes. Por esse lado, não há o que temer. Você sabe, também, que ficará um pouco tenso nos momentos de provas, porque isso é perfeitamente natural, porque todos os que prestam exames também experimentam a tensão, que é aliás um componente bastante positivo de nossas ações na vida, pois refina nossa percepção e nos torna bem mais atentos do que no dia a dia.

Percebeu? Não use mais a palavra “nervosismo”, para que não lhe traga à mente seus conteúdos negativos. Canalize sua tensão para deixá-lo inteiramente focado em cada prova que faz, para auxiliá-lo a não perder detalhes dos enunciados, para rever suas respostas em busca de lapsos e cochilos. Em resumo: torne-a um instrumento auxiliar para melhor desempenho em sua prova e, no futuro, em toda a sua vida. Passe a considerá-la, a partir deste momento, sob esse prisma positivo e otimista.

Entendeu? Essa é a receita de que falam todos aqueles que apresentam bom desempenho em exames vestibulares e concursos em geral: transformar tensão em atenção. É assim que fazem todos os vencedores.

 

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