Erros de leitura. Elimine o acaso

Uma das queixas mais comuns dos candidatos a exames vestibulares e concursos em geral é a de não ter entendido bem algumas das questões e, por vezes, a própria proposta de redação. Você já deve ter passado por isso ao longo de sua vida escolar. Todos passam. O problema é que, usualmente, acabamos optando pela explicação mais fácil e confortável: A questão estava mal elaborada!

Estava mesmo? Suponha, por um instante, que não estava. Então, por que você não entendeu, se estava razoavelmente preparado? Uma das causas merece ser focalizada, em virtude da frequência com que ocorre: erro de leitura!

Mas eu não erro na leitura! dirá você e acrescentará, orgulhoso: Até que leio muito bem!

Pois é. Mesmo assim, pode equivocar-se na leitura. Qualquer um pode se enganar. Ao ler uma notícia de jornal, certo leitor julgou que estava escrito “uma questão de convivência”, quando, na realidade, o jornalista escrevera uma questão de conveniência. Engano perigoso, não acha? Principalmente se fosse numa questão de vestibular ou numa proposta de redação.

Por que cometemos esses lapsos? Pura distração? Não necessariamente. O problema está na própria prática da leitura. Nossa leitura se torna tão trivial, tão automática, que, por vezes, em vez de ler a palavra inteira, projetamos uma palavra a partir de uma ou duas sílabas ou letras iniciais. Certos softwares de redação de texto em computares ou até mesmo programas buscadores na internet, aliás, se servem dessa antecipação para facilitar a digitação e conferir mais velocidade a nosso trabalho, procurando antecipar o que iremos escrever. Ora, em tais softwares, a antecipação é um método utilizado para facilitar. A antecipação, durante a leitura, é um perigo. Tomar conveniência por convivência é um erro perigoso, que pode levar a um entendimento errado da questão e a uma resposta igualmente errada, qualquer que seja a disciplina.

Por tudo isso, entre os muitíssimos cuidados que você tem de tomar numa prova, nunca esqueça da leitura atenta, da releitura e, em caso de persistir a dúvida, da leitura palavra por palavra, porque uma só palavra pode alterar o sentido de toda uma frase. Sobretudo no tema da redação, este último cuidado é imprescindível. O vocabulário da língua portuguesa está repleto de palavras em que a simples troca de uma letra pode levar a enganos lamentáveis, como, por exemplo, acerto / aperto, apóstrofe / apóstrofo, bola / bota, corte / sorte, comprimento / cumprimento, degredo /  segredo, desafogo / desaforo, estofo / estojo, estorno / estorvo, forca / força. Não se trata de alguns, mas de centenas, talvez milhares de exemplos de vocábulos cuja diferença, na escrita, é de uma ou duas letras, sem falar nos homônimos homófonos (pronúncia igual, escrita ligeiramente diferente:  acento / assento, acerto / asserto, caçar / cassar) e dos homônimos homógrafos, que têm escrita e pronúncia iguais: leve (adjetivo) / leve (verbo levar), lima (verbo limar) / lima (ferramenta) / lima (fruta).

Percebeu? O vocabulário de nossa língua é um tesouro, mas essa riqueza pode implicar algumas ciladas, em virtude das numerosíssimas semelhanças que nos conduzem a ilusões de ótica no automatismo da leitura. Torne, portanto, seu ato de ler um pouquinho menos mecânico e mais malicioso, não se deixando apanhar por armadilhas da ortografia e do vocabulário. Valerá muito a pena, pode crer.

 

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