Você tem opiniões? Não tem? Ops!

No mundo atual, dominado pelos produtos da tecnologia, com lazeres e diversões oferecidos a cada passo, com liberdades nunca dantes navegadas nem pelos adultos, nem pelos jovens, é muito fácil o indivíduo se perder no marasmo dos prazeres e odiar as obrigações, o trabalho e até mesmo… as opiniões!

Não é incomum ouvirmos hoje afirmações como Não quero saber de política! Não me interessa a Ecologia! Não tenho opinião sobre nada! Os outros que achem, eu não acho coisa alguma!

Frases como estas são pronunciadas com muita pose, como vindas de um sujeito autossuficiente e poderoso. Seria?! Nem tanto. O indivíduo que as pronuncia não percebe que, ao emiti-las, quer queira quer não queira, está manifestando opiniões e não fugindo delas. Isso é ruim? Pode ser, pode não ser.

Diga-se primeiramente que, no sistema democrático em que vivemos, qualquer pessoa tem o direito de manifestar-se desse modo. O problema ocorrerá, porém, quando quem assim se manifestou tiver de defender sua opinião diante de uma pessoa bem munida de argumentos contrários. Vai ser bastante difícil demonstrar que o melhor de tudo é não participar de nada.

Mais difícil ainda se tornará a um vestibulando defender tal atitude, caso o tema proposto tenha uma abertura para opiniões como essa. Não quero saber de política não é uma opinião muito fácil de entender e justificar, e o candidato terá de escrever muito, mas muito bem para fechar a partir dela uma redação coerente. Do mesmo modo, será complicado dissertar com base em opiniões como Não me interessa a Ecologia! Não tenho opinião sobre nada! Os outros que achem, eu não acho coisa alguma! Como costuma dizer o povo, você vai ter de rebolar para defender pontos de vista como estes, que vão de encontro às opiniões comuns e ao bom senso.

A lição que se tira dos comentários acima já constitui uma ajuda: mesmo que você sustente que não tem opinião sobre um tema, isso já é uma manifestação de opinião. Parece engraçado, mas é lógico. E é preciso evitar que se torne trágico, caso tente demonstrar seu ponto de vista em uma redação de vestibular ou de outro concurso. Imaginemos que você, teimosamente, ainda queira desenvolver sua redação sem mudar esse parecer. Neste caso, não chegue nunca à prova sem ter feito antes simulações, sem ter buscado argumentos para comprovar que sua opinião é defensável. Faça reflexões a respeito. Se você escrever bem e preparar bem sua argumentação, até conseguirá fazer um bom texto. Mas pode acontecer também que, durante o preparo e a simulação de redação, você descubra que está enganado e resolva assumir um ponto de vista mais próximo do senso comum. Então mude e faça o mesmo processo de organização de argumentos e simulação.

Percebeu bem? Mesmo quando não quer ter opinião sobre um tema, você acaba tendo uma, ainda quando seja a opinião de não ter opinião. Ao fazer isso, ninguém se torna superior ou inferior a outros, apenas diferente no modo de focalizar um fato. Conclusão: não renegue o que você sente, por mais absurdo que possa parecer a outras pessoas, mas procure ser coerente na manifestação e na defesa de suas posições. E coloque sempre a possibilidade de mudar de opinião, quando suas reflexões apontarem nesse sentido. Todo indivíduo dotado de bom senso admite que as mudanças fazem parte de nossas ações. Até o bom e venerável Luís de Camões, já referido por um verso acima, e que disse, com toda a propriedade, num soneto: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / muda-se o ser, muda-se a confiança, / todo o mundo é composto de mudança, / tomando sempre novas qualidades.

Se não acredita no Blogueiro, acredite, pelo menos, no grande mestre Camões. Falei!

 

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