Filosofando sobre as questões objetivas

Às vezes é bom observar sob um ângulo diferente os fatos ou objetos que conhecemos. Um exemplo vem a calhar: falamos tanto em questões objetivas e questões discursivas, que acabamos esquecendo o que realmente representam e como funcionam, sobretudo quando estamos tentando resolvê-las em provas de vestibulares ou de outros concursos públicos. Filosofar um pouco sobre o assunto, deste modo, pode ser de grande utilidade como mais um instrumento de estudo. Tentemos fazer isso, por partes.

1. Por que denominamos questão objetiva? Pelo fato de haver apenas uma resposta que atende objetivamente, com todos os seus conteúdos, ao que foi solicitado, enquanto as outras quatro falham em maior ou menor grau nessa tentativa.

2. Do ponto de vista de quem responde, a resposta correta está lá, entre as cinco apresentadas, e quem responde não vai acrescentar nada a ela, vai apenas identificá-la. Não é o que ele acha — é o que a própria estrutura da questão, enunciado + alternativas, estabelece objetivamente.

3. Do ponto de vista do elaborador, a objetividade da questão é algo que decorre de um trabalho árduo, de muita repetição, muito teste, para verificar se nenhum traço de subjetividade dele, elaborador, escapou na resposta que apresenta como correta.

4. Se o elaborador colocou em parte da resposta que apresenta como correta não o que corresponde ao que está no enunciado, mas o que ele acha ou o que ele, no momento, sentiu como correto, que acontecerá? O candidato poderá “achar” ou “sentir” outra coisa e aí estará criado um problema que implicará com toda certeza a anulação da questão, em virtude de a alternativa apresentada como correta permitir mais de uma interpretação, isto é, ter perdido a objetividade.

5. Uma resposta objetiva, portanto, não permite dupla interpretação, apenas uma, que tem de valer para todos os que tentam encontrá-la.

6. Outro fato que pode ocorrer diz respeito à geração das respostas erradas. São elas mais trabalhosas para o elaborador do que a correta, pois têm de parecer, em maior ou menor grau, corretas, com um ou outro conteúdo errado, para diferenciá-las da que tem todos os conteúdos corretos. Essa dificuldade em estabelecer as respostas erradas conduz, muitas vezes, o elaborador a deixar de perceber que uma resposta apresentada como errada poderia ser considerada inteiramente correta sob outro ângulo de interpretação. Neste caso, ou a questão é anulada, ou ambas são consideradas corretas. Exatamente por esse perigo de quebra da objetividade, a criação de respostas erradas é sempre o caminho das pedras para o elaborador, assim como a procura da resposta correta é o caminho das pedras para quem responde.

7. Sabendo de tudo isso, o candidato pode desenvolver uma técnica de leitura, interpretação e resposta para qualquer questão objetiva, com base na identificação e eliminação inicial da alternativa mais errada, até atingir a inteiramente correta. Pode acontecer que, ao final, fique em dúvida entre duas, o que torna menos trabalhosa a identificação.

8. Outra reflexão útil ainda sobre a relação entre o enunciado, tecnicamente chamado raiz da questão, e as alternativas: Raiz e alternativas formam uma espécie de jogo, em que a raiz cria uma lacuna e as alternativas tentam preenchê-la, embora apenas uma delas possa fazê-lo de modo inteiramente correto. Assim, quando aproximamos a raiz da resposta correta, revela-se uma estrutura completa, fechada, com a raiz correspondendo à abertura e a alternativa correta ao fechamento.

9. De certo modo, a estrutura das questões objetivas toma por referência os diálogos que fazemos todos os dias, em que pedimos ou trocamos informações, servindo-nos de frases imperativas como Aponte o autor do gol da vitória, ou de frases interrogativas, como Quem marcou o gol da vitória? As questões de vestibulares e concursos são apenas um pouco mais elaboradas.

10. Ora, é preciso observar, finalmente, que o tema ou assunto abordado pela questão objetiva não precisa ser, necessariamente, dotado de completa objetividade. Pode-se elaborar questão objetiva sobre um poema, por exemplo, que apresenta parte de seu conteúdo dotada de subjetividade, vale dizer, de expressão afetiva, emocional do poeta. Nem por isso a questão deixa de ser objetiva, pois explora também objetivamente esses conteúdos que expressam sentimentos ou emoções.

É isso aí! Filosofando, às vezes a gente consegue entender certos pormenores das coisas e dos fatos que não havíamos conseguido perceber antes com a mesma clareza.

O Blogue lhe deseja sinceramente a felicidade de ser cem por cento objetivo em suas respostas nas provas da primeira fase.

 

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