Não deixe o cujo fazê-lo perder pontos

Numa frase como a que serve de título a este artigo, a palavra cujo aparece como substantivo, o que se verifica por vir determinado pelo artigo e por ser o núcleo de um sintagma nominal. Seu significado, porém, não se revela tão facilmente nesta frase isolada. Poderia ser, por exemplo, como informa o Aurélio, qualquer pessoa indeterminada ou de quem não se quer dizer o nome; sujeito, indivíduo, fulano, camarada, cara; dito-cujo. Num contexto religioso, poderia significar o demônio, pelo mesmo motivo: a superstição em pronunciar um dos nomes do diabo. Ops! acabei escrevendo duas vezes o nome do cara!

Na verdade, o autor do artigo não quis atualizar nenhum dos significados acima à frase-título. Simplesmente quis fazer referência. pela substantivação, ao pronome relativo cujo. Nosso idioma tem essa possibilidade: correr, por exemplo, é um verbo e apresenta uma conjugação completa; no entanto, se empregarmos, numa frase, o correr, já não temos mais um verbo, temos um substantivo determinado pelo artigo o.

Pode continuar lendo sem susto o artigo: não se falará nem em alguém desconhecido, nem no dito-cujo, mas no pronome relativo cujo. Outro dia, um professor de Língua Portuguesa, formado pela Unesp estava contando uma estória para a filha de oito anos, quando esta o interrompeu e perguntou:

 

Papai, que palavra é essa que você utilizou?

Qual palavra, filha?

“Cujo”, o que quer dizer isso.

Para satisfazer a curiosidade da filha e, ao mesmo tempo, começar a ensiná-la a usar adequadamente, o professor interrompeu a estória e explicou que cujo é um pronome relativo imprescindível para a construção de certas frases. Depois de algumas explicações e exemplos de emprego de pronomes relativos e, particularmente, de cujo, cuja, cujos, cujas, a filha exclamou:

 

Ah! acho que agora entendi! Pode voltar à estória!

 

É claro que a filhinha não deve ter entendido tudo tão facilmente, mas, pelo menos, recebeu a primeira aula sobre o emprego de uma palavra que constitui verdadeira ferramenta do idioma, sem a qual muitas frases saem “mancas” e redundantes. Observe estas construções, características da oralidade e muitas vezes registradas em jornais e revistas:

 

O funcionário que o pai dele pediu emprego na empresa é chefe de seção.

Será punida com perda de pontos a equipe que a torcida dela atirar pedras ou objetos contundentes nos adversários.

Estes são dois exemplos típicos de frases “mancas”, que assim foram construídas por desconhecimento do valor e das funções do pronome relativo cujo. Observe, agora, como deveriam ser elaboradas:

 

O funcionário cujo pai pediu emprego na empresa é chefe de seção.

Será punida com perda de pontos a equipe cuja torcida atirar pedras ou objetos contundentes nos adversários.

Nestes exemplos se percebe como é importante o domínio do relativo cujo, que representa um auxiliar precioso em termos de clareza, simplicidade e eficiência das frases em que é empregado adequadamente.

Você percebeu a importância? Em qualquer gramática ou manual escolar, bem como sob forma de artigos na internet, você poderá, em poucos minutos, avaliar a eficiência do relativo cujo e o seu caráter insubstituível no idioma. Faça isso. Estude, pratique, pergunte ao professor quando ainda tiver dúvidas, para dominar todas as possibilidades de emprego dessa palavra. Sua redação terá um acréscimo significativo de qualidade. Não deixe o cujo fazê-lo perder pontos em exames vestibulares e outros concursos.

 

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