Diversificar, a chave para o sucesso

Agora que os candidatos aprovados em vestibulares, tomados por grande euforia, começam a fazer suas matrículas e a sonhar com o futuro, vale a pena refrear um pouco as emoções e observar a realidade objetivamente. É claro que todos, sabendo que ingressaram em ótimas universidades, imaginam que sairão delas muito bem formados e aptos para obter vagas em empresas e instituições ou para o trabalho autônomo, seja qual for a profissão escolhida. Isso é verdade, mas não inteiramente. Quem se forma em universidade, por melhor aproveitamento que tenha obtido, não enfrentará um mercado de trabalho prontinho, exatamente adequado ao que o profissional pretende. O mundo atual é muito dinâmico, dominado pelo intenso desenvolvimento em todas as áreas e pelas tecnologias da comunicação e da informação. O que um ano atrás era trivial, agora não é mais: outros recursos, outros meios, outros pontos de vista alteraram bastante o exercício de certas profissões, de modo que, tanto os que já trabalham há bom tempo como os que agora ingressam têm de assimilar tais transformações para não perder qualidade de desempenho.

Que significa isso para o estudante universitário, qualquer que seja seu curso? Que não deve se contentar em apenas fazer o curso, mas buscar estágios, iniciações e, mesmo, disciplinas de outras áreas de conhecimento para que, ao receber o diploma, reúna muito mais condições de enfrentar o ambiente externo. Um exemplo, a este respeito, pode servir muito bem: no início dos anos 90, estudantes de um curso de arquitetura de grande universidade pública perceberam que o mundo estava mudando com o advento da informática, da internet, dos softwares especiais que eles, estudantes, consideravam aplicáveis à arquitetura, mas ainda não faziam parte do currículo. Ao questionarem seus professores sobre a necessidade desses softwares em seu curso, receberam opiniões contrárias, algumas muito adversas. A maior parte dos docentes não aceitava a Informática aplicada à criação de projetos, e alguns chegavam a afirmar que os instrumentos eternos dos arquitetos deveriam ser o lápis e a prancheta, pois só com estes se poderia fazer de fato projetos originais. E os programas de computadores, segundo eles, anulavam a criatividade, roubavam o caráter de arte da Arquitetura. A maioria dos estudantes acatou o posicionamento, mas alguns, não satisfeitos com as respostas, trataram de consultar professores de cursos de Informática. Receberam apoio e licença para usar computadores nos laboratórios em horas ociosas (muitas vezes durante a noite), e com isso tiveram aprendizado e domínio de programas para criar projetos e animações sem a utilização das velhas pranchetas. Com tal atitude, acabaram ampliando e diversificando sua competência. Uma vez formados, deram-se muito bem de imediato, quer no trabalho autônomo, quer como funcionários de empresas, porque naquele momento, meados dos anos 90, o mercado de trabalho estava procurando arquitetos com domínio de softwares de projetos e de animação. Concluindo o exemplo: aqueles jovens arquitetos tiveram sucesso, porque foram capazes de detectar o que encontrariam quando começassem a trabalhar. Hoje, evidentemente, não há curso de arquitetura que não tenha no currículo disciplinas para aprender e dominar os softwares mencionados e muitos outros, valendo dizer que, ao que consta, a Arquitetura com eles não perdeu seu caráter de Arte, mas passou a utilizar um novo instrumento que intensificou a capacidade de criação.

Exemplos como este servem como alerta. O estudante nos bancos acadêmicos não pode ser passivo, tem de ter os olhos voltados para a realidade externa, para as alterações e para as carências da profissão que terão de seguir. E preparar-se para essa realidade até o último dia de aula, buscando aprender sempre mais do que o próprio currículo do curso prevê. Em certo sentido, isso já representa uma concepção de profissional, não apenas de aluno, uma visão de que a realidade que enfrentará é dinâmica e diversificada, exigindo permanentemente de cada um de nós o mesmo dinamismo e diversificação de competências.

É isso aí. Diversifique sempre. Seja um profissional dinâmico desde o primeiro dia de aula.

 

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