Questões Discursivas: atenção no ler, clareza no escrever

Muitos candidatos, todos os anos, temem as questões discursivas, julgando-as mais difíceis que as objetivas. Outros, ao contrário, as adoram, dizendo que é mais fácil obter boas notas com elas, pelo simples fato de que podem expressar-se por si mesmos, e não escolher alternativas escritas pelos elaboradores, nem sempre muito claras para eles.

Na verdade, não há motivo nem para se preocupar demais nem se entusiasmar com essas perguntas, porque não são melhores nem piores que as objetivas: são diferentes, avaliam as competências dos candidatos sob ângulos distintos. Por esta razão, devem ser enfrentadas pelos candidatos com atitudes apropriadas: as questões objetivas exigem atenção redobrada no ler; é preciso analisá-las “com pente fino” para descobrir qual das alternativas, cuja leitura deve ser também minuciosa, contém a resposta correta.

Ora, se as questões objetivas demandam leitura atenta e redobrada, as discursivas impõem, além do extremo cuidado na leitura dos enunciados, o máximo capricho na escrita. “Capricho”, aqui, significa clareza. O principal predicado de uma resposta a questão discursiva é a clareza. Sem esta, pode o candidato até saber o que é correto, sem conseguir, no entanto, comprová-lo ao responder. No caso das questões objetivas, descoberta a alternativa correta, é só marcar. No caso das discursivas, descoberta a solução depois de muito interpretar, é preciso demonstrar isso de próprio punho à banca de correção. Não se trata de tarefa muito fácil, portanto, embora tenha as suas vantagens, como, por exemplo, a de se poder acertar uma parte da resposta e receber a nota correspondente, o que  não ocorre com as questões objetivas, em que tudo se resume a oito ou oitenta: ou acerta a alternativa, ou erra.

E o que é clareza, afinal? É a propriedade de um texto de ser compreendido sem dificuldade pelo leitor. A mensagem passa diretamente, sem dificuldade. Ao contrário, se um texto oferece dificuldade total ou parcial para ser entendido, dizemos que tem o defeito da obscuridade.

Como atribuir a propriedade da clareza ao que escrevemos? Parece difícil, mas não é. Basta ter em mente que escrever é uma via de mão dupla: quando se escreve, ao mesmo tempo se lê o que se escreve. Nesse primeiro momento, já temos uma noção sobre o grau de clareza de nosso texto. Por isso, o melhor truque é pensar muito na resposta, elaborá-la mentalmente antes de colocá-la no papel; e escrevê-la lentamente, sempre lendo o que está sendo escrito. O estudante que ficar nesse nível e escrever a resposta pode até acertar integralmente. Foi treinado para isso ao longo do ensino médio e do curso preparatório. Mas, se quiser ficar bem seguro, deve fazer pelo menos mais uma leitura, muito atenta, colocando-se como receptor, para detectar pontos obscuros na resposta que deu. Uma vírgula não colocada ou mal colocada pode ser fator de obscuridade. Um tempo verbal mal escolhido pode levar o conteúdo para uma direção não pretendida. Uma regência verbal equivocada pode fazer uma frase mudar drasticamente de sentido. Talvez a palavra que melhor descreve esta técnica seja ceticismo. O candidato deve exercitar o ceticismo nas respostas que dá, pressupondo sempre, por método, que pode ter errado alguma coisa e precisa descobrir e corrigir. E muitas vezes descobrirá errinhos e cochilos, porque é natural cometê-los quando se escreve. Nenhum escritor, estudante ou literato, consegue ser perfeito na primeira redação.

É isso aí. Pelo menos como método de aperfeiçoamento de suas respostas discursivas, seja desconfiado, acredite que pode ser mais claro e eficiente em suas respostas. E realmente o será.

 

 

 

Leave a Reply