Questões Objetivas: leitura é tudo

Muitas pessoas acreditam que as questões objetivas em testes de múltipla escolha são “mais fáceis”. Há fundamento lógico nessa crença? Nenhum. As questões objetivas carregam apenas uma impressão de facilidade. Na realidade, podem ser tão difíceis, ou tão fáceis, quanto as questões discursivas. O termo “questão objetiva”, aliás, pode ser responsável por esse equívoco, pois, ao designar uma pergunta que apresenta a alternativa correta entre as erradas, parece um indicador de menor dificuldade para a resposta. Não é. E o candidato, quer de concursos em geral, quer de exames vestibulares, deve sempre estar precavido contra esse modo de pensar, que pode induzi-lo a erros primários em suas respostas.

Se perguntarmos a um grupo de estudantes como se pode errar em uma questão discursiva, por certo algum brincalhão responderá: Marcando uma das respostas erradas! Todos acharão muito engraçado, mas, de fato, essa é a primeira observação lógica: E o  que pode conduzir à escolha de uma resposta errada? Novamente aqui o brincalhão dirá: Não ter conhecimento do assunto. Eliminando estas duas possibilidades, obviamente lógicas, pode-se colocar em seguida outro tema: Que fatores podem interferir positiva ou negativamente nas respostas que o candidato escolhe para questões objetivas? Neste momento, o brincalhão não conseguirá responder nada, embora seja o ponto mais importante: certos aspectos, se bem observados pelo candidato, podem interferir ao longo da leitura e da interpretação de questões objetivas, levando-o a melhorar seu desempenho.

O primeiro fator é a atenção: a leitura e a interpretação de uma questão objetiva requer atenção em dobro, justamente para neutralizar a impressão de facilidade, porque é esta uma das principais causas de erros.

O segundo, decorrente do primeiro, é a leitura sistemática. Em toda questão objetiva há duas partes essenciais, o enunciado, tecnicamente chamado raiz, e as alternativas. Qual a relação óbvia entre as duas partes? Uma das alternativas completa o que é deixado em suspenso na raiz. Em outras palavras: a raiz coloca a pergunta e fornece pistas; as alternativas fornecem, entre as respostas, apenas uma adequada. Em outras palavras ainda: a raiz tem uma lacuna que uma só das alternativas preenche adequadamente. Por tudo isso, uma leitura meticulosa da raiz deve servir para detectar e confirmar o que ela deixa por preencher.

O terceiro fator é a leitura sistemática das alternativas. De posse de uma boa leitura e interpretação da raiz ou enunciado da questão, a leitura das alternativas deve ter como objetivo eliminar uma a uma as inadequadas ou erradas. Deve o candidato pensar, neste ponto, como já foi observado em outro artigo deste Blogue, que o elaborador das alternativas tem uma missão tão espinhosa quanto à do candidato: deve fornecer uma resposta correta e quatro incorretas. Essa missão não é fácil de ser cumprida. Requer conhecimento especializado da disciplina, uma refinada técnica de elaboração e domínio superior de discurso. Por quê? Porque a questão se destina a avaliar o conhecimento, a competência do candidato. Não é chutologia, como diz o povo. As alternativas devem representar possibilidades concretas de respostas, sendo apenas uma delas inteiramente procedente. As demais podem conter parte maior ou menor da resposta, mas nunca a resposta completa. Com isso, verifica-se objetivamente a competência do candidato e se pode estabelecer a diferença de domínio dos conteúdos. Vale dizer: o elaborador tem de ser competente e objetivo ao elaborar as questões; e o candidato tem de ser competente e objetivo ao respondê-las. Se, ao responder, tentar empregar apenas a intuição, correrá bastante perigo, a começar pelo fato de que qualquer atitude subjetiva nega o caráter “objetivo” desse tipo de pergunta. Em conclusão: palpitologia é algo contraproducente. O candidato deve criar seu método de interpretação das alternativas, partindo do princípio de que elas formam um conjunto que deve ser lido e interpretado em seu todo para a identificação da resposta correta.

Valeram os conselhos? No próximo artigo haverá ainda algumas indicações importante sobre a leitura das questões objetivas.

 

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