Repetições de palavras: que perigo!

Os grandes problemas em nossas atividades surgem por vezes de pequenas causas, aparentemente insignificantes. É o que ocorre, por exemplo, quando você redige respostas a questões discursivas ou, mesmo, na redação. Nossos professores jamais cansam de alertar para certos vícios que podem ser muito perigosos. Um deles é o de repetir palavras.

Repetir palavras ou frases é necessário e útil em certas circunstâncias, quando queremos ser enfáticos. Em outras, torna pesado nosso estilo e traz danos à compreensão daquilo que falamos ou escrevemos. Uma palavrinha em que usualmente não prestamos muita atenção pode fazer isso: mas. Não acredita? Acredite. Pequenina e bonitinha, não? Muito perigosa!

Na escola, você aprendeu que mas é um conectivo, uma conjunção coordenativa adversativa, que tem como colegas porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, etc. Quando o professor alerta em aula para o perigo de ficar repetindo mas, os estudantes acham fácil resolver o problema: é só trocar pelas outras conjunções adversativas. Esse é o nó da questão: nem sempre dá para trocar pelas outras, de modo que é preciso fazer alteração no enunciado da frase para eliminar a repetição indesejável. Eis um exemplo:

 

Dizem os livros de História que o Brasil foi descoberto por Cabral, mas há estudos que sugerem ter ocorrido o descobrimento um pouco antes, mas foi ocultado na época por razões políticas, mas ninguém parece se importar com isso no Brasil e continuamos repetindo uma informação antiga, mas questionável.

 

Estilo bem pesadão, não é verdade? Sim. O escritor desta frase poderia até retrucar que o conteúdo está claro. Está mesmo. Dá para entender tudo. A insistência no mas, por quatro vezes, é um fator de perturbação. O leitor notará e por certo comentará algo como Esse cara não sabe redigir com classe! A repetição de mas é muito coloquial!

Realmente. Ao falarmos, em especial na comunicação ordinária, a preocupação maior é passar a mensagem com rapidez e clareza, ninguém se importando muito em repetir ou não palavras. Já numa comunicação formal, numa apresentação de trabalho em classe, numa aula expositiva, devem ser evitados os coloquialismos, entre os quais as repetições desnecessárias. O mesmo ocorre na comunicação formal escrita.

Se você prestou bem atenção, percebeu no parágrafo anterior a ideia fundamental do alerta que está sendo feito: devem ser evitadas, na comunicação formal, repetições desnecessárias. No exemplo fornecido, empregar mas quatro vezes é desnecessário? Sim, e indesejável, como ficou dito no terceiro parágrafo. Reescrevendo o enunciado, podemos obter um resultado melhor:

 

Dizem os livros de História que o Brasil foi descoberto por Cabral. Há estudos, no entanto, que sugerem ter ocorrido o descobrimento um pouco antes, tendo sido ocultado na época por razões políticas. Ninguém parece se importar com isso no Brasil e continuamos repetindo uma informação antiga, questionável.

 

Ficou bem melhor, não ficou? Digna de uma redação de vestibular ou de uma resposta a questão discursiva. Você pode até não concordar com o conteúdo, que está no campo da polêmica, sem negar que ficou bem mais agradável de ler.

Reparou que neste artigo o conectivo mas foi apenas mencionado e empregado no exemplo? Pois é. Foi uma decisão que o Blogueiro tomou no início: Vou escrever o artigo sem usar o conectivo mas nas frases de minha exposição. Quero demonstrar ao estudante que isso é possível.

Você pode fazer o mesmo, sempre que quiser deixar seu texto mais elegante. Boa redação!

 

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