A cibersociedade está chegando

Parece uma obviedade comentar que o artigo 6º. da Resolução Unesp nº. 86, de 4 de julho de 2012, informa que as “inscrições para o Concurso Vestibular Unesp de 2013 serão realizadas exclusivamente pela internet, mediante o preenchimento da ficha de inscrição e o pagamento da taxa por meio de qualquer agência bancária.”  Para você, que tem dezoito anos, é um fato tão trivial, que nem se dá conta do que ele significa, não só com relação ao passado, como em relação ao futuro.

Até o início da década de 90, em nosso país, o uso de pecês era ainda muito restrito e a navegação em rede uma absoluta novidade. Naquele tempo, tudo era ainda feito pessoalmente ou pelo correio. Os telefones celulares, que eram fabricados havia pouco tempo, tinham o apelido de tijolões, pois não cabiam em qualquer bolso. Os pecês eram grandões, feiosos e lentos, com programas cheios de defeitos e sistemas operacionais que empacavam a toda hora. Para inscrever-se em vestibulares, o estudante tinha de localizar um posto de inscrições, receber formulário, preenchê-lo, pagar a inscrição em bancos e após voltar ao posto para formalizar a inscrição. Hoje, você pode apenas ligar o computador e fazer tudo em poucos minutos. Fácil, não? Não apenas fácil, mas altamente significativo: as tecnologias da comunicação e da informação estão mudando o mundo. Você vive boa parte de sua vida conectado, conversando ao celular, baixando livros e revistas em seu tablet, navegando na internet, dialogando em redes sociais, fazendo compras, movimentando contas bancárias, pesquisando, estudando. Não apenas você e boa parte da população, mas praticamente todas as empresas e instituições públicas. Todos tem seu endereço eletrônico, seu site, seu blogue, seus seguidores nas redes sociais.

Essa vida em conexão, cujo tempo diário tende a aumentar, espelha a realidade de um mundo que está sendo inaugurado. Alguns o chamam de Sociedade da Informação, outros de Sociedade do Conhecimento, outros ainda de Cibersociedade. Qualquer que seja o termo empregado, o significado é praticamente o mesmo. As próximas gerações tendem a aumentar as horas diárias de conexão, de sorte que terão uma boa parte da vida, senão a maior parte, em rede, no universo ciebernético, enviando e recebendo dados, ensinando e aprendendo, comprando e vendendo, amando e odiando.

Em muitas grandes empresas do mundo, boa parte dos funcionários não trabalha na sede, mas em casa. A sede é a rede da empresa na qual todos estão diariamente conectados para o trabalho diário. As próprias universidades do mundo inteiro estão se preparando, umas mais adiantadas que outras, para a época em que boa parte de seu ensino será semipresencial, com os estudantes recebendo aulas e conteúdos em casa e apenas frequentando os câmpus para atividades eminentemente práticas ou laboratoriais. Surgirá, assim, uma nova concepção de universidade e o aumento do número de vagas será gigantesco. Isso também ocorrerá, em diferente medida e método, com os ensinos fundamental e médio. Fantástico! diriam alguns. Assustador! diriam outros. Não há, porém, como escapar dessa nova forma de existência da humaninade, que caracterizará uma nova civilização. Os jovens pais de hoje se gabam de que seus filhos já nascem sabendo utilizar pecês, celulares e tablets. E nascem mesmo!

Você, que está ingressando ou vai ingressar proximamente numa universidade, já viverá muito concretamente essas mudanças. Uma parte muito grande de suas atividades, de seus trabalhos e de suas pesquisas será realizada online. O mesmo ocorre para professores, pesquisadores e funcionários. Um câmpus universitário, hoje, está conectado a outros câmpus de todas as partes do mundo e a instituições de pesquisa, museus, bibliotecas e instituições públicas.

Algumas pessoas, que ainda não assimilaram totalmente essas mudanças, talvez perguntem, assustadas: Isso não criará uma sociedade perigosa? Toda essa parafernália eletrônica não vai  mudar perigosamente os homens? A resposta é simples: não. O homem continuará sempre o mesmo, com suas virtudes e defeitos, com seus sonhos e ideais, com suas ousadias e com os seus medos. A diferença entre os homens continuará a mesma: uns serão mais determinados, mais esforçados, mais capazes de grandes sacrifícios para atingir seus ideais. Outros preferirão uma vida mais amena, sem grandes ousadias e sem grandes sacrifícios. E outros… bem, outros terão, como têm hoje, milhares de oportunidades de acertar e errar ao longo de suas vidas.

A Cibersociedade não será uma sociedade de máquinas, de seres cibernéticos, mas continuará sendo uma sociedade de seres humanos.

 

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