Os melhores anos de sua vida

Com a proximidade da divulgação dos resultados dos vestibulares de meio de ano, além da ansiedade natural da espera, uma preocupação pode tomar conta de sua mente, se o curso escolhido for em uma cidade distante: E agora? Se eu passar, como será? Como será viver longe de meus familiares, numa cidade tão distante da minha? Será que aguentarei?

Claro que aguentará. Aliás, não só aguentará, como também se sentirá o tempo todo premiado por sua decisão. Você sabe que o momento do ingresso em um curso superior, em um tão sonhado curso superior de qualidade, como são os da Unesp e de outras universidades públicas, é um momento de passagem, de mudança, de crescimento. É o marco de sua afirmação como uma pessoa que, por necessidade da própria existência, se tornará em breve independente e ativa. A universidade traz realmente esse símbolo pessoal para você. O curso que fará não será mais um curso, será o curso. Nele você estabelecerá aos poucos suas metas futuras de trabalho, analisará as possibilidades de exercer a profisssão em sua cidade ou aceitar propostas em lugares ainda mais distantes, mas com perspectivas de um crescimento profissional consistente e definitivo. O curso universitário é, de certo modo, o ensaio de toda a sua vida futura. Mais que isso: é já uma parte de sua vida futura.

Não fique pensando, porém, que a passagem pela universidade seja aquela coisa careta, lotada apenas de seriedade, em que não cabem momentos de alegria e prazer. Muito pelo contrário. A grande maioria das pessoas formadas por universidades, quando indagadas a respeito de como julgam o tempo que passaram no câmpus, abrem sorrisos de saudade e começam a narrar suas reminiscências. E são sempre boas reminiscências. Nada mais natural. Os câmpus universitários representam uma espécie de microcosmo, uma comunidade formada por indivíduos otimistas em busca de realização. Lá acontece de tudo, desde a seriedade das reflexões e das tarefas das diferentes disciplinas até as relações sociais mais gratificantes, sem falar no prazer das atividades culturais e, mesmo, das brincadeiras, que por vezes trazem tanta euforia quanto as da infância.

As amizades que se fazem nos câmpus são duradouras, daquelas que se levam por toda a vida, e não é raro nascerem ali as próprias relações de futura parceria profissional. Ali se planejam até mesmo empresas de sucesso, que logo estarão marcando presença produtiva no mundo, com sócios bastante conscientes do que e de como pretendem exercer atividades na indústria, no comércio ou na prestação de serviços. Assim também muitas vezes o fim dos cursos de graduação não é ainda o fim, pois os que se formam buscam pós-graduação e especializações, no país e no estrangeiro, para polirem ainda mais sua capacidade de atuação no trabalho que escolheram.

Algo importante a concluir do que foi dito acima é que, ao ingressar na universidade, você não irá, de forma alguma, para um sacrifício. Algumas pessoas, até com boa intenção, empregam equivocadamente esta palavra para tentar descrever, aos jovens, que na vida nada se consegue sem esforço, e por vezes grande esforço pessoal. É verdade. Mas palavras como sacrifício e sacrificar-se não são muito apropriadas para rotular esse esforço, pois estão marcadas por velhos conceitos de velhas religiões e superstições de épocas em que se acreditava ser preciso perder alguma coisa para os deuses, a fim de que estes retribuíssem com graças e atendessem pedidos. Nada disso. Estamos no século XXI. Esforço pessoal nada mais é que esforço pessoal, determinação, utilização das próprias capacidades com vistas a resultados produtivos em termos de formação e desenvolvimento profissional.

Sua formação na universidade, assim, nunca é feita de perdas, mas de conquistas. Venha. Conquiste. E, passado o tempo, quando estiver num daqueles momentos em que se olha saudosamente para o passado, diga, como tantas outras pessoas que fizeram o mesmo trajeto: Aqueles foram os melhores anos da minha vida!

 

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