A parafernália eletrônica e você

Costumamos empregar o termo parafernália quando queremos nos referir com  bom humor a um conjunto de objetos usados por alguém em certa atividade, como, por exemplo: Lá vem o Jarbas, meu amigo pescador, com sua parafernália, para apavorar os peixes da represa!

Com tanta ou até mais propriedade, podemos empregar a palavra parafernália, hoje, para nos reportarmos aos objetos que as TICs, as tecnologias da informação e da comunicação colocam em nossas mãos: computador, notebook, netbook, e-reader, tablet, telefone celular, sem falar nos equipamentos auxiliares como pendraive, agadê externo, cartão de memória, as máquinas fotográficas e filmadoras digitais e as mídias como o cedê, o devedê e o blu-ray, etc., etc., etc. Tudo isso, é claro, mediado e inter-relacionado pela internet, pela rede, que constitui uma espécie de segundo universo em que a humanidade navega, produz e deposita informações, conhecimentos, experiências e se mostra inteiramente ela, humanidade, com tudo o que tem de bom e de mau, de respeitável e desprezível, de pacífico e violento, de dignificante e de vergonhoso.

Com a internet e essa parafernália toda, você pode considerar-se, hoje, um indivíduo novo, completamente diferente das pessoas de algumas décadas atrás, em que a grande fonte de informações e conhecimentos eram as velhas e sebosas enciclopédias, que hoje ainda podem ser lidas, é claro, e muito aperfeiçoadas, na rede. Cartas e máquinas de escrever viraram peças de museus; o papel, para alegria das árvores e das florestas, está sendo cada vez menos utilizado. Você se comunica agora pelo celular, envia torpedos aos amigos, troca emails no trabalho e na vida particular, baixa documentos, programas e jogos em poucos instantes, visita museus do mundo todo apenas olhando para o monitor… e não precisa mais daquele colega ou daquele professor particular para resolver suas dúvidas de estudo. Tudo está na rede, é só pesquisar aqui e ali e encontrar muito mais do que procurava.

Lindo e maravilhoso esse negócio de ser um novo homem, não é? Para alguns, é mesmo. Para outros, é e não é, pois a questão de ser um novo indivíduo não quer dizer que você possa receber tudo de graça do mundo digital e do universo cibernético. Nada disso. A parafernália eletrônica implica que você tem de desenvolver novas habilidades e empregar muito esforço e determinação para atingir suas conquistas, como, por exemplo, aprender mais do que ensinam na escola e ser aprovado em exames vestibulares. Aumentou, portanto, meu caro, sua responsabilidade como um novo homem do século XXI. Você tem maravilhosos instrumentos em mãos, com os quais o próprio Einstein nem sonhava. E tem de ser digno dessas dádivas da eletrônica para delas extrair tudo o que se pode e deve extrair.

E aqui não cabem desculpas de que a eletrônica o escraviza e o deixa sem ação. O oposto é que é verdadeiro: todos os objetos que a tecnologia da informação coloca em suas mãos são passivos. O ativo tem de ser você.

Pense nisso! Só você pode ser o diretor e coordenador do processo de se transformar em um homem à altura do século em que vive.

 

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