Qual o melhor curso universitário?

Um dos temas mais comuns nas preocupações dos estudantes do ensino médio é o do curso a escolher. Qual o melhor curso de todos? Medicina! respondem uns. Direito! retrucam outros. Mecatrônica! Engenharia! Arquitetura! Odontologia! Publicidade! Jornalismo! Economia! Administração de Empresas! Biologia! Engenharia de Alimentos! Informática! Educação Física! etc., etc., etc. Com quem estará a razão?

Com ninguém. Não há melhor nem pior curso. Há, é claro, certa preferência dos candidatos e da população por alguns cursos. Essa preferência é alimentada por preconceitos que nada têm a ver com a escolha que cada estudante terá de fazer de fato quando se inscrever em vestibulares. Um exemplo clássico: certo estudante imaginou a vida toda que Medicina seria o melhor curso e estudou com afinco para, ao sair do ensino medio, ser aprovado num vestibular de universidade pública. Passou num dos primeiros lugares. Fez seis meses de curso e desistiu, explicando aos pais e amigos que a Medicina não o impressionava: queria fazer um curso que o apaixonasse. Fez o vestibular novamente no final do ano e foi aprovado em Jornalismo. Formou-se e exerceu a profissão a vida toda, com muito sucesso profissional e satisfação pessoal.

Qual a moral da estória acima? Não se escolhe um curso por ser melhor ou pior na opinião dos outros, mas por ser aquele que se deseja fazer realmente, aquele que propiciará ao candidato sua realização como pessoa. Muitos estudantes acertam a escolha na primeira vez. Outros erram e acertam posteriormente em nova ou novas tentativas. O importante, em qualquer caso, é fazer o que se deseja do fundo da alma.

Antigamente se falava muito em vocação e se acreditava que cada pessoa nascesse com um dom. O estudante, dizia-se, tinha de descobrir sua vocação para escolher o curso de sua vida. O melhor curso seria aquele que combinasse com sua vocação. Esta concepção não é muito acreditada hoje em dia, pois contraria a própria natureza humana. Nenhuma pessoa nasce exclusivamente com uma vocação; não somos robôs programados para fazer uma só coisa a vida inteira. As pessoas nascem com múltiplas potencialidades e o importante não é cada potencialidade em si, mas a escolha individual por seguir este ou aquele caminho. O estudante do exemplo apresentado poderia até ter algum pendor para a Medicina e, se vivesse numa sociedade que o obrigasse a ser médico, por certo não seria um mau profissional; a carreira de médico, entretanto, não era aquilo que pretendia, não era aquilo que o faria sentir-se cada vez mais realizado ao longo da vida. O Jornalismo o fez.

O poeta Vicente de Carvalho escreveu num belo poema que a felicidade é uma árvore carregada de frutos de ouro: infelizmente, nós nunca a alcançamos, “porque está sempre apenas onde a pomos / e nunca a pomos onde nós estamos.”  Seria verdade? Naquele poema um tanto pessimista, talvez. Na realidade, porém, você tem livre-arbítrio para plantar e fazer crescer a árvore da sua felicidade onde possa e onde queira realmente estar. Faça a sua escolha e seja feliz.

 

 

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