Há uma receita para ser aprovado?

Em diferentes notícias e matérias sobre exames vestibulares publicadas em jornais e revistas e divulgadas na internet, os candidatos que obtiveram aprovação nos primeiros lugares apresentam conselhos bastante diversos, por vezes até contraditórios, aos que ainda não passaram. Há candidatos que declaram ter empregado a maior parte das horas do dia estudando, inclusive aos sábados e domingos. Outros juram que estudaram muito nos cinco dias úteis da semana, mas não abriram mão dos sábados e domingos para lazer e descontração. E há quem garanta que não estudou praticamente nada, apenas prestou bastante atenção às aulas desde o final do ensino fundamental.

Ora, se tentarmos estabelecer uma receita para a classificação em exames vestibulares com base nessas informações dos aprovados, com toda a certeza não produziremos nenhum método salvador. E a razão é muito simples: cada pessoa é uma pessoa, cada indivíduo é portador de características únicas, de modo que o exemplo dado por outro pode ser útil, como também não encontrar nenhum eco. Faça como eu fiz ou como os melhores fizeram se revela, assim, apenas um conselho bem intencionado, não uma receita milagrosa.

Existiria essa receita? Na verdade, não existe. Estudar muito ou estudar pouco depende de cada pessoa: uns precisam de menos tempo e esforço para assimilar determinados conteúdos, outros de aplicação bem maior. Ter mais ou menos lazer durante os estudos também encontra variações no temperamento de cada pessoa e no modo como encara o estudo, o trabalho, as tarefas. E nem mesmo se pode dizer que passar em vestibular é questão de ter extrema inteligência: Só os muito inteligentes passam! dizem alguns, mas até essa afirmação não corresponde inteiramente à verdade, como não corresponde inteiramente à verdade afirmar que quem tem uma boa formação está em vantagem, pois a maior dose de determinação de um estudante pode suprir suas deficiências de formação e suas dificuldades de apreensão em algumas áreas.

É claro que os professores de ensino médio e especialistas tentam estabelecer com as mais louváveis intenções “métodos de estudo”, mas qualquer receita genérica que forneçam aos candidatos deve sofrer a necessária adaptação ao modo de ser, à personalidade, à capacidade de fixar objetivos e à gana de cada um para buscar atingi-los.

Por todos estes motivos, o melhor conselho que se pode dar, neste momento, a quem ainda não passou e àqueles que irão prestar vestibulares pela primeira vez é semelhante ao que o filósofo grego Sócrates dava a seus discípulos: Conhece-te a ti mesmo.

É claro que o conhece-te a ti mesmo tem uma implicação muito mais profunda em termos da filosofia socrática, mas, mutatis mutandis, como diriam os latinos, podemos empregá-lo com uma visão mais prática: em vez de buscar soluções milagrosas ou métodos infalíveis, que não existem, o primeiro grande passo de uma pessoa, não apenas para exames vestibulares, como também para qualquer atividade na vida é o de conhecer-se, de lançar olhos críticos para si mesmo, procurar observar com isenção suas virtudes, seus defeitos, suas habilidades naturais e suas deficiências e carências. De posse dessa autoanálise ou autocrítica, com certeza se torna mais fácil escolher o método adequado.

Pense nisso e continue seu esforço. O Vestibular Meio de Ano vem aí.

 

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