Repúblicas, moradia, vida nova

Todos os estudantes que fizeram suas matrículas nas universidades públicas estão neste momento bastante ocupados em planejar seu ano. Passada a fase das comemorações com a família e os amigos, é tempo de programar-se ou reprogramar-se. Os que moram na mesma cidade da unidade em que se matricularam terão apenas de reorganizar sua vida em casa para enfrentar o primeiro ano do curso. Mas aqueles que moram em cidades diferentes com certeza estarão preocupados, alguns talvez até viajando para providenciar moradia. Para eles, a universidade realmente será uma vida nova, com tudo o que uma “vida nova” pode trazer em termos de desafios e experiências.

Os diretórios acadêmicos das unidades universitárias providenciam, entre outras coisas, para os novos alunos, todo um balcão de informações sobre acomodações, repúblicas, bem como sobre a moradia estudantil oferecida pelo próprio câmpus. Além disso, muitos estudantes já têm colegas veteranos na unidade, que fornecem orientação mais precisa a respeito das escolhas a fazer.

Evidentemente, alguns pais pensam em alugar casa ou apartamento para o filho ou filha, mas, na verdade, o isolamento de um estudante numa cidade desconhecida nem sempre é o melhor caminho. A moradia conjunta, escolhida por grupos de alunos assessorados pelos pais, é possivelmente a melhor escolha. São as chamadas repúblicas, que podem ter três, quatro, cinco ou mais moradores dividindo todas as despesas e responsabilidades. Talvez sejam elas o melhor modo de um estudante passar alguns anos longe de casa, formando-se não apenas como profissional pelo curso escolhido, mas também como homem adulto, cidadão que aprende a viver em grupo, com pessoas no início completamente estranhas, numa mesma morada. As repúblicas constituem, assim, uma universidade paralela, capaz de ensinar muito sobre as personalidades, os temperamentos, as relações humanas, o aperfeiçoamento do discurso da compreensão e da convivência. As lições aprendidas ao longo desse processo têm consequência para a vida toda.

Vale a pena lembrar aos novatos que há muita variação nessa questão de moradia ao longo dos anos do curso. Não é incomum um estudante trocar de endereço, porque o grupo encontrou uma casa melhor, ou até mesmo de república, seja pelo desejo de experimentar outra, seja para formar uma nova, integrada por colegas com os quais tenha desenvolvido maior afinidade. Muitas vezes, a causa da mudança está no surgimento de incompatibilidades que não podem ser superadas. Todas estas variações de conduta, todavia, se colocam dentro de um padrão de normalidade da vida estudantil. De todos estes modos, a vida em repúblicas deixa um forte saldo afetivo nos estudantes, que frequentemente fazem questão de continuar a amizade ao longo dos anos, inclusive promovendo encontros periódicos, comemorativos daqueles que talvez sejam os mais belos dias de nossa existência.

Qualquer que seja o modo escolhido para morar na nova cidade, vale a pena lembrar que, ao ingressar numa universidade, os estudantes se tornam também representantes desta, onde quer que estejam durante as aulas ou durante as férias. De certo modo, pelo menos em nossos corações, esta representação persistirá pela vida toda, com o maior orgulho.

 

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