Uma boa dica: não dar sopa para o azar!

A estudante Mary, depois de ler as dez dicas deste Blogue para os exames vestibulares, escreveu a seguinte mensagem:

 

Dicas preciosíssimas, guardadas para o dia 6. Valeu! (Mary, 25-10-2011)

 

Ficamos muito felizes com suas palavras, Mary. Você nos leva a perceber que estamos atingindo os objetivos do Blogue em oferecer o máximo possível de sugestões aos candidatos nos exames vestibulares. Mensagens como a sua nos estimulam a continuar escrevendo e refinar nossos exemplos, sempre no sentido de auxiliar os candidatos de todas as formas possíveis.

Terminada a primeira fase, porém, certas notícias nos entristeceram: alguns candidatos chegaram atrasados e não puderam entrar; outros esqueceram de trazer o documento de identidade original e ficaram de fora. Também houve quem perdesse os documentos no trajeto e quem ficasse retido em congestionamentos de trânsito de rodovias ou de avenidas. Lamentável. Se estávamos alegres com a repercussão de nossas dicas na imprensa e em sites sobre vestibulares, acabamos ficando tristes ao receber tais notícias. É muito sofrido preparar-se arduamente para uma batalha e, de repente, ficar privado de lutar por um imprevisto.

Tristes, diga-se de passagem, mas também intrigados. Como é que coisas como essas acontecem, se todos os conselhos do mundo são dados aos vestibulandos ao longo do ano pelos professores? Pois é, acontecem. E acontecem porque, infelizmente, muitas pessoas ainda não entendem a Lei de Murphy ou não a levam a sério.

Embora seja muitas vezes comentada com humor, a Lei de Murphy é algo bastante sério. O postulado “se algo pode dar errado, dará” está na base de qualquer sistema de segurança: é preciso tomar todos os cuidados para que nada de errado aconteça, sabendo-se que, mesmo assim, algo ruim ainda poderá acontecer, apesar de todos os cuidados.

O grande problema é que algumas ideias são tão arraigadas em nossa cultura, que nem sempre percebemos se tratar apenas de crendices ou superstições que a própria Lei de Murphy demonstra serem ingênuas. Ingênuas e perigosas para quem as toma como verdades absolutas. Eis algumas delas: 1) eu sou diferente dos outros, nada de errado acontece comigo; 2) a sorte sempre está a meu lado; 3) está escrito no meu destino que tudo sempre dará certo.

O indivíduo que confiar cegamente em superstições como essas é candidato sério a se tornar, mais cedo ou mais tarde, um belo exemplo para Lei de Murphy. Por quê? Porque em qualquer situação em que estejamos na vida, seja de estudo, seja de trabalho, seja de relacionamento social ou familiar, há fatos que se devem a causas perfeitamente verificáveis, fatos que, por isso, podemos até prever; mas também há fatos aleatórios, não previstos, que interferem sobre demais, fazendo às vezes com que um processo que tinha tudo para dar certo acabe desandando.

Conhecer bem a Lei de Murphy ajuda a lidar com os fatos imprevisíveis ou com o que de aleatório nos apresenta o mundo. Por esta razão, é preciso combater as crendices usando a lógica e o bom senso contra elas: 1) eu não sou diferente dos demais, o que acontece a outros pode acontecer também comigo; 2) não há sorte nem azar, há fatos previsíveis, que podemos controlar, e fatos imprevisíveis; 3) “destino” é um conceito há muito superado; não há destino pré-traçado para ninguém; cada ser humano, com sua liberdade, com seu livre-arbítrio, com sua inteligência e sua determinação vai construindo seu presente e seu futuro, à base de erros e acertos.

O povo, com sua sabedoria milenar, nos deu uma frase feita que cai como uma luva para este tema: não dar sopa ao azar. É isso o que, em síntese, recomenda a Lei de Murphy: não se pode dar sopa ao azar, isto é, não se deve menosprezar possibilidades que possam surgir por mero acaso em nossas ações. “Azar”, de fato, deve ser entendido como “acaso”, e não como algo maligno que vive a nossa espreita para detonar o que fazemos.

É isso aí, não podemos prever certos fatos; podemos, porém, “desconfiar” de sua possibilidade e nos preparar para enfrentá-los. O congestionamento do trânsito não é causado por uma entidade maléfica que nos quer prejudicar; é apenas algo produzido pelo acaso: por isso, é melhor chegar um dia antes, que dez minutos atrasado; a perda da carteira não foi causada pelo Saci Pererê; noutro momento, não teria resultado tão catastrófico: por isso, deveria estar colocada num local das roupas à prova de descuidos e de roubos.

Ora, ora. Há um porém neste ponto: não posso acusar o acaso pela má leitura do manual do candidato, que me levou a usar xerox e perder o exame! Convenhamos, foi pura falta de atenção mesmo!

A melhor dica, portanto, é esta: ligue suas mil antenas, não dê sopa ao azar, que ele é guloso demais!

 

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