Todos os porquês sem mitos!

O emprego de porque, porquê, por que e por quê, constitui uma fonte muito grande de perguntas em concursos e é motivo, por isso, de preocupações constantes dos candidatos. Em exames vestibulares, atualmente, a preocupação não é com eventuais perguntas a respeito, que são raras, mas com os porquês das redações. Em qualquer texto que escrevemos, é quase inevitável esbarrar no emprego e ter dúvidas.

As gramáticas, livros e apostilas escolares buscam de todos os modos solucionar a questão para os estudantes, fornecendo mil e uma explicações e outro tanto de exemplos, embora não consigam sanar todas as dúvidas, especialmente aquelas que surgem no momento exato em que estamos escrevendo um texto. Os próprios escritores consagrados, bem como os jornalistas, cuja atividade profissional diária consiste em escrever, não escapam de dúvidas e, mesmo, de pequenos cochilos, pois a variedade de contextos é, de fato, muito maior que a variedade de exemplos encontrados pelos estudiosos e professores. Sempre escapa uma possibilidade, e é esta que nos surge no momento mais inadequado, como por exemplo ao escrever uma redação em exame vestibular.

Nas tentativas de fixar o domínio de todas as possibilidades, alguns estudantes acabam por criar mitos ao entenderem incompletamente as lições dos livros e dos professores, quando nos dizem que “em perguntas” empregamos por que e “em respostas” empregamos porque. Imaginemos dois exemplos para essa “regra”:

 

Por que você chamou papai?

Chamei papai, porque fiquei com medo.

 

A regrinha, porém, apesar de alcançar os dois exemplos acima, é “furada”, porque não abrange muitos casos mais. E é fácil encontrar exemplos que a contrariam:

 

Você chamou porque ficou com medo?

Não sei por que chamei papai.

 

No terceiro exemplo temos “porque” em frase interrogativa, pois se trata da mesma conjunção que aparece no segundo exemplo em frase declarativa ( “Chamei papai, porque fiquei com medo”).  E, no quarto exemplo, temos “por que” em frase declarativa.

Tentar resolver o problema, portanto, com base em frases interrogativas e frases declarativas não é um bom caminho.

Há outros mitos a respeito do problema. Os estudantes, porém, quando apresentam suas dúvidas, não estão interessados em mitos, nem em explicações complicadas. Por esta razão, vamos tentar, a seguir, com base numa série de exemplos, mostrar os diferentes usos, buscando apelar o mínimo possível para a explicação gramatical e o máximo para o contexto dos próprios exemplos.

 

1 – Que, interrogativo.

Por que você chamou papai?

Você chamou papai, por quê?

2 – Porque, conjunção: equivale a pois, como.

Chamei papai, porque estava com medo.

Porque estava com medo, chamei papai.

3 – Que, relativo: por que, nesse caso, pode ser substituído por pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais.

Meu irmão explicou a razão por que chamou papai.  (… pela qual…)

Meu irmão explicou o motivo por que chamou papai. (… pelo qual…)

Meu irmão explicou as razões por que chamou papai. (… pelas quais…)

Meu irmão explicou os motivos por que chamou papai. (… pelos quais…)

4 – Que, indefinido: por que, nesse caso, equivale a por que razão, por que motivo, ou por que razões, por que motivos.

Quero saber por que meu irmão chamou papai. (Quero saber por que razão…)

Não sei por que meu irmão chamou papai. (Não sei por que motivo…)

Gostaria de descobrir por que meu irmão chamou papai. (… por que razões…)

5 – Porquê, substantivo equivalente a razão, motivo, causa.

Meu irmão explicou tudo, com todos os porquês.

Agora conheço o porquê da questão.

Eis aí uma boa oportunidade para fixar seu domínio sobre o assunto. Esse conjunto de exemplos abrange pelo menos 95% dos casos. Tente fixá-los bem e imagine outros exemplos, para testar. Uma dúvida ou outra, um errinho ou outro, em algum caso mais complicado para você não representará praticamente nenhuma perda de pontos em suas respostas discursivas e em suas redações.

 

4 comentários para “Todos os porquês sem mitos!”

  1. Lucas disse:

    Parabéns pelo blog! Apesar de já ter passado por essa fase do vestibular é sempre bom relembrar as regras para continuar escrevendo corretamente.

  2. Thiago disse:

    Gostei! Vocês poderiam postar algumas dicas sobre Filosofia e História da Arte? No meio do ano vai ser cobrado História da Arte novamente, mesmo não tendo cursos do Instituto de Arte? A prova não esta ficando muito difícil?

  3. Website disse:

    Website…

    Todos os porquês sem mitos! « Vestibular Unesp Meio de 2011…

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