A Copa é aqui: vencer é sempre possível

            Com o fracasso de nossa seleção de futebol na Copa do Mundo da África do Sul, desligamos a televisão e tudo volta ao nosso campeonato individual, em que colhemos por vezes derrotas, por vezes vitórias. A seleção nos proporciona, de quatro em quatro anos, momentos mágicos ou momentos trágicos. Em nosso campeonato individual, a disputa é no dia a dia: o grito da vitória já é o anúncio da nova etapa a vencer. 

            Realmente, se pensarmos bem em tudo o que fazemos, em toda a nossa luta permanente por sucesso, descobrimos que cada um de nós é muito mais vezes campeão, na própria vida, do que a seleção canarinho.  E com muito mais merecimento. Nosso trajeto escolar é um belo exemplo disso: dos seis aos quinze anos enfrentamos um ensino fundamental que, se traz prazer e satisfação muitas vezes, traz também a todo momento desafios e obstáculos que nem sempre conseguimos transpor sem decepções e até mesmo sofrimento. A escola instaura em nós, por bem ou por mal, um espírito de competição: temos de tirar boas notas para ser admirados pelos professores e fazermos a alegria de nossos pais; temos de ter rendimento maior que nosso colega ao lado, que vive dizendo que “é o bom”. Os meninos buscam tirar notas melhores que as meninas, porque a mentalidade machista não admite o contrário. E é uma façanha suplantar as garotas, porque são geralmente aplicadíssimas, supercompetitivas e, em muitos casos, realmente invencíveis.

            Terminado o fundamental, a competição passa a tomar conta oficialmente do calendário. Se escolhemos um curso técnico, temos de prestar um exame de seleção, porque sempre há mais candidatos que vagas. Se não temos muitas posses, mas queremos uma escola particular, temos de fazer exame para obter bolsas de estudo.  Sem falar que em muitos casos escolas públicas muito procuradas também têm de selecionar os candidatos.

            Ao longo de todo o ensino médio, não se fala em outra coisa, senão em vestibular. Assim, infelizmente, embora não seja o desejo das universidades públicas direcionar todo o ensino pédio para o funil do vestibular, é isso o que de fato acaba acontecendo: tudo caminha para os portões de entrada das universidades públicas. E eis-nos aqui, neste momento, diante de mais uma etapa, uma final de copa que não queremos perder. Mas… e se perdermos?!

            É exatamente neste ponto que devemos ter um pensamento ponderado e objetivo. E se meu nome não estiver na lista de aprovados do Vestibular Meio de Ano da Unesp?

            Desejamos sinceramente que esteja, ficaremos felizes pela universidade e por você, mas… se seu nome não estiver na lista, não encare como uma calamidade. É uma tentativa que, por alguma razão objetiva, específica, falhou. O futebol é um excelente exemplo para este caso: a seleção canarinho era competente, tinha ótimo treinador e jogadores, até vencera a Copa das Confederações, no ano passado, no mesmo lugar, mas, nesta Copa do Mundo, perdeu uma partida que não podia perder e ficou fora da disputa. Foi culpa do juiz japonês, que não sabia apitar? Não foi. Foi fulpa do Dunga, que não escalou direito? Não foi. Foi culpa dos jogadores, que não deram tudo de si? Não, os jogadores deram tudo de si no jogo, como você deu tudo de si na prova. Mas certos fatores, que uma análise cuidadosa, sem paixão, pode descobrir, influíram e causaram a derrota.

            O que concluir da comparação? Algo muito importante para nossa vida prática. Perder ou vencer é do jogo. Perder ou vencer é do jogo da vida. Nenhuma vitória é final, nenhuma derrota é definitiva. Os campeonatos, mundiais ou não, se sucedem. Ao vestibular do meio do ano se seguem os de fim de ano, da Unesp e de outras universidades. Aquele que deseja ser aprovado, se continuar determinado a estudar, será aprovado. A aprovação pode ser ou parecer mais fácil para alguns candidatos que não tiveram grandes problemas nos ensinos fundamental e médio. Pode ser ou parecer difícil para outros. Mas não é impossível para ninguém.

            É muito contada em nosso país a estória de um pequeno fabricante de rodas de automóveis que levou muitas vezes, ao longo dos anos, para uma indústria de automóveis, protótipos que eram sempre reprovados, em virtude dos defeitos que a análise dos especialistas revelava, até que na décima segunda tentativa o protótipo foi considerado adequado e o pequeno fabricante passou a produzir para a fábrica, tornando-se um grande fabricante. Eis aí um belo exemplo para refletir. Obstinação, confiança, esperança, esforço pessoal são os ingredientes da vitória. Cada um de nós joga muitas copas na vida e, mesmo perdendo algumas, pode vencer outras.

            Deste modo, se seu nome estiver nesta lista, festeje, porque mereceu. Se não estiver, não desanime, porque, pelo seu esforço, estará na próxima.

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