Testes de múltipla ou de única escolha?

Os testes de múltipla escolha poderiam também chamar-se “testes de única escolha”, porque, de fato, a escolha incide sempre sobre uma das cinco respostas apresentadas, ou seja: são lidas e analisadas múltiplas respostas para escolher a única correta.

Alguns candidatos adoram esses testes, dizendo que é fácil acertar; outros detestam, afirmando que é mais fácil errar, porque muitas vezes as respostas apresentadas nas alternativas são tão próximas e parecidas, que fica difícil escolher a correta e fácil escolher uma das erradas.

De um modo ou de outro, os grandes vestibulares do país apresentam questões de múltipla escolha e também questões discursivas, e essa razão é suficiente para que, em vez de reclamar, os candidatos procurem entender adequadamente a filosofia de cada tipo de questão e buscar práticas que os ajudem a responder com menos dificuldade e mais certeza.

O melhor conselho, neste caso, é ler e reler, antes de responder, pois um pequeno detalhe não observado numa pergunta pode conduzir a resposta para um caminho errado.

Vale observar aqui o que foi colocado de maneira geral em texto postado há pouco: se o candidato tem dificuldades e obstáculos para descobrir a única resposta correta, o elaborador tem tantas ou mais dificuldades e obstáculos para criar uma questão sem defeitos. O candidato não sabe a resposta e tentará encontrá-la a partir do enunciado da questão. O elaborador sabe a resposta e tentará fazer o enunciado da questão de modo a não facilitar demais, nem complicar demais, pois o que pretende com a pergunta é verificar a competência do candidato em usar seus conhecimentos para respondê-la. Justamente por isso não é fácil elaborar questões de exames ou concursos, porque não bastam os conhecimentos do elaborador, não bastam os fundamentos da avaliação e os objetivos da pergunta que obedecem a tais fundamentos. Será necessária, também, bastante sutileza do elaborador e uma boa dose de criatividade para levar o enunciado da pergunta a sua melhor formulação. A ocorrência de questões de múltipla escolha anuladas todos os anos em exames vestibulares é o maior atestado que se pode dar dessa dificuldade de elaboração.

Ora, ao refletir exatamente sobre esse fato, o candidato pode preparar-se melhor para responder. E o primeiro ponto a refletir é este: as questões de múltipla escolha têm uma única resposta correta. Parece óbvio, mas não é tanto assim. É preciso observar, em seguida, que a resposta correta é aquela que, com suas palavras, corresponde com exatidão às palavras do enunciado ou raiz da questão. Então, o critério básico é este: encontrada a resposta que parece a correta, será preciso confrontá-la com a raiz da questão, como espécie de prova dos noves.  A mais simples diferença poderá significar que não se escolheu a alternativa correta.

Outro fato a considerar, igualmente importante, nas questões de múltipla escolha, é que o elaborador conhece a resposta correta e tem de elaborar quatro incorretas. Se, para o candidato, o mais difícil é encontrar a resposta correta, para o elaborador é mais difícil encontrar as respostas incorretas, pois estas não podem ser demasiadamente parecidas com a correta, para não dar de graça informações, por um lado, e para não deixar confuso o candidato, por outro lado. Quer dizer: o elaborador tem de criar variações nas alternativas incorretas para testar o conhecimento e a competência do candidato. Evidentemente, as alternativas incorretas se apresentarão de acordo com uma escala de maior ou menor incorreção. É fácil identificar as muito erradas, mas a dificuldade aumenta à medida que aumenta a semelhança entre incorretas e correta. Vale também aqui o critério apontado acima: se houver dúvidas, por exemplo, entre duas respostas, é preciso compará-las parte a parte com a raiz da pergunta, pois essa comparação permitirá detectar o detalhe que torna errada uma ou outra.

    Estas reflexões permitem criar um método para responder questões de múltipla escolha: 1) ler e reler o enunciado, para ter certeza do que é pedido; 2) ler atentamente as respostas e, na releitura, eliminar as muito erradas; 3) escolhida entre as restantes a que se considera certa, fazer o confronto novamente com a raiz da questão.

Talvez este método não ajude a responder corretamente todas as questões, mas evitará, seguramente, que se errem questões médias e fáceis.

Um comentário para “Testes de múltipla ou de única escolha?”

  1. josiele disse:

    muito interessante,vou começar a utilizar esse método em meus simulados,muito legal,obrigada.

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