Acho que nunca vou passar…

            Muitos candidatos, depois de prestarem seus primeiros exames vestibulares e não obterem aprovação, desesperam-se e assumem uma atitude disfórica, derrotada e derrotista: Acho que nunca vou passar…

            Que pode dizer a eles um educador que, se pudesse, os aprovaria a todos, indistintamente, pois acha que todos deveriam ter a chance de iniciar o curso universitário? Dar conselhos é fácil, mas não é muito fácil encontrar a relação ideal entre o conselho dado e a carência real daquele que os recebe. É fácil, assim, dizer: Tente de novo! Você conseguirá! Tenha ambição e determinação! Não desista, um dia você chega lá! etc., etc.

            O grande problema é que, como a sabedoria popular nos ensina e a Psicologia confirma, cada pessoa é uma pessoa. Assim, o conselho que serve para uma pode não servir para outra; o conselho que se dá para uma pessoa parar de chorar pode aumentar o choro de outra. Que fazer, então, para amenizar, pelo menos um pouco, a decepção daqueles estudantes que não conseguiram aprovação em exames vestibulares?

            Talvez o melhor caminho seja o de levar em conta a sabedoria popular: cada estudante é um estudante, e para dar um conselho que sirva a todos é preciso levar em conta essa diversidade. Ora, muitos estudantes são do tipo “eu passo, nem que seja necessário fazer dez exames vestibulares seguidos”. Estes, com certeza, passarão, pois têm o gene da teimosia, da obstinação, e irão aos poucos adquirindo mais conhecimentos e habilidades para um dia receberem aprovação. Outros, mais práticos e menos teimosos, desistirão logo após a primeira reprovação e irão buscar outras atividades profissionais, nas quais poderão dar-se muito bem. Outros ainda tentarão mais uma vez e, reprovados de novo, desanimarão, dizendo-se “nunca conseguirei passar…”. Outros, diferentemente, passam nos exames, ingressam num curso, desistem, por sentirem incompatibilidade, e caem no desânimo: e agora?

            Talvez a estes três últimos grupos se deva dizer que é preciso avaliarem melhor não apenas suas possibilidades, mas também as possibilidades oferecidas pelas universidades com a grande variedade de cursos que apresentam. Ora, se em virtude de não ter podido frequentar uma boa escola ou, mesmo tendo frequentado, não consegui aprovação em um ou dois anos de tentativas nos cursos que pretendia, talvez o caso não seja desistir ou imaginar que não tenho e nunca terei capacidade para fazer um curso, mas raciocinar diferentemente: não tenho condições atuais de enfrentar a concorrência naqueles cursos, mas posso perfeitamente ser aprovado em outros cursos em que a concorrência não seja tão acirrada. Muitos estudantes recusam-se a admitir esta hipótese e preferem desistir de prestar exames para outros cursos. A base desta atitude radical muito provavelmente reside num conceito equivocado de “vocação”. Imaginar que nossa vocação aponta numa só direção é fazer um julgamento falso. Na realidade, a natureza nos diferencia em termos físicos e em termos psicológicos, inclusive de temperamento ou personalidade, mas nunca nos faz dotados apenas para uma só atividade ou profissão. Ao contrário, cada homem apresenta muitas possibilidades ou muitas vocações e em sua vida escolhe uma delas por vontade própria ou, muitas vezes, em função de pressões do próprio ambiente em que vive. Assim, uma pessoa que se formou em Medicina poderia perfeitamente ter-se formado em Direito e ser um excelente advogado ou magistrado. Por quê? Porque, muitas vezes, aquilo que imaginamos ser nossa única vocação não é nossa única vocação, ou, de outro modo, apenas algo que idealizamos em virtude de influência alheia ou algum acontecimento em nossa vida. Um caso real é o de uma estudante que ingressou em Engenharia Química, desistiu depois de dois anos, prestou Letras e concluiu o curso, mas resolveu não seguir a profissão, e depois fez o curso que considera o que mais queria na vida: Design de Moda. O que significa isso? Indecisão da estudante? Não, apenas busca daquele objetivo na vida capaz de fazê-la sentir-se integralmente realizada. Alguns descobrem isso na primeira tentativa; para outros, são necessárias muitas tentativas. E todos estão certos, e todos são normais.

                Aonde nos levam o raciocínio e os exemplos acima? A não fazer a nossa vida como a  busca obstinada de um só caminho, um só curso, uma só profissão. E a aceitar que, em certos momentos, é melhor mudar de rumo e escolher uma rota alternativa, que nos poderá trazer até mais realização e felicidade do que a que havíamos escolhido. Afinal, nada nos garante que estávamos certos na primeira escolha. E as escolhas de todo homem são sempre muitas. Como diria um rio, se rios pudessem falar, o importante é estar com as águas sempre em movimento, para não deixar de ser rio, e contornar com sabedoria os obstáculos, quando não puder transpô-los.

11 comentários para “Acho que nunca vou passar…”

  1. Pollyana disse:

    Obrigada!
    Quem escreve os textos deste blog merece um grande presente de Papai Noel. Foi um anjo em 2009, nos ajudou muito, mantendo-nos confiante e motivado.
    Eu adoro voce! Eu amo a UNESP!

  2. Bruno disse:

    Uma ótima iniciativa esta mensagem. Nossos estudantes por vezes precisam de orientação além da técnica.
    Gostei muito do post!
    Feliz ano novo a todos!

  3. Diego Alves disse:

    Vou prestar o “vestíbula” e vou passar ! ;)

  4. grascielle santiago disse:

    morro de medo de ñ passar pois este é o meu maior sonho. fazer unesp.

  5. Maiara disse:

    Muito Obrigada pelo post..ajudou bastante
    vou tentar + 1ano de cursinho..
    quero Farmácia-Bioquímica
    Sei que vou passar como diria o comentário do Diego Alves

    Feliz ano novo.. e muitas conkistas p/ os próximos Universitários!!!!

  6. Jéssica Taboas disse:

    Adorei o post, conserteza mê ajudou muito em relação ao vestibular, assim que terminar de estudar esse ano, irei prestar Jornalismo na Unes, e vou passar :D

    Muito Obrigado.

  7. Bruna Dantas disse:

    Gostei muito desta mensagem..
    estou em uma universidade publica….e pretendo fazer outra..
    ja fui reprovada varias vezes…mas tem que tentar de novo
    a vida é assim….
    quem não tenta não alcança os objetivos
    força ai galera
    bj a todos os universitarios ,
    Agronômos ou não
    Bj

  8. Leandr Teodoro disse:

    Achei o texto horrível” Deplorável!

    A reflexão desse textos nos faz querer tentar buscar coisas mais fáceis do que os nosso sonhos primários.

    Vey, na boa

    Se mate!

    Buty, sorry…é horrível acreditar que ainda exista pessoas querendo ser um BUDA presente.

    Esqueças a psicologia;esqueça as frases de “ASTRAL” que encontram por ai.

    Isso não vale de nada para se passar no Vestibular.

    Se você pensa como um MISERÁVEL, vai ser um MISERÁVEL, pois, se quer mudar essa ***** que voc~e chama de vida,…esqueça a INTERNET

    Vá estudar seus va….

  9. Anne Caroline disse:

    Acho excelente essa aproximação com pessoas desse tipo.
    Isso fortalece e esperança de naõ desistir e lutar até o fim!!!
    Ano passado fiz e não fui aprovada.Esse ano espero poder passar e fazer parte dessa grande equipe!!!
    Obrigada!!!!
    *-*

  10. Este blog e grande. Eu tinha certeza que as pessoas vao achar isso interessante, porque eu certamente nao.

  11. Este blog e grande. Eu tina a certeza que as persoas van pensar iso interesante, porque eu certamente non.

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