Qual o melhor exame vestibular?

          Como vivemos numa sociedade altamente competitiva, é frequente encararmos todas as coisas sob a ótica da competição, da disputa, do jogo ou do debate para ver quem ou o que é melhor. Os exames vestibulares não escapam deste foco de observação. Alguns dizem que os da Universidade X são os melhores, porque focalizam exatamente os programas oficiais do ensino médio, não apresentando invenções ou pegadinhas. Outros discordam na hora: os exames da Universidade Y é que são os melhores, porque sua metodologia privilegia estes ou aqueles conteúdos, mais favoráveis à avaliação do raciocínio, etc. etc. Há quem afirme que os exames da universidade Z são os melhores, porque oferecem mais chances de aprovação aos alunos egressos do ensino médio público, enquanto os piores são os da Universidade W, que beneficiam os candidatos egressos de escolas particulares. E não falta quem afirme que o melhor de todos os exames é o da universidade U, porque privilegia mais as competências e o raciocínio e, além de tudo, possui uma metodologia infalível para identificar e penalizar “chutes”, respostas que o candidato acertou por Chutologia, vale dizer, pelo mero palpite. Mas exatamente por isso há também quem afirme que o da universidade U é o pior dos exames, porque apavora os alunos com esse tal método de flagrar “chutadores”; afinal, dizem, um exame vestibular que se preze deve avaliar ações concretas e não intenções. Esse poder de avaliar intenções só Deus possui.   

            Para falar a estrita verdade, todas essas opiniões são equivocadas, não têm qualquer valor objetivo, pois se baseiam mais em impressões do que em análise atenta e rigorosa. E o primeiro desses erros é julgar que existe um exame vestibular melhor que outros ou um método melhor que outros. O segundo é imaginar que as universidades competem entre si para ter o melhor exame. Se existisse essa competição, poderíamos jogar todos os vestibulares fora, como nocivos aos candidatos. Todos os exames são, de fato, meios de avaliação que cada universidade produz, mobilizando seus melhores especialistas, para selecionar com justeza e justiça os candidatos de acordo com o perfil dos cursos que oferecem.

            Muitas vezes surge entre os estudantes e até na mídia a questão dessa diversidade de exames vestibulares. Muitos, por isso, chegam a sugerir que o melhor seria substituir todos por um só grande exame, uma espécie de vestibulão nacional que evitaria os defeitos e os problemas apontados. Evitaria mesmo? Ou agravaria? Pode-se até discutir se é procedente a intenção de produzir um “vestibular único nacional” que elimine os das universidades (e essa é uma discussão ainda para durar muitos anos, pois os argumentos pró e contra são respeitáveis), mas não se pode tentar ver neste ou naquele exame a panaceia das panaceias, o método dos métodos, a forma capaz de eliminar a injustiça social que se observa no maior ingresso nas universidades de estudantes oriundos de escolas particulares. Nenhum exame tem esse poder maravilhoso.

            Em resumo: exames vestibulares são apenas isso, exames vestibulares, meios de seleção empregados por diferentes universidades para selecionar candidatos, meios de seleção produzidos por especialistas e com base em pressupostos científicos. Nenhuma universidade, assim, tenta enganar os candidatos dizendo que seu exame é o melhor, que seu método é o melhor de todos. Ao contrário, todas as universidades revelam que seus exames são rigorosos e se destinam a avaliar de fato e não a prometer milagres.

          Para falar pouco e dizer tudo, concisamente, só há um tipo de milagre em todo o processo dos exames vestibulares: a determinação e a garra que muitos candidatos demonstram, ao longo dos anos, em preparar-se para sua magnífica aprovação, qualquer que seja o vestibular, para poderem realizar o objetivo de fazer o curso sonhado na universidade desejada.

2 comentários para “Qual o melhor exame vestibular?”

  1. Raphael Souza Lima disse:

    Oi,
    Mesmo que eu não tenha nada para falar com autoridade sobre vestibulares, já que prestei vários e não passei em nenhum, eu quero dizer: Existem inteligências, não é o meu caso, que são altamente profundas e avassaladoras e que tabém dão profundas contribuições para o mundo e essas não se dobram a capacidade mecânica de responder perguntas bem elaboradas, mas sim de fazer peguntas importantes para o desenvolvimento do ser humano no mundo.
    Inclusive, vc que escreveu o texto, acha que um vestibular pode definir a contribuição de uma pessoa para nossa sociedade?

    Abraço

  2. Maria Helena Marcon disse:

    “Só há um tipo de milagre em todo o processo dos exames vestibulares: a determinação e a garra que muitos candidatos demonstram, ao longo dos anos, em preparar-se para sua magnífica aprovação, qualquer que seja o vestibular, para poderem realizar o objetivo de fazer o curso sonhado na universidade desejada.” Isso é tudo que sempre procurei passar para meus filhos não só no ultimo ano do ensino fundamental;mas desde iniciaram sua vida escolar.Objetivo é isso que falta para muitos jovens e para muitos pais .Acredito que se os jovens(alunos) e pais tiverem esta Meta esta visão de futuro.irão contribuir cobrando mais dos educadores ,colaborando mais com os educadores para que eles possam cumprir melhor tambem seus objetivos que nada mais é que EDUCAREM.Parabéns a UNESP por este blog.Que muito esta ajudando minha filha;coisa que meus outros filhos não tiveram.parabéns EDUCADORES da VUNESP.

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