Qualidades das Respostas a Questões Discursivas

3 – PROPRIEDADE

 Você não vai acreditar: um dos principais problemas das redações de vestibular no que diz respeito ao emprego de palavras é a impropriedade. Sabe o que é isso? O emprego de palavras numa acepção que estas não aceitam e que não encontra respaldo nos dicionários. E sabe por que é um grande problema? Dá para imaginar, não dá? Uma palavra empregada numa frase para ter um significado que não tem, ou que é só imaginado pelo escritor, não será entendida no sentido que ele imagina, mas apenas no que a palavra realmente possui, o que fará a frase como um todo ter drasticamente alterado o seu sentido. Se escrevo, por exemplo, A guerra é eminente, não cometi apenas o engano de trocar iminente (que ameaça acontecer logo) por eminente (alto, elevado, sublime), mas alterei drasticamente o sentido da frase toda. Só um doido poderia julgar a guerra “alta, elevada, sublime”.    

É possível, portanto, que uma redação correta, obediente à norma culta, clara e concisa sofra sério prejuízo devido a uma palavra empregada impropriamente, que trunca a sequência do discurso e gera uma afirmação absurda. E nem sempre é possível, a quem corrige, detectar o que quis realmente dizer o candidato, ou seja, qual palavra deveria ter sido usada, com propriedade, para carregar o sentido adequado. 

Com o exemplo e a explicação acima, dá para perceber o que é propriedade  e qual a sua importância. Algum professor já deve ter apontado um emprego impróprio de determinado vocábulo em redação que você apresentou. O que quis dizer esse professor? Simplesmente que você empregou um vocábulo num sentido que não é registrado como válido em nenhum dicionário, mas resulta de um engano seu ou de algumas pessoas. Um exemplo bem comum de impropriedade atualmente ocorre com a palavra “intermitente”. Muitas pessoas pensam, sem consultar dicionários, que “intermitente” significa contínuo, constante, mas, na verdade, o significado é bem outro, como se pode verificar no Dicionário Aurélio: que apresenta interrupções e suspensões, não contínuo.  

Então, por que algumas pessoas empregam essa e outras palavras impropriamente? Há pelo menos quatro motivos: a) porque não verificaram no dicionário; b) porque se basearam em texto de outra pessoa; c) porque se deixaram levar por uma impressão errada, talvez baseada numa falsa analogia, d) porque confundiram duas palavras muito parecidas na pronúncia e usaram uma pela outra.

Isso não acontece apenas a pessoas comuns como nós, mas também a escritores e jornalistas. A frase seguinte foi retirada de um jornal:

 

O final da reforma da pista, a chuva fina e intermitente e o desembarque de carros e caixas fizeram do autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, um exemplo de desordem.

 

Ora, parece que o jornalista quis dizer “chuva fina e constante, contínua” e, neste caso, ao empregar intermitente revelou desconhecer que esta palavra significa exatamente o contrário do que queria dizer. Quando um site de Meteorologia informa que haverá “chuvas intermitentes no decorrer do dia” quer dizer que haverá ao longo do dia períodos de chuva espaçados por períodos de tempo bom. Quem toma “intermitente” e “ininterrupto” como sinônimos baseia-se numa falsa analogia.

Outra palavra que costuma ser empregada impropriamente é diuturno. Talvez iludidas pela semelhança da imagem sonora desta palavra com a de diurno, algumas pessoas empregam uma pela outra. Assim, em lugar de dizerem “período diurno” acreditam estar falando ou escrevendo muito bem e elegantemente “período diuturno”. O problema é que diuturno, segundo o Aurélio, significa que vive muito tempo ou que tem longa duração. Nada a ver, portanto, com diurno.

Algo semelhante ocorre com a palavra lutulento, que as pessoas encontram em poemas e, sem verificar no dicionário, imaginam que signifique “lutuoso, referente ao luto, à morte”, quando, de fato, significa lodoso, lamacento, que apresenta lodo. Outro exemplo interessante é esquálido, adjetivo que muitíssimas pessoas imaginam significar “magro, raquítico, muito magro”, quando, na verdade, significa, segundo o Aurélio, “sórdido, sujo, desalinhado; descorado e fraco, macilento”. Nenhuma relação lógica com “magreza”, portanto. Mas o engano se explica porque as pessoas imaginam haver parentesco semântico entre “esquálido” e “esqueleto”. Não há, nem semântico nem etimológico: “esquálido” vem do latim e “esqueleto”, do grego.  

Percebeu o perigo de empregar impropriamente vocábulos, simplesmente por não ter o pequeno trabalho de consultar um dicionário, trabalho ainda mais facilitado hoje em dia pela existência de dicionários instalados no próprio computador ou em sites na internet? Mas não pense que só essas poucas palavras oferecem perigo. A relação é enorme. O uso impróprio é muitas vezes provocado pela paronímia, isto é, pela semelhança quase absoluta de sons entre duas palavras, que leva o estudante a empregar uma pela outra. Observe estes pares de palavras que têm significados bem distintos, embora a imagem sonora das duas palavras seja quase a mesma:

 

Arrear / arriar

Apóstrofe / apóstrofo

Degradar / degredar

Despensa / dispensa

Eminência / iminência

Infligir / infringir

Vultoso / vultuoso

   

São muitos os pares de palavras como esses, parecidos apenas na imagem sonora, não nos respectivos significados. Aproveite para verificar no dicionário estes sete pares. Vai que de repente aparece uma dessas palavras em questões de prova e você não sabe? Tão ruim quanto empregar uma palavra com impropriedade é entendê-la com impropriedade ao ler uma questão. Não acha? É melhor sempre prevenir do que remediar, certo? Então, abra todos os dias o dicionário e faça guerra sem tréguas à impropriedade. Sua redação vai sentir a diferença.

Um comentário para “Qualidades das Respostas a Questões Discursivas”

  1. Poker Gratis disse:

    Boa Noite!, chamo-me IsabelCarla estudo Psicologia e adorei muito da tua página! Muito linda sim senhora!
    Aplica-se exactamente com tudo aquilo que aqui li.Hoje por vezes há imenso que escrever nos blogues!Nada nada mais aliciante do que deixar a nossa ideia na net!E por tudo isso escrevi este comentário!
    Á semelhança de ti também tenho um blogue mas tem uma temática muito diferente, escrevo sobre dinheiro grátis para jogar poker online!
    Bye Bye :)

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