Qualidades das Respostas a Questões Discursivas

2 – CONCISÃO

Você sabe muito bem o que é correção e o que é clareza. Mas tem certeza de que sabe o que é concisão? Algumas pessoas dizem que esse negócio de correção, clareza, concisão é coisa do passado, dos velhos gramáticos. Será que é mesmo? Não, não é. As propriedades do discurso, quer oral, quer escrito, são sempre as mesmas. Se não forem observadas, pode-se falar ou escrever muito e não conseguir passar a mensagem a nosso interlocutor ou leitor. A eficiência do discurso, assim, não é obra do acaso, nem do puro talento, é preciso aprender a ser eficiente.

Deste modo, preste muita atenção nesta qualidade do discurso: concisão. Fala-se demais nela, mas nem sempre se diz o que o aluno pode entender. Vamos tentar evitar esse engano, dizendo, sob um ponto de vista mais moderno, que concisão é o princípio de economia do discurso. Quando uma pessoa do povo, depois de ouvir outra falar, diz “Falou pouco, mas disse tudo!”, expressou exatamente, na prática, o que é concisão: é falar pouco dizendo tudo, é usar dos recursos do discurso com economia e com ponderação, para obter um melhor rendimento na comunicação da mensagem.

No livro Redação no vestibular da Unesp: das perguntas às respostas (São Paulo: Fundação Vunesp, 1998, p. 148-149), há um exemplo de transformação de uma manchete de jornal, que é por natureza concisa, em uma manchete cada vez mais prolixa, a ponto de se poder dizer, no fim, que não temos mais manchete de jornal, mas um abuso de prolixidade. Observe:

 

SELEÇÃO VENCE URUGUAI E CONQUISTA A COPA: 1X0

Esta seria a manchete típica de jornal: correta, clara, simples e concisa. Já a seguinte começa a enveredar para a prolixidade, pelo uso desnecessário de adjetivos:

 

A PODEROSA SELEÇÃO BRASILEIRA VENCE

O BRIOSO URUGUAI E GANHA A COPA: 1 X 0

No exemplo seguinte, o processo de quebra da concisão se torna mais evidente, pelo desperdício de palavras e expressões que nada acrescentam à manchete:

 

A PODEROSA SELEÇÃO CANARINHO DESPACHA A CELESTE

E ABOCANHA A COPA DO MUNDO COM UM GOL DE PLACA: 1X0

 O desperdício, porém, assume consequências desastrosas no exemplo abaixo, em que o “redator-torcedor” se deixou levar inteiramente pelo “espírito de gastança verbal”. Se um jornalista apresentasse tal manchete ao redator-chefe, por certo levaria uma grande reprimenda, pois a arte de noticiar é, por natureza, concisa:

 

A PODEROSA SELEÇÃO CANARINHO CANTA MAIS FORTE,

DESPACHA COM TODAS AS HONRAS AO ESPAÇO A CELESTE

OLÍMPICA E ABOCANHA COM MUITÍSSIMOS MÉRITOS A COPA

 DO MUNDO PELA QUINTA VEZ, COM UM MARAVILHOSO GOL

 DE PLACA DE PIMPÃO, NOSSO ARTILHEIRO DE OURO: 1X0

Depois de uma manchete perdulária como esta, caso fosse usada num jornal, para que escrever o corpo da notícia? perguntaria um leitor. E teria total razão, já que a função da manchete é chamar atenção para a notícia, e não esgotá-la.

Com esta série de exemplos você percebe como é importante o princípio da concisão, que consiste, simplesmente, em buscar o máximo de rendimento ao discurso com um mínimo de palavras, expressões e frases. O povo diz, com muita propriedade, quando uma pessoa está falando demais para explicar alguma coisa simples, que “está enchendo linguiça”. É bem esta a ideia: nas respostas a questões discursivas, bem como nas redações em exames vestibulares, é preciso ser correto, claro e conciso. Não é preciso “encher linguiça”.

5 comentários para “Qualidades das Respostas a Questões Discursivas”

  1. Caio Cesar Pereiraa disse:

    Estou com duvidas.E gostaria de saber mais sobre o significado das questões Discursivas, mais dicas sobre o vestibular 2010.E gostaria de saber mais sobre o curso de Engenharia Elétrica.

    Atenciosamente. Caio César Pereira

  2. Wélber disse:

    Ótimos posts vunesp! Amo vocês!

  3. denis disse:

    quero saber sobre o cartão de convocação…
    tentei o e-mail, e não consegui.

  4. Vanessa disse:

    Que medo!
    Já é domingo!!!

    :X

  5. André disse:

    Gostaria de saber o por que da mudança ocorrida entre o vestibular de 2009 para o 2010? No atual modelo o aluno não poderá \”zerar\” em nenhuma matéria da segunda fase. Vocês não veem isso com preocupação uma vez que privilegia apenas aquele que tiveram uma boa base educacional em todas as matérias, sou de escola pública e temo não conseguir ingressar na universidade pois por mais que me esforce em buscar a excelência venho da escola pública isso cria um paradoxo, entre outras, preciso saber química se vou fazer Letras? Não faz sentido. Isso é uma retrocesso. Não vejo com bons olhos ceifar uma conquista legítima de alguém que tem as aptidões necessárias para intressar no curso escolhido, no meu caso, Letras. Mais uma vez façam da faculdade pública um lugar de jovens de alto poder aquisitivo e viva a hipocresia aos senhores que não sofrem na pele as realidades da escola pública.

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