Com cotas, mais fácil? Mais difícil?

Desde que foram implantadas as cotas nas universidades, muito se discute sobre a maior ou menor facilidade para aprovação, tanto num sistema como em outro.

Logo no início, dizia-se que ficaria mais difícil para os candidatos sem direito a cotas a aprovação, porque em vez de cem por cento de possibilidades ficariam apenas com cinquenta. Aparentemente, estavam certos, mas um pouco de reflexão acabou demonstrando que não era bem assim. Por quê? Porque os candidatos que tinham plenas possibilidades de aprovação continuavam os mesmos. Assim, não importava o número maior ou menor de concorrentes, mas a capacidade de cada um de receber as melhores notas.

Quanto às cotas, houve unanimidade no país sobre a sua justificativa, dado que enfrentavam, antes, candidatos muito mais preparados e com melhores condições de obtenção das vagas. As cotas representam uma forma de justiça social, para evitar que candidatos com menos possibilidades de superar os não cotistas pudessem ter uma chance real de ingressar nas universidades. Com isso não se perderiam muitos talentos que, de outro modo, ficariam marginalizados e obrigados a enfrentar trabalhos profissionais em desacordo com suas reais vocações. Esse sistema acabou se consolidando, ficando as discussões pró e contra como coisa do passado. A realidade é que há cotas e há muitos candidatos que se inscrevem com base nelas e conseguem ingressar nos cursos pretendidos.

Como no sistema sem cotas, porém, outra questão tem sido a da maior ou menor dificuldade de ingresso. No início, muitos cotistas julgaram que seria agora muito mais fácil a obtenção de vagas. Isso, na verdade, foi colocar, como diz o povo, o carro para puxar os bois. As cotas, se eliminaram a concorrência dos não cotistas, não eliminaram, porém, a concorrência dos demais. A necessidade de preparar-se, de estudar mais, continuou semelhante, assim como a própria concorrência. Aumentou inclusive a responsabilidade.

Os dois sistemas, portanto, apesar de independentes, apresentam características comuns, que podem ser resumidas do seguinte modo: é preciso estudar, e estudar muito, para vencer os concorrentes e obter a vaga pretendida.

Percebeu? Então não brinque em serviço! Empregue todo o seu esforço de preparação para atingir seu objetivo. Com as cotas ficou mais fácil? Mais difícil? Nem uma coisa nem outra. Em exames vestibulares, qualquer que seja o sistema de ingresso, não há facilidade.

 

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