A vírgula, amiga ou inimiga?

Quem vai fazer prova discursiva, para responder a questões e elaborar uma redação, tem de tomar muitas cautelas com relação à vírgula. As regras de pontuação falam em ponto, ponto final, ponto e vírgula, dois pontos, ponto de interrogação, de exclamação, etc., etc.  Mas, de todos, realmente, a vírgula é o mais importante, porque mais empregada e porque define muitos sentidos para um texto.

Sendo o sinal de pontuação mais empregado, evidentemente é aquele com que o estudante deve mais se preocupar, pois as possibilidades de equívocos, por vezes inesperados, são muito fortes e de consequências péssimas. Um velho mas enfático exemplo disso é a historinha, provavelmente folclórica, da comutação de pena de morte pelo presidente de certo país. O condenado seria executado em horas e seu advogado pediu comutação da pena, para ser transformada em perpétua. O presidente se apiedou e, percebendo que as acusações tinham alguns problemas, resolveu transformar a pena em prisão perpétua e telegrafou ao diretor do presídio para não executar o réu. O funcionário que transcreveu o telegrama, porém, colocou uma vírgula onde não era necessária, e a mensagem, que era Não execute, transformou-se em Não, execute. A vírgula, colocada por engano, alterou para o oposto o sentido da frase.

Embora possa se tratar apenas de uma anedota, o exemplo é bem sintomático sobre a importância da vírgula, não é? E acaba se tornando um padrão, pois muitas outras frases podem sofrer idêntico equívoco: Não pense, com vírgula, pode transformar-se em Não, pense; Não corra, com vírgula, torna-se Não, corra. E assim por diante. Este sinalzinho, portanto, apesar de muito pequeno, encerra muitas armadilhas.

Por isso mesmo, dedique atenção às propriedades da vírgula, especialmente àquelas que podem prejudicar ou até inviabilizar uma oração ou um período inteiro de seu texto de redação ou de resposta discursiva. Um erro bastante apontado, criticado e penalizado em correções de concursos e vestibulares é o de colocar a vírgula entre o sujeito e o predicado. Não faça isso jamais. A relação entre o sujeito e o predicado nas orações é indissolúvel, os dois termos são inseparáveis. Dizer, por exemplo, O candidato fez, a prova é um lapso lamentável. O correto será sempre O candidato fez a prova. Tome bastante cuidado para não colocar distraidamente a vírgula nesses casos. O mesmo se pode dizer da relação entre o verbo e seus complementos; são inseparáveis e não admitem vírgula, como por exemplo: Meu amigo comprou, muitos livros. Errado. O certo é Meu amigo comprou muitos livros. Pode surgir a vírgula, porém, em caso de elipse, para não repetir o verbo numa segunda oração: Meu amigo comprou muitos livros; sua esposa, muitas canetas. A vírgula, neste exemplo sinaliza a omissão do verbo.

Muito cuidado também em certas enumerações de termos separados por vírgula. O último deles não deve ser virgulado: Pedro comprou computadores, laptops, tablets e celulares, do importador. Errado. O último termo desse tipo de enumeração não deve ser virgulado, para não ter interrompida a relação da série enumerativa com o verbo. O correto, pois, será: Pedro comprou computadores, laptops, tablets e celulares do importador.

Percebeu? O Blogueiro apontou apenas alguns exemplos da importância e dos riscos da vírgula. Trate de dar uma boa revisada em livros sobre o assunto, para não cometer nenhuma “mancada” em suas provas.

Pois é. A vírgula, pode crer, é uma boa amiga do texto. Mas pode ser uma  terrível inimiga. Boas provas!

 

 

 

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