Equívocos de intenção

Há casos em que, nas respostas às questões discursivas e na redação, os candidatos acreditam que certas atitudes são benéficas ao que respondem, mas, na verdade, podem tornar-se bastante prejudiciais.  O Blogueiro verificou alguns desses casos e passará a comentá-los.

O primeiro surge pelo desconhecimento do que é realmente solicitado na questão ou na redação. O candidato, em vez de responder com palavras, num discurso bem concatenado, imagina que alguns desenhos ou garatujas podem dar ideia do que está respondendo. Para ele, talvez, não para a banca de correção, que espera uma resposta adequada ao que foi indagado. Desenhos, ícones, rabiscos não são resposta que se preze. No caso da redação, então, são desastrosos. O Blogueiro denomina redações camicase aquelas em que o candidato renuncia ao discurso linguístico e apela para os desenhos e imagens. Está frito, como diz o povo. Seu texto pictórico será ignorado e receberá zero. É melhor responder com um discurso bem enquadrado a apelar para esse tipo de subterfúgio, mesmo que o candidato não tenha plena certeza de sua resposta.

Outro engano é imaginar que se pode usar um discurso vulgar, cheio de gírias e coloquialismos, em lugar de um discurso elegante e bem posto. Prova de vestibular, qualquer que seja a disciplina, não é lugar para discurso de mau gosto. Esteja alerta contra isso, portanto, e respeite a norma culta, que é o melhor modelo de comunicação em língua portuguesa na escola e nas comunicações. Em vez de coloquial, seu discurso deve ser formal, bem articulado, sem apelo a vulgarismos.

Outro engano é o de se esconder, na dúvida sobre a resposta, num discurso obscuro, que desvia o tempo todo o tema indagado. Nada disso. É melhor ser claro, mesmo sem ter plena certeza da resposta, em vez de esconder-se por trás de palavras que nada dizem sobre o assunto focalizado.

Do mesmo modo que no caso da obscuridade, não é aconselhável manifestar vacilação em sua resposta. Tomar o máximo cuidado com palavras como talvez, possivelmente, provavelmente, ou frases como eu acho que, eu imagino que, eu penso que, etc. Denotam elas a vacilação no responder. Em alguns casos, a resposta do candidato está certa, mas essas expressões enfraquecem seu discurso e podem ser mal interpretadas. Evite-as. Procure parecer positivo e confiante.

Confiante, sim, mas não em excesso. Muitos candidatos, certos de que dominam o assunto, abusam das repetições e explicações, engordando o discurso de suas respostas. A esse defeito denominamos prolixidade. É bom evitá-la. A concisão, isto é, o emprego econômico e ponderado de palavras e frases nas respostas é sempre o melhor caminho.

Finalmente, um lapso muito comum e pouco observado, particularmente na redação. Como texto, a redação se distribui em parágrafos, que são visualmente identificados pelo maior afastamento da primeira linha em relação às demais. Cada parágrafo possui um significado homogêneo, que em parte transita para o próximo, estabelecendo-se, assim, uma sequência de ideias e argumentos bem definida. Respeite isso. Nada de amontoar os períodos que formam sua redação em uma sequência só, congestionada e turbulenta. Quem vai corrigir um texto com tal defeito quase desanima ao se deparar com esse aglomerado. Acostume-se a paragrafar, que isso fará bem até ao seu modo de conceber e estruturar seu texto.

Percebeu? Intenção é uma coisa; correção é outra.

 

Deixe um comentário