Uma prova ortograficamente limpa

No artigo anterior, o Blogueiro colocou a questão da necessidade de se observar muito bem a questão ortográfica nas provas. Neste, continuando, vai focalizar alguns aspectos da acentuação que foram alterados pela reforma causada pelo acordo ortográfico com os demais países de língua portuguesa. Sempre lembrando que ortografar bem não é favor, é obrigação, e obrigação legal, pois o sistema ortográfico é oficial em nosso país. Não podemos, portanto, escrever como queremos, mas como devemos, segundo o sistema. Muitas vezes, a título de exemplo, se coloca no ensino de literatura que o escritor Monteiro Lobato escrevia “como queria”, isto é, de acordo com um sistema que ele mesmo criara. Mas Monteiro Lobato era Monteiro Lobato, um gênio que tinha o direito de escrever de acordo com sua própria visão do idioma; e nós, pobres mortais, não podemos nos dar a esse luxo ou mania sem sermos penalizados em provas de concursos, vestibulares e textos que escrevemos. Além do mais, nas edições publicadas após a morte de nosso grande escritor, a ortografia oficial voltou a ser obedecida em seus livros. E se ele estivesse vivo hoje e prestasse vestibular, teria de obedecer às regras vigentes.

Pare de pensar também que seguir o que os professores ensinam nas aulas e os livros e apostilas em suas páginas é fazer um favor aos professores. As universidades adotam também oficialmente o acordo ortográfico, que surge como uma parte dos regulamentos das provas.

A grafia das palavras e a acentuação, por exemplo, devem ser seguidas rigidamente pelos candidatos, se querem que sua prova seja “limpa” a esse respeito.

Você já estudou muito e deve conhecer bem as regras fundamentais de acentuação. Observe nas seguintes listas de exemplos o que o acordo ortográfico alterou:

 

1 – Linguiça, pinguim, tranquilo, equino, eloquente, frequente, cinquenta.

2 – Apoio, epopeia, ideia, androide, heroico. Alcateia, geleia, plateia.

3 – Feiura, baiuca, bocaiuva, reiuno.

4 – Creem, deem, leem, veem, enjoo, voo, perdoo.

5 – Apazigue, arguem, averiguem, redarguem, argui.

 

Examinou bem? Então atente para as explicações respectivas:

 

1 – Não se usa em hipótese alguma o trema, antigamente empregado nessas palavras. O trema foi banido da ortografia, embora possamos usá-lo em nomes próprios oriundos de outras línguas.

2 – Em palavras paroxítonas, os encontros oi e ei não recebem acento gráfico. Mas, cuidado: se as palavras forem oxítonas e monossílabas tônicas, o acento é obrigatório: anzóis, pastéis, léu, faróis, chapéu, réu.

3 – Não se acentua o u de ditongos em palavras paroxítonas como as exemplificadas. Mas, se forem oxítonas, receberão o devido acento: teiú, teiús, sucuruiú, sucuruiús, tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

4 – Encontros de vogais idênticas, ee, oo cuja primeira vogal é tônica de palavras paroxítonas não devem ser acentuados. Nada de escrever erradamente vôo, enjôo. É tudo sem acento.

5 – Não se acentua o u tônico de palavras como as exemplificadas.

 

Beleza? Então só falta lembrar que palavras oxítonas terminadas em em continuam recebendo o competente acento gráfico. No caso de verbos derivados de ter, entretanto, diferencia-se o plural com acento circunflexo: ele entretém, eles entretêm, ele mantém, eles mantêm, ele retém, eles retêm, etc. E tome muito cuidado com a forma verbal monossilábica: ele tem, eles têm. A esse respeito, vale lembrar que devemos acentuar pôde (verbo poder, pretérito perfeito do indicativo), para diferençar de pode (verbo poder, presente do indicativo); e assim também acentuamos pôr (verbo) para diferençar de por (preposição).

Entendeu? Muita gente ainda comete equívocos nesses casos, colocando o acento onde não deve ser colocado, ou não colocando onde tem de estar. Então dê uma boa lida nas regras de acentuação, para ter em mente o que sempre deve ser feito. Sua prova ortograficamente limpa começa por aí. No próximo artigo o Blogueiro vai focalizar as regras que o acordo não alterou.

 

 

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