Preparação: ortografia é muito importante

No artigo anterior, o Blogueiro sugeriu uma visão geral ao candidato dos estudos que tem de realizar na reta final. A partir do artigo de hoje, vai apresentar uma série de sugestões derivadas dessa visão, muito importantes para a eficácia do desempenho nas provas.

A primeira delas diz respeito à ortografia. Para alguns, a ortografia não é tão importante, dá para cometer alguns errinhos. Não é bem assim. Quando se busca um resultado final ótimo, tudo passa a se tornar importante nesse caminho. É preciso observar que a ortografia atinge todas as provas, não apenas a de língua portuguesa. As questões discursivas são respondidas em língua portuguesa, e o discurso do candidato deve privilegiar todas as possibilidades de acerto, para evitar, inclusive, escrever palavras que funcionem no texto com sentido diferente do pretendido.

Uma das coisas que deve conhecer o candidato é que o sistema ortográfico é um dispositivo legal a ser obedecido no país e, simultaneamente, um acordo entre países de língua portuguesa, que uniformizaram seus sistemas em 1990. No Brasil, o acordo começou a ser obedecido há questão de dez anos, e a partir de 2016 tornou-se obrigatório. Neste caso, é imperioso escrever conforme estipulam as regras assumidas pelo acordo.

Outro aspecto importante é o fato de que o sistema ortográfico foi criado para ser econômico, vale dizer, fazer-nos usar o menor número possível de palavras acentuadas, para diferençar das não acentuadas. Seus dois princípios reguladores são, portanto, diferenciar e economizar. Ao estabelecer tal sistema, os estudiosos encarregados poderiam, por exemplo, como se faz no inglês, decidir simplesmente não acentuar nenhum vocábulo, o que seria altamente econômico, mas poderia gerar muitas dificuldades no aprendizado do português escrito, pela confusão de palavras diferentes que se escrevem com as mesmas letras, embora tenham tonicidade distinta. Por isso, escolheram um meio-termo: acentuar apenas algumas palavras. Esta decisão tem sua lógica. A língua portuguesa tem como grande maioria de seu vocabulário palavras paroxítonas terminadas em -a, -e, -o, seguidos ou não de -s. É por esta razão que não acentuamos palavras como mesa, mesas, carne, carnes, caderno, cadernos. Já as oxítonas com idênticas terminações, muitíssimo menos numerosas, são acentuadas: guaraná, ananás, café, chaminés, avô, propôs.

Percebeu? Por trás de cada regrinha de acentuação a que você tem de obedecer, existem esses princípios de diferenciação e de economia. Você deve acentuar revólver, por exemplo, para evitar confusão com revolver (verbo). E acentua a paroxítona porque as oxítonas terminadas em -er são muito mais numerosas (pense no infinitivo dos verbos da segunda conjugação, só para ter uma ideia).

Por isso mesmo e por todas estas razões, tenha sempre presente, ao obedecer a uma regra de acentuação, os dois princípios: diferenciação e economia. Assim, ficará mais fácil compreender e evitar erros.

No próximo artigo o Blogueiro vai focalizar alguns exemplos que podem levar a enganos. Bom estudo!

Deixe um comentário