Não leve estes erros para a Universidade

Mesmo levando em conta que agora não haverá provas, mas você está aguardando ansiosamente o resultado de sua aprovação, sempre é bom lembrar neste Blogue de algo que pode ser útil a seu futuro nos bancos universitários. Você estudou bastante e merece passar. Isso é fato. Mas, uma vez conquistada a vaga, será interessante em seus estudos ter consciência de certos aspectos importantes. Um deles é o papel da língua portuguesa no estudo universitário. Haverá tarefas e tarefas, trabalhos e trabalhos práticos ou de pesquisa que você terá de fazer empregando a língua portuguesa. Por isso, ela continuará sendo uma ferramenta de trabalho imprescindível, talvez a mais importante de suas atividades. Neste caso, tudo o que você aprendeu ao estudar para as provas de conhecimentos e de redação será útil agora, muitíssimo útil, na redação de trabalhos das diferentes disciplinas que terá de enfrentar.

A Universidade, neste sentido, é um universo do discurso. Tudo o que é produzido é relatado, primeiramente em sua língua materna, depois em outras, de acordo com a natureza da pesquisa solicitada. Tais relatos ocorrem tanto no discurso oral, quanto no escrito. Seminários, por exemplo, solicitam apresentações orais e também escritas. Pesquisas de campo são relatadas por escrito e seus resumos apresentados em discurso oral.

Quando começarem seus estudos no curso você perceberá, finalmente, por que estudou tanto a língua portuguesa e a redação, além da apresentação oral. E verá que eventuais reclamações sobre excesso de estudo nesse campo eram infundadas. E até agradecerá, interiormente, a todos os professores que o estimularam a dominar o idioma. Não era exigência injustificável, nem tampouco excesso de zelo dos mestres, mas o desenvolvimento de habilidade que o acompanhará a vida toda.

Isto posto, o Blogueiro atenua um pouco seu discurso para fazer um alerta: verifique com atenção os erros de que ainda não conseguiu se livrar e evite, a todo custo, fazê-los ingressar na Universidade. Não são boa companhia. Parece um aviso bobo, mas não é. Ainda outro dia, lendo uma matéria de jornal na internet, o Blogueiro se deparou com os seguintes exemplos (por cuidado, foram um pouco alteradas as frases para evitar reclamações dos citados):

Um mal resultado vai deixar todos nervosos.

A atitude teria sido a solução encontrada pelo professor para punir o aluno pelo mal desempenho.

Dissipou as dúvidas que haviam a respeito de suas últimas decisões.

 

É claro que você percebeu os erros crassos presentes nesses exemplos, que deixariam horrorizados seus professores. E, se percebeu, é porque não os pratica. Mas, se não percebeu, ainda é tempo de aprender: sempre que empregamos “mal”, o oposto é “bem”. E se empregamos “mau”, o oposto é “bom”. É um critério adequado para não errar. O redator que nos brindou com os dois primeiros exemplos, portanto, descurou desse ensinamento (que deve ter recebido na escola, evidentemente) e trocou as bolas. Deveria ter escrito

 

Um mau resultado vai deixar todos nervosos.

A atitude teria sido a solução encontrada pelo professor para punir o aluno pelo mau desempenho.

Foram dois cochilos, é claro, mas que não recomendam muito o redator.

Já no terceiro exemplo o problema é a forma verbal “haviam”, plural, colocada em lugar de “havia”, singular. O redator se deixou impressionar demais pelo termo “dúvidas”, plural, e usou também o plural para o verbo, o que é errado, pois o verbo “haver”, com o significado de existir, é empregado sempre e apenas na terceira pessoa do singular. Basta ter este fato em mente, sem necessidade de explicações gramaticais. Seus professores repetiram mil vezes o ensinamento e a prática, não é verdade? Então não cabe qualquer distração a respeito. Memorize este exemplo, dado por Houaiss, para nunca esquecer: haverá deuses, enquanto alguém neles acreditar. Trata-se de um erro, aliás, que muita gente importante comete na oralidade e que faz o vídeo de nossas televisões ficar vermelho de vergonha.

Agora você entendeu a mensagem dada pelo título deste artigo: não leve estes erros para a universidade. Estes, é claro, e muitos outros semelhantes. Seu domínio de discurso, tanto escrito, quanto oral, deve continuar evoluindo nos bancos acadêmicos.

 

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