Um errinho banal: sujeito preposicionado

Muitas pessoas que deveriam ter um pouco mais cuidado com seu idioma, como políticos, jornalistas, profissionais ilustres que vivem cochilando em uma construção bastante simples da língua portuguesa. Os gramáticos costumam alertar para esse erro, com base no estudo dos escritores clássicos, mas nem todos levam muito a sério. Observe o exemplo seguinte, colhido nesta semana num artigo de comentarista na internet, que focalizava a questão das notícias falsas (fake news) utilizadas como meio de propaganda eleitoral:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo delas receberem o epíteto de fake News.

Aparentemente, para o escritor descuidado, nada há de irregular na frase acima. Mas há. Apresenta um caso de preposicionamento do sujeito, que os gramáticos não admitem: não devia estar escrito “antes mesmo delas”, mas “antes mesmo de elas”, como se vê no exemplar corrigido:

Ela, de resto, esteve na vanguarda das notícias falsas, antes mesmo de elas receberem o epíteto de fake News.

Você deve notar que “elas” é o sujeito de “receberem”, e por isso, num texto que se queira realmente formal, quando precedido por preposição como “de”, não deve, rezam os gramáticos, ocorrer a combinação com o artigo que determina o sujeito.

Embora em muitos casos aqui comentados o Blogueiro tenha ressalvado que no uso oral certos lapsos são “perdoáveis”, neste caso ocorre o contrário: é melhor cada um acostumar-se a não preposicionar o sujeito, para que o vício não passe para o texto, quando escreverem. Observe outros exemplos semelhantes:

ERRADO: Há muita chance da cantora vir ao Brasil no ano que vem.

CERTO: Há muita chance de a cantora vir ao Brasil no ano que vem.

ERRADO: Apesar do parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

CERTO: Apesar de o parecer não ter sido emitido, tudo correrá bem.

ERRADO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito nele solicitar retratação do jornalista.

CERTO: Não se pode dizer que haja algo de ilícito em ele solicitar retratação do jornalista.

ERRADO: No caso do candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

CERTO: No caso de o candidato vencer a eleição, cobraremos suas promessas.

ERRADO: É chegada a hora do Brasil desenvolver-se.

CERTO: É chegada a hora de o Brasil desenvolver-se.

Percebeu como é simples este tipo de frase? 1) Após o sujeito surge o verbo no infinitivo. 2) Quer seja a preposição “de”, quer “em”, não se pode combinar com o artigo que precede o sujeito. 3) É bom seguir esse princípio também no discurso oral, para não levar o erro ao escrito. Vamos exercitar bastante, para consolidar este conhecimento?

 

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