Vigie os seus as

O Blogueiro resolveu retomar, neste tempo de vestibulares, uma questão que suscita dúvidas aos candidatos, provocando por vezes muitos erros. Trata-se do emprego de a (artigo), a (preposição) e há (verbo haver). Observe os exemplos:

 

A cidade, hoje, está cheia de entulho provocado pela tempestade.

Da fazenda a São Paulo são três horas de viagem.

Há três dias não para de chover em São Paulo.

 

No primeiro exemplo, o “a” que antecede “cidade” é um artigo, determinante do substantivo. Já no segundo, embora a pronúncia seja exatamente a mesma, não se trata mais de artigo, mas de uma preposição. No terceiro exemplo, “há” é a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo “haver” (eu hei, tu hás, ele há), que tem a mesma pronúncia do artigo e da preposição, embora a grafia seja distinta. Não causa problemas quando se fala, mas, na hora de escrever, pode complicar.

O emprego do artigo geralmente não implica grande dificuldade. Já o da preposição e do verbo pode implicar erros crassos. O Blogueiro retoma esta lição, porque na própria mídia (jornais, revistas, tevês), verificam-se muito cochilos dos escritores, como, por exemplo, num jornal:

 

A cinco dias, o empresário disse que estava em Berlim.

 

Na verdade, o “a” inicial está colocado por equívoco, quando deveria o escritor ter utilizado o verbo “haver”. Talvez tenha até pensado nesse verbo, mas, na hora de escrever, escapou o “a”. A frase correta, portanto, é

 

Há cinco dias, o empresário disse que estava em Berlim.

Trata-se de um lapso bastante comum em textos escritos, particularmente na internet, em que a pressa de postar artigos predomina. Num vestibular, todavia, isso não pode acontecer. Então, atente para o fato de que o emprego do verbo “haver”, nos casos citados, aparece sempre com referência ao passado:

 

Doutorei-me há três anos.

Há exatamente nove dias o candidato disse uma grande mentira.

Meu tio garantiu que há cinco meses encontrou uma onça ferida e a curou.

 

Já a preposição “a”, quando empregada com sentido de tempo em frases que poderiam gerar confusão, não aponta para o passado, mas para o futuro:

 

A banda chegará daqui a dois dias.

Estamos a vinte e quatro horas da eleição.

 

Deu para perceber? Então sempre vigie seu emprego de “a” e “há”, para não ser prejudicado na nota, por menor que seja esse prejuízo. Centésimos ou até milésimos em sua média final podem decidir uma vaga. E nem você, nem tampouco o Blogueiro, desejam que isso aconteça.

 

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