Cuidado com o “de” indevido!

A Língua Portuguesa, como você sabe, é cheia de manhas. Por isso, é preciso tomar muito cuidado, quando escrevemos, em não omitir o que deve ser evidenciado ou apresentar o que não deve existir.

Um bom exemplo que o Blogueiro quer explicar neste artigo diz respeito ao emprego ou não emprego da preposição “de”. Você aprendeu que há verbos e nomes (substantivos, adjetivos) que pedem a presença dessa preposição antes do complemento que vem em seguida. Complementos de verbos cuja regência solicita uma preposição se enquadram como objetos indiretos; e complementos de nomes cuja regência solicita preposição se identificam como complementos nominais. Eis alguns exemplos de frases em que a regência dos verbos solicita a preposição “de”:

Eu precisava da nota que o professor me deu.

Os operários foram avisados de que a fábrica faliu.

Não necessito de ninguém para me auxiliar.

Observe também exemplos de complementos nominais precedidos da mesma preposição:

Tenho medo de que me assaltem.

O hospital tem urgência de medicamentos adequados.

Acho que estou isento de imposto de renda.

Estou convencido de que o planejamento é necessário.

Até aqui, tudo bem. Usualmente, você erra pouco nessa questão de regência verbal e nominal. Todavia, se prestar bem atenção nas entrevistas em rádios, tevês e jornais, verificará que, muitas vezes, os entrevistados cometem erros crassos, ao “inventar” a presença de “de” em contextos nos quais a regência não solicita essa preposição. Observe exemplos disso:

O candidato declarou de que tem certeza da vitória.

Ninguém achava de que os ventos fossem tão fortes.

Meus melhores professores sequer imaginavam de que o vestibular fosse tão difícil.

O prefeito solicitou de que houvesse maior vigilância nas praças da cidade.

Percebeu bem a razão do emprego indevido da preposição? Trata-se de um erro crasso e você mesmo pode julgar esse deslize lembrando do que dizia o professor em seu curso fundamental: declarar alguma coisa; achar alguma coisa; imaginar alguma coisa; solicitar alguma coisa. Esse “alguma coisa”, ainda dizia o professor, é um objeto direto ou uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Portanto, nada de “inventar” preposição onde a estrutura da frase não a solicita.

Faça uma boa revisão de seus textos, para verificar se não andou escorregando nesse equívoco, certo? E, para se divertir, preste atenção nas entrevistas na tevê para verificar como os figurões cometem esse erro, achando que estão falando muito bem.

 

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