Pronome relativo e preposição: que perigo!

Já examinou com atenção o que acontece quando você emprega pronomes relativos em seu discurso, tanto oral, quanto escrito? Se não prestou, deve prestar. E muito. Claro que você sabe o que são pronomes relativos e os identifica facilmente, como, por exemplo, os seguintes: que, quem o qual (a qual, os quais, as quais), cujo (cuja, cujos, cujas). Em frases como

 

O professor que chegou estava doente.

Não conheço a pessoa a quem você se refere.

A igrejinha, cuja torre se pode ver deste morro, está em obras.

você identifica facilmente os relativos que, quem e cuja. Parecem tão fáceis de reconhecer, que nem é preciso estudar muito.

Aí é que mora o perigo. E este surge quando a regência de um nome ou de um verbo solicita a presença de uma preposição antes do relativo. Se a omitimos, a frase fica manca e quem corrige nosso texto pode nos penalizar com um desconto de nota. Observe os exemplos seguintes:

 

Esta regra, que discordamos, não tem fundamento algum.

Não sei quem você brigou, mas não acredito muito.

A garota a qual meu vizinho se refere não estava lá nesse dia.

No discurso oral, frases como essas acabam passando sem que haja reclamação dos interlocutores, embora esteja em todas elas faltando uma preposição antes dos pronomes relativos. No discurso escrito, porém, especialmente em uma prova discursiva ou numa redação, a lacuna é detectada e penalizada de imediato. O adequado seria empregar

Esta regra, de que discordamos, não tem fundamento algum.

Não sei com quem você brigou, mas não acredito muito.

A garota à qual meu vizinho se refere não estava lá nesse dia.

 

Percebeu? O verbo discordar solicita a preposição “de”; já brigar implica “com”; e referir-se pede “a”. Por isso os relativos que, quem e a qual devem vir precedidos das referidas preposições: de que, com quem, à qual.

O perigo, porém, é ainda maior quando uma vaga ideia da necessidade de preposição surge na mente do usuário (falante, escritor), de modo que ele tenta consertar o esquecimento com um remendo. Essa atitude é comum no discurso coloquial, mas pode também chegar ao escrito. Observe:

 

A garota que eu saí com ela estuda Direito.

O futebol é um esporte que gostamos muito dele.

 

Notou? No primeiro exemplo, o usuário deveria ter dito ou escrito A garota com que eu saí estuda Direito. Mas acabou produzindo uma sequência absurda, em que uma personagem é referida três vezes, de três modos diferentes: a garota, que, ela. E a preposição, que deveria preceder o relativo, acabou precedendo o pronome ela, que invadiu indevidamente a frase. No segundo exemplo, a forma adequada deve ser O futebol é um esporte de que gostamos muito.

Viu que perigos se correm nesses casamentos entre preposições e pronomes relativos? Faça uma revisão criteriosa de suas redações para verificar se não caiu numa dessas armadilhas.

 

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