Respostas inseguras: um ponto negativo

Talvez você nunca tenha pensado muito a respeito, mas, independentemente de estar certo ou errado, o modo como responde uma questão de prova pode interferir no julgamento de sua resposta. O ideal é escrever com convicção, mostrando segurança. Mesmo que não tenha plena certeza de ter entendido inteiramente a questão, é preciso escrever com clareza, para valorizar sua resposta. Isso, porém, nem sempre acontece e, preocupado com o que não sabe, acaba não conseguindo demonstrar o que sabe.

Este é exatamente o caso das respostas que o Blogueiro denomina inseguras, por revelarem mais as dúvidas do que as certezas do candidato. A insegurança pode revelar-se em pedidos de desculpas ou, menos mal, no uso de palavras ou expressões que materializam a hesitação. Típica manifestação de insegurança é o emprego de formas verbais no futuro do pretérito (seria, haveria, poderia, etc.), de advérbios de dúvida (talvez, provavelmente, possivelmente, etc.) ou de expressões como acho que, penso que, creio que.

Um exemplo de resposta em vestibular antigo da Unesp pode servir para que você entenda melhor esse perigo. A questão focalizava um texto de Darcy Ribeiro sobre a colonização portuguesa, particularmente a respeito da aproximação e convivência entre portugueses e indígenas. Darcy empregou o termo “guerra biológica” como imagem do fato de os portugueses haverem trazido consigo vírus e bactérias que causaram extermínio de parte da população indígena. Observe uma resposta insegura a tal questão:

 

Seria o confronto entre os índios saudáveis e os brancos impregnados de doenças. Vivendo no meio da natureza por vários anos, os índios não estavam imunes às doenças do velho mundo que seriam trazidas pelos europeus. Dessa forma os índios morreriam facilmente com qualquer doença, até mesmo as mais fracas gripes. Esse fator seria decisivo para a dizimação dos nativos.

Dá para perceber que o candidato compreendeu o significado de “guerra biológica”, mas o uso excessivo do futuro do pretérito nos verbos (seria, seriam, morreriam, seria) atrapalha bastante sua resposta, que dessa forma parece revelar indecisão, podendo provocar um desconto de nota. Com menos insegurança, o candidato deveria ter escrito foi, era, morriam, foi.

Percebeu o risco de usar o futuro do pretérito? Então passe a tomar bastante cuidado com ele a partir de agora. E cuidado também com os advérbios de dúvida e expressões que denotam falta de certeza. Note o que fazem quando empregados:

(A) Os indígenas eram pessoas generosas.

(B) Provavelmente os indígenas eram pessoas generosas.

(C) Eu acho que os indígenas eram pessoas generosas.

Notou? Na frase (A) a afirmação é categórica, mas, se acrescentado o advérbio “provavelmente”, transforma-se, na frase (B), numa possibilidade, uma hipótese; e, na frase (C), “Eu acho que” sugere falta de confiança na própria declaração. Imagine isso ocorrendo, por insegurança, numa resposta discursiva. Esta sofrerá perda de pontos na correção.  Neste caso, vale o alerta: você sabe integral ou parcialmente a resposta correta ou não sabe; qualquer que seja o caso, é melhor jogar fora esses seria, poderia, haveria, talvez, provavelmente, eu acho que, etc., etc., e procurar ser claro, direto e positivo em todas as respostas. Isso não o fará ganhar mais pontos, mas, seguramente, também não o fará perder.

Faça experiências a respeito, utilizando respostas que já deu em provas e simulados. Você só terá a ganhar.

 

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