Curso universitário é muito necessário?

Você por certo já se fez a pergunta que serve de título a este artigo. O Blogueiro, só para ilustrar, dividiu tal título em dois versos rimados de seis sílabas, chamados hexassílabos ou também heroicos quebrados, pelo fato de os poetas por vezes os usarem combinados com os decassílabos heroicos, variantes mais empregadas dos versos de dez sílabas. Pois é. Você algumas vezes deve ter pensado ou até perguntado a um colega ou professor: Afinal, é tão necessário assim fazer curso universitário? E se eu não fizer? Muita gente não faz e tem sucesso na vida do mesmo jeito.

A dúvida é perfeitamente cabível, em primeiro lugar pelo simples fato de as universidades públicas e privadas em nosso país ainda não terem vagas suficientes para acolher todos os estudantes. Em segundo, porque muitos estudantes decidem não fazer curso universitário e partem para o trabalho direto, por escolha ou por necessidade. E daí? Quer dizer que estão fracassando na vida, por não poder ou não querer ser aprovados em vestibulares e seguir um curso superior? Nada disso. O problema tem de ser analisado sob outra ótica. Evidentemente, as universidades formam profissionais de alto nível para competir no mercado de trabalho de alto nível. Não há dúvida.  As pessoas mais velhas costumam dizer aos jovens que é importantíssimo fazer curso universitário. E é. Aqueles que não fazem, seja por que motivo seja, têm de conduzir suas vidas a um mercado de trabalho diverso.

É preciso dizer, contudo, que é muito importante chegarem os estudantes pelo menos ao final do ensino médio, para que tenham uma formação razoável, que facilitará suas atividades no trabalho, qualquer que seja este. Convém, neste sentido, enfatizar que não há nenhum demérito em arranjar emprego que não requer ensino superior. Nem demérito, nem tampouco derrota. Pode ocorrer, – e muitas vezes ocorre, – que o indivíduo se dê muito bem em determinada atividade e alcance um grande sucesso, até mesmo enriquecendo. O Blogueiro pode dar um exemplo real a respeito: certo garoto, que ele conheceu, não era lá de estudar muito, quebrava o galho na escola, como se diz popularmente. Os pais, de classe média, faziam de tudo para que estudasse mais e ingressasse num curso universitário. O garoto, porém, não dava grandes sinais de convencimento. Até chegou a fazer vestibular, conseguiu vaga em um curso de administração de uma universidade pública, mas acabou desistindo no meio do primeiro ano, por achar que era muito difícil. Os amigos e parentes criticaram. Os pais ficaram muito preocupados, ainda mais porque o garoto ficou no ostracismo, no fazer nada. Depois de um ano, de repente, disse aos pais que queria ir a um país estrangeiro para trabalhar como pedreiro, porque o salário era razoável e tinha amigos que já faziam aquilo. Meio sem jeito, os pais financiaram a passagem e lá se foi o garotão. Todos os familiares diziam que iria fracassar. Trabalhou duro por quase um ano como pedreiro, depois arranjou um emprego como garçom de uma rede de restaurantes. Deu-se tão bem nesse trabalho, que acabou sendo promovido a cargos mais altos, inclusive para ministrar cursos a novatos. E do jeito que vai, parece que encontrou o que procurava e vai ter bom sucesso em suas atividades.

O Blogueiro está, com esse exemplo, querendo fazer propaganda contra o curso superior? Nada disso. Muito pelo contrário. Voltando ao título: Curso universitário é muito necessário? É, sim, é o mais indicado para os jovens. O País precisa muito de profissionais formados por universidades, para o seu desenvolvimento cada vez maior. Mas é necessário ter bom senso para compreender adequadamente que nem todas as atividades num país são de profissionais formados por universidades. E muito mais bom senso ainda para entender que o importante é o trabalho em si mesmo, seja de que nível for. Uma nação em progresso permanente é uma nação de trabalhadores, de pessoas que lutam pelos seus ideais, pelas suas famílias e, fazendo isso, lutam também pela própria coletividade. Pense nisso.

 

 

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