Vestibulares, “desconfiômetro” e “adivinhômetro”

O Blogueiro está iniciando este artigo com a criação de um neologismo, isto é, de uma palavra não existente no vocabulário da língua portuguesa. E faz isso baseado em outras criações que não são dele, como, por exemplo, desconfiômetro, que já é relativamente frequente, pelo menos no português oral brasileiro, a ponto de estar contemplado no Dicionário Aurélio. Quando dizemos Fulano não tem desconfiômetro, queremos significar que Fulano não é capaz de avaliar devidamente algo de errado, inoportuno, inconveniente ou até desastrado que fez ou que disse. É como se algumas pessoas não tivessem um dispositivo mental para evitar enganos ou tropeços. O povo, com sua eterna capacidade de debochar, acaba dizendo que, nesses casos, Fulano não tomou semancol, vale dizer, não foi capaz de perceber sua inconveniência. Semancol, metaforicamente, seria um remédio para evitar o problema. No Aurélio, “mancar-se” tem entre suas acepções justamente a de perceber que foi inoportuno, inconveniente.

Pois é. Então o que o Blogueiro quer dizer com adivinhômetro? Não é difícil de entender. É como se houvesse um aparelhinho capaz de fazer adivinhações. Por que o Blogueiro se deu ao trabalho de criar esse neologismo referido a vestibulares? Só por brincadeira? Nada disso. Para chamar atenção sobre tentativas de adivinhar questões que poderão cair neste ou naquele vestibular. Alguns sites costumam tentar prever questões que podem surgir nos vestibulares de uma universidade, simplesmente abordando os últimos exames. Baseados na frequência de questões sobre determinados assuntos, tentam apresentar aos estudantes dicas a respeito. Isso é feito até para vestibulares da Unesp.

São úteis tais previsões? Podem ser, não resta dúvida. Todavia, não podem ser considerados uma panaceia, vale dizer, um aconselhamento que renda 100% de acertos. Panaceia tem entre seus sentidos o de remédio para todos os males. Isso não existe, nem mesmo para vestibulares. Não deixa de ser útil saber quais temas foram abordados nas propostas de redações nos últimos exames desta ou daquela universidade, ou quais conteúdos mais fornecem questões em cada disciplina. Útil, neste caso, não significa certeza absoluta. Pode significar até o oposto. As bancas elaboradoras de vestibulares das universidades públicas são formadas por profissionais com toda a competência para variar os conteúdos de vestibular a vestibular. Se você acreditar demais nas previsões, poderá, como costuma dizer o povo, até cair do cavalo, pois, muitas vezes, o que é esperado não se confirma e o que não é esperado aparece. As bancas sabem exatamente o que perguntar para avaliar a capacidade e o preparo dos candidatos.

O método fundamental só pode ser, portanto, procurar abranger todos os conteúdos em sua preparação para as provas. Informações complementares, ao longo dessa preparação, serão bem-vindas, mas não a ponto de se tornarem o principal objetivo dos estudos. Estudar só o que é possível cair nas provas é acreditar em milagres. O melhor e mais seguro para você é acreditar na extensão de seus estudos e na sua competência para encarar questões inesperadas. No caso da redação, por exemplo, de nada vale conhecer antecipadamente o tema, se o candidato não escreve adequadamente. É melhor aperfeiçoar sua capacidade de redigir do que ficar tentando adivinhar o tema.

Valeu? Então tenha desconfiômetro suficiente para não acreditar demais em adivinhômetros. Até hoje, ao que o Blogueiro saiba, não nasceu nenhum vidente capaz de antecipar todas as questões dos vestibulares, bem como o tema da redação. Tome Semancol.

 

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