Sinônimos, devo usá-los?

Desde os primeiros anos do ensino básico nossos professores nos ensinaram a empregar sinônimos. Fizemos exercícios e exercícios com eles, sem saber exatamente para quê.  Linguistas, hoje, porém, costumam nos dizer que sinônimos não existem, que aqueles vocábulos que consideramos como tais na verdade não têm exatamente o mesmo sentido. Deste modo, a existência de sinônimos seria uma espécie de ilusão: julgamos que certos vocábulos têm o mesmo significado, mas, de fato, não têm.

É claro que os linguistas estão certos. É muito fácil, até, demonstrar que os vocábulos considerados sinônimos na realidade são apenas parecidos em maior ou menor grau pelos significados. E daí? Quer dizer então que nossos professores e os estudiosos antigos estavam errados? Ensinaram errado? A verdade não é bem essa. O fato de vocábulos considerados sinônimos não terem o mesmo sentido apenas significa que palavras diferentes não têm sentido igual. Não igual, porém, neste caso, não quer dizer absolutamente diferente. Bonito, lindo, belo, realmente não apresentam o mesmo significado, mas estão semanticamente muito próximos, a ponto de, em determinados casos, poderem ser trocados, sem que haja diferença muito relevante para o conteúdo da frase em que se inserem. Podemos dizer, por exemplo, frases como Bonita moça! ou Linda moça! ou Bela moça, com os vocábulos bonita, linda, bela muito próximos pelo sentido. Já não seria a mesma coisa em frases como Maravilhosa moça! em que a ideia ainda é de “beleza”, embora o significado represente um grau maior dessa beleza do que em bela, linda ou bonita. São diferenças como essa que se devem perceber em séries de vocábulos como bonita, linda, bela, formosa, pulcra, maravilhosa, encantadora.

Se você entendeu bem os comentários acima, deve ter percebido que os manuais escolares de língua portuguesa, quando solicitam mudar uma palavra por seu sinônimo, estão somente solicitando a troca de uma palavra por outra que tenha o significado mais próximo possível. Um exercício, por exemplo, para substituir casa por um sinônimo vai revelar toda uma série de vocábulos: casa, residência, morada, domicílio, lar, moradia, habitação. Apesar das diferenças relevantes de significados desses vocábulos, sempre é possível encontrar contextos onde possam substituir-se sem grande prejuízo para o significado global da frase. Ao contrário, muitas vezes, a troca de uma palavra por outra pode fazer bem à frase.

Agora você mesmo pode responder à questão formulada como título, dizendo que é lícito, sim, empregar sinônimos, desde que ciente dos fatos acima comentados. E que o emprego de sinônimos contribui bastante para o enriquecimento de seu vocabulário, além fazer com que você desenvolva um discurso cada vez mais variado e expressivo. Numa revisão do rascunho de sua redação experimente trocar algumas palavras por seus sinônimos. Pode ser extremamente vantajoso para o texto. Faça disso um modo de tornar mais eficiente sua expressão e argumentação.

Que concluir de todos estes comentários? Simples. Sinônimos existem, sim, não pela igualdade de sentido, mas pela semelhança e possibilidade de trocas  com maior ou menor dose de efeitos. Use e abuse.

 

Deixe um comentário