O tema é o seu problema

A redação no vestibular é um obstáculo que deve ser ultrapassado por todos os candidatos a qualquer curso da universidade. Ao mesmo tempo, por seu valor no conjunto das provas, é uma fonte preciosa de pontuação para a conquista de uma vaga.

Ao longo do ano que precede os exames, tanto os professores do ensino médio quanto os de cursos preparatórios tentam descobrir, estudando os temas apresentados em vestibulares anteriores de diversas universidades, qual o mais provável nos vestibulares que seus alunos estão para enfrentar. É claro que ninguém adivinha, embora, vez por outra, um desses palpites de professores dê certo em algum vestibular importante. Mas… e daí? É bom adivinhar, mesmo que por acaso, o tema da redação? Claro que sim. Mas isso resolve o seu problema? Claro que não, por uma razão muito simples: saber o tema é uma coisa; saber escrever é outra. E saber escrever não significa apenas conhecer regras gramaticais e ortografia, bem como ter noções de coesão textual. Nada disso. Por quê? Porque escrever bem não se limita a uma só habilidade, mas a muitas. Eis a questão.

Ora, escrever bem implica três fundamentos que geram as habilidades necessárias: primeiro, dominar a construção de textos (normas gramaticais, coesão textual, ortografia); segundo, ter formação cultural adequada a, terceiro, explorar com sucesso o tema proposto. A escola, ao longo dos ensinos fundamental e médio, busca fazer com que os estudantes adquiram a primeira habilidade pelo estudo e treinamento em exercícios e mais exercícios de produção de textos. O currículo escolar busca dotar os estudantes de uma formação cultural genérica. Uma formação desse tipo, porém, não é suficiente para levar o aluno a produzir excelentes textos, mas tão somente, se for aluno estudioso, textos bons ou apenas razoáveis. Por quê? Porque um ótimo escritor é, antes de tudo, uma pessoa com formação cultural também ótima, diferenciada, que lhe permite produzir textos ótimos e diferenciados.

Se você acha que, fazendo uma boa ou razoável redação, isso já é suficiente para o seu interesse, tudo bem. Se quer mais que isso, considerando o peso da redação na nota final, preste bastante atenção no que o Blogueiro vai dizer. Faça sempre mais do que a escola lhe pede. Supere-se em leituras de obras literárias; leia todos os dias os artigos que jornalistas, intelectuais e bons políticos colocam na internet; interesse-se por avançar na obtenção de informações sobre o mundo atual, sobre os problemas com que a humanidade se defronta; leia pelo menos alguns livros fundamentais de filósofos do passado e do presente; informe-se sobre as diferentes artes e crítica de artes; esteja sempre atualizado sobre ciência e tecnologia; não ignore obras de história universal e história do Brasil, assista a filmes documentários, vez por outra assista a peças de teatro. Esses conteúdos todos estão apenas esboçados nos ensinamentos que você recebe na escola. Exatamente por isso precisam ser aumentados e desenvolvidos por todos os cidadãos que buscam uma vaga universitária e pelos que, já estudantes universitários ou profissionais formados, pretendem compreender o mundo em que vivem, e não apenas ser pessoas robotizadas que se contentam em comer, beber, trabalhar e dormir, sem nunca se preocuparem com analisar sua própria condição de estar no mundo vivendo passivamente. É algo como estar na vanguarda ou na retaguarda da civilização.

É, perguntará você, mas com tanto estudo para vestibular não dá para fazer tudo isso! Dá, sim, é só você querer e saber organizar-se. E, de certo modo, é uma espécie de descanso das tensões de estudo, uma forma de lazer para sua própria inteligência não ficar bitolada com o decoreba de sua preparação para as provas de vestibular. E note bem o que o Blogueiro disse: não é algo para começar e terminar em pouco tempo, mas para durar por toda a sua vida, se quer ter uma exclente formação cultural e tornar-se, assim, um verdadeiro intelectual.

Entendeu bem? O tema não é a solução. Num bom sentido, é o seu ótimo problema. Então está aberta a encruzilhada para o ser ou não ser diferenciado. Pura questão de escolha.

 

 

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